Que rufem os bumbos! A Vila Isabel pediu passagem para contar a história de Petrópolis na Sapucaí e apresentou, na noite desta sexta-feira (21.09), as fantasias que vão representar a cidade no Carnaval de 2019. Em cada um sentado na plateia do Teatro Mecanizado do Palácio Quitandinha, chamava a atenção o olhar encantado com a riqueza de detalhes e referências. É possível reconhecer de luxuosos trajes usados pela Família Imperial à roupas dos escravos, passando pelo barril de chope da Bauernfest, Santos Dumont, o cassino no Quitandinha, entre outras. Cerca de 200 componentes da branco e azul carioca, incluindo bateria, passistas e diretoria da agremiação, subiram a Serra para contar a cidade de uma forma diferente.

Na ocasião, o presidente da escola, Fernando Fernandes, ainda anunciou que a integração entre a Vila Isabel e a cidade está superando as expectativas e um ensaio técnico para o desfile será realizado na Cidade Imperial: “A Vila Isabel agora também é Petrópolis. Vamos fechar a rua e fazer um ensaio em Petrópolis, vamos fazer um Carnaval aqui, colocar o povo para sambar. Petrópolis terá seu nome honrado pela Vila Isabel. Agradeço essa recepção calorosa na cidade”, destacou.

“A Vila tem tudo a ver com a nossa cidade, uma Cidade Imperial. Estamos muito felizes por essa homenagem, ainda mais feita por uma escola do nível da Vila, que tem chances reais de ganhar o Carnaval. O mundo inteiro vai ouvir e ver as maravilhas que a nossa cidade oferece, isso ajuda o turismo, a economia da cidade. E as fantasias estão impecáveis, maravilhosas e com o trabalho todo adiantado”, destaca o prefeito Bernardo Rossi, lembrando que o desfile não terá aporte do dinheiro público.

No desfile, em 2019, serão seis carros alegóricos, 29 alas, com mais de 3 mil componentes. Segundo a escola, mais de 80% das fantasias já estão prontas. Na apresentação desta sexta-feira, fantasias que mais parecem obras de arte desfilaram uma a uma no palco. 25% do desfile ainda é mantido em segredo e só será revelado na Sapucaí, mas o que o público pôde ver já mostra que a escola vem com a intenção de figurar entre as campeãs. As fantasias remetem a ligação de Petrópolis com outros países; a libertação dos escravos; a família imperial e sua coroa, que também é símbolo da Vila Isabel; os avanços, a tecnologia; as belezas naturais; os índios e muitas outras. Entre as fantasias que mais fizeram sucesso está a “baiana”, cuja saia do traje tem o formato de uma coroa.

“Nossa cultura está sendo representada ali, em cada detalhe das fantasias. E foi muito importante essa apresentação em Petrópolis porque integra ainda mais a escola com a cidade”, destaca o diretor-presidente do Instituto Municipal de Cultura e Esportes, Leonardo Randolfo, que ajudou a agremiação com as pesquisas na cidade.

Com o tema: “Em nome do pai, do filho e dos santos, a vila canta a cidade de Pedro”, a história começa com os “Pedros”: os santos, São Pedro, que, “desde o primeiro desfile da Branco e Azul, costuma lavar a alma e lustrar com seu sagrado encanto a Coroa da Escola”, e Santo Pedro de Alcântara, padroeiro de Petrópolis; além de Dom Pedro I, quem sonhou com a cidade na Serra; e o filho, Dom Pedro II, que realizou o legado. Tudo isso, representado por luxuosas fantasias, como a chamada de “O pontífice do padroeiro”.

A Vila Isabel será a segunda escola a desfilar, na segunda-feira de Carnaval. O desfile das 13 escolas do grupo especial é transmitido para todo o Brasil e mais de 100 países. São 500 mil pessoas no sambódromo em todos os dias e desfiles de todos os grupos, uma movimentação de R$ 3 bilhões apenas na capital, que chega a receber 1 milhão de turistas. “Será uma mídia espontânea espetacular para a cidade, o que deverá nos trazer muitos resultados no turismo. E o melhor de tudo: sem aplicação do dinheiro público”, completa o secretário da Turispetro, Marcelo Valente.

A história

Bairro de origem da escola de samba, Vila Isabel fazia parte da Fazenda do Macaco quando foi doada por D. Pedro I à sua segunda esposa, a Imperatriz Amélia. Com a ida do casal para Portugal, a fazenda ficou abandonada. Em 1872, ano considerado de sua fundação, o local foi comprado por um empresário, que decidiu lotear e urbanizar a área, sendo escolhido o nome Vila Isabel em homenagem à Princesa Isabel. Hoje, a escola de samba também leva em seu brasão a coroa da princesa. A semelhança dessa história que tem como base a família real é a principal relação com Petrópolis.