A operação “Saturno”, deflagrada na quinta-feira (16.11) para combater o tráfico de drogas em Petrópolis, marcou o novo momento da segurança pública na cidade. A integração que acontece atualmente entre Guarda Civil, Polícia Militar e as duas delegacias do município – e que essa semana contou ainda com Polícia Rodoviária Federal – foi fundamental para tirar da cidade 20 pessoas que integravam uma quadrilha responsável pela distribuição de dois a três quilos de cocaína por semana. Durante a operação, outras duas pessoas foram presas em flagrante por posse de entorpecentes e mais oito foram conduzidas para 105ª DP, no Retiro, para prestarem depoimentos. Também houve a apreensão de 871 pinos de cocaína, 41 tabletes de maconha e sete munições calibre 38.

A ação envolveu o trabalho de mais de 200 agentes e seis cães de detecção. Da guarda, foram mobilizados 20 homens e dois animais, além de oito viaturas e uma moto para dar apoio às diligências.

Para isso, a Guarda trabalhou para aumentar a frota da corporação, com conserto de 16 veículos ao longo do ano; inaugurou em abril o canil, construído e mantido com a ajuda de parceiros e que agora já apresentam resultados a população, com a apreensão de mais de seis mil pinos de cocaína só em 2017.

“A Guarda Civil tem participado ativamente das atividades de segurança pública do nosso município. Desde o início do ano a gente vem buscando cada vez mais essas parcerias. Isso vem mudando a cidade a cada dia e já apresenta resultados muito positivos. E é por isso que nós continuamos buscando atualizar o aparelhamento da corporação”, analisa o comandante da Guarda, Jeferson Calomeni.

Guarda próxima às polícias

Essas apreensões aconteceram em operações organizadas em conjunto com a Polícia Militar. Também é ao lado da PM que a Guarda realizou outras ações este ano, como choque de ordem e ronda escolar. A Polícia Civil recebe diversas ocorrências atendidas pela Guarda – só ao longo de 2017, foram mais de 250 chamados nas ruas.

Para a operação Saturno, a participação do sistema judiciário também foi fundamental: a 1ª e a 2ª varas criminais expediram 40 mandados de prisão e 10 de condução coercitiva, que foram cumpridos em 17 locais.

“Uma operação deste tamanho exige o trabalho conjunto de todas as forças policiais para dar certo. E é primordial estarmos unidos para fazer o combate à criminalidade e conseguir a manutenção da ordem”, afirma o delegado da 105ª DP, Cláudio Batista.

De acordo com a Polícia Civil, a maior parte das drogas eram trazidas para Petrópolis da favela Parque União, que fica em Duque de Caxias. O município também trabalha para coibir este problema. Um dos caminhos é o sistema de monitoramento que a cidade vai implantar e que vai permitir observar a movimentação de entrada e saída do município. Serão 85 pontos com câmeras, entre eles, os pórticos do Bingen e do Quitandinha.

“A operação Saturno foi extremamente exitosa e tudo foi possível graças a essa integração. O trabalho conjunto da Guarda com a Polícia Militar, Polícia Civil, as duas delegacias e a PRF faz com que Petrópolis, mesmo tão próxima de uma realidade tão cruel vivida no Rio e na baixada fluminense, tenha um patamar excelente de segurança pública”, considera o sub-comandante do 26º BPM, Thiago Fernando Sardinha.

Parte deste resultado ocorre com a contribuição da sociedade. O grupo “Todos por Petrópolis”, por exemplo, reúne empresários que ajudam as forças de segurança com insumos para a realização dos trabalhos na cidade. As policias Civil e Militar já receberam doações de jogos de pneus, remas e produtos de limpeza, entre outros materiais. Ao mesmo tempo, o 26º BPM conseguiu ampliar em 8% a presença nas ruas, saltando de 377 para 408 PMs.

População percebe a diferença

As investigações aconteceram durante sete meses. O ponto inicial foi uma denúncia anônima sobre um acusado de cometer uma chacina em Petrópolis em 2014 – essa mesma pessoa era acusada de tráfico de drogas e acabou presa em São Paulo. A partir disso, a investigação continuou com o foco em outras células de tráfico, descobertas em escutas telefônicas realizadas com autorização da justiça. Um dos dois líderes da distribuição de drogas identificados durante as investigações foi preso durante a operação Saturno. O segundo está foragido.

“A investigação iniciou há mais tempo e a interação para montagem desta operação começou há menos de um mês. A população de Petrópolis, em especial, entende esse trabalho e nós recebemos muitas denúncias de moradores. Esse esforço de todas as forças é muito relevante para que a população continue confirmando e continue passando informações para que a gente siga combatendo o crime em todas as suas modalidades”, diz o comandante do 26º BPM, Oderlei de Souza.

A população tem diversos canais disponíveis para se comunicar com as forças de segurança. Além do 190, a Polícia Militar em Petrópolis possui um contato por WhatsApp: 9 9222-1489. Outro caminho é o telefone 2242-2416. As delegacias atendem pelos números 2242-2566 (105ª) e 2232-0143 (106ª), respectivamente. Para falar com a PRF, o contato é 191 ou (21) 3503-2367 / 3503-2366. Já a Guarda Civil pode ser contatada pelo 153, 2246-9254 ou 2246-9257.

De acordo com a Polícia Civil, todos os que foram presos com mandados faziam a distribuição de drogas trazidas pelos dois traficantes principais, ou seja, eram ligados aos líderes como os anéis de Saturno. Todos ficarão presos temporariamente por 30 dias, prazo que pode ser prorrogado por igual período. Nesse tempo, o inquérito será finalizado e entregue ao Ministério Público Estadual para dar andamento ao processo judicial. Os presos foram levados para o presídio de Benfica, zona Norte do Rio de Janeiro.