Uma pesquisa realizada pelo Ministério do Turismo mostrou que as 17% das mulheres brasileiras têm o desejo de viajar sozinha, enquanto os homens ficam em 11%. Ainda segundo a pesquisa, a principal motivação é a vontade de se aventurar, independente de ter ou não companhia. Entretanto, apesar do número estar em crescimento, o principal fator que desencoraja essas mulheres é o medo, o assédio e a falta de apoio.

 O agente de viagens Douglas Martins, 32 anos, afirma que são poucas as mulheres que vão à empresa em busca de pacotes para viajarem sozinhas, 1 em cada 10, porém o número de mulheres viajando sempre é maior que o de homens. Ele afirma que o assédio é a maior preocupação. “A dica sempre é evitar países da Ásia e Oriente Médio, devido ao assedio da população local, são países com histórico de problemas com o público feminino, normalmente, a America do norte e Europa são tranqüilo”. Em 2016, mulheres viajarem sozinhas foram tema de debate após duas jovens turistas argentinas terem sido assassinadas em Montañita, no Equador enquanto realizavam um mochilão pela América do Sul.

Rayssa Estrela viaja sozinha desde os 18 anos, hoje com 27 já visitou mais de 18 países, em todos os continentes. Já foi a turismo e a trabalho voluntario em ONGs do Panamá, Índia e México. As viagens mais marcantes foram dentro da América do Sul, onde alguns trajetos foram realizados a pé. Com tanta experiência, Rayssa afirma que imergir é essencial.  “Eu aprendi a entender o olhar do outro, toda viagem eu busco entender a cultura local, tentar fazer parte daquilo”.  “Quando eu tinha 18 anos eu não pensava em empoderamento, eu viajava pela loucura mesmo, com o passar do tempo eu vi que a gente precisa fazer as coisas porque a gente quer, sem esperar ninguém”, afirma. A viajante já tem um próximo destino, a Espanha para iniciar seu mestrado em marketing digital.

 

Viajar sozinha rende também novas amizades, Bianka Andrade de 24 anos, conta que tem “coragem de sobra e um anseio desde criança de sair pelo mundo”. Esse anseio fez com que ela viajasse para Índia e hospedada em uma comunidade espiritual conheceu meninas do mundo todo. “Conversamos por redes sociais até ho

je e estou combinando com uma delas de voltarmos juntas para lá”. “Acredito que viajar sozinha é umas das melhores maneiras de se conhecer, quem tiver vontade, vá, sem medo e de coração aberto”, conta.

Ainda em seu trajeto de viajante, Bianka conta que muita gente, inclusive seu pai, alertou sobre os riscos de viajar sozinha. “Riscos são muitos, tentaram me amedrontar contando sobre casos de estupro, ataques a estrangeiras e coisas do tipo”. Ela relembra uma experiência durante uma viagem de trem no Norte da Índia. “Ele estava lotado e cheio de homens com olhares de malicia, chorei de raiva, foram 20 horas de viagem então eu entrei no saco de dormir e fiquei lá até chegar no destino”. Depois disso, ela conta que atualmente seu único medo é de se perder no aeroporto. “Viajar sozinha te empodera”.

Se aventurar no mundo entre mulheres também é uma experiência única. A universitária de 25 anos, Jucilene Sonalio, juntou três amigas e cruzaram o deserto da Austrália da Darwin (capital do Território do Norte, no litoral da Austrália) até Adelaide (capital do estado da Austrália Meridional), cerca de 4 mil quilômetros de motorhome (veículo e casa juntos, típicos trailer usados em viagens familiares). “A viagem que fiz com as minhas amigas marcou mais pelo fato da distancia, o deserto da Austrália ser cheio de perigos, cobras, e historias macabras.” A experiência rendeu historias memoráveis. “Atolamos no meio do caminho e um casal de velhinhos ajudou no desatolamento. Nosso carro também quebrou por três dias”. Apesar de tudo, Jucilene afirma que aprendeu muito. “Rir dos problemas, a gente usava o que dava errado como humor porque no final do dia tudo dava certo”.