O que aconteceu no Rio de Janeiro durante a madrugada de hoje, e que também ocorre constantemente em Petrópolis e em toda Região Serrana, vai além de uma tragédia, é muito mais do que um desastre inesperado.

Por trás dos acontecimentos estão anos de descaso, falta de planejamento e atropelo de interesses. Notavelmente, os ganhos das concessionárias de água e esgoto são estratosféricos, sendo os serviços e investimentos gradativamente piores.

Já as poucas obras de infraestrutura realizadas em nosso estado quase sempre seguem a dinâmica político-empresarial de maximização de lucros, por parte das empreiteiras e dos corruptos, aliada à baixa qualidade estrutural no resultado final. É obra não entregue, obra que rui, obra que não sai do papel.

Enquanto isto, em um retrato da qualidade de nossos gestores públicos, apenas 30% das cidades do país possuem Planos Municipais de Saneamento Básico, poucas efetivam Planos Municipais de Habitação de Interesse Social e cada vez menos são pensadas iniciativas e ações articuladas que requalifiquem zonas urbanas e assentamentos habitacionais.

Por fim, o poder público precisa se tornar realmente defensor dos interesses públicos. Se os serviços e políticas continuarem reféns de vantagens mesquinhas e privadas, não existirá planejamento ou gestão voltada ao bem comum. Política pública não pode ser negócio!

E se isso não mudar, o filme do abandono se repetirá…

Yuri Moura

Professor, Gestor Público e Militante das Causas Populares