Os dados do Siga Brasil, que usa informações oficiais do orçamento da União, mostra que o orçamento da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) para investimentos estão em declínio desde 2013. Esses gastos seriam os que poderiam ser destinados para o Museu Nacional, por exemplo, já que a Universidade é vinculada ao monumento.

Ao mesmo tempo, a parcela destinada aos gastos obrigatórios, como pagamento de salários e pensões, tem pesado cada vez mais nas contas da instituição. Neste ano, esse tipo de despesa chegou a 84% do orçamento, e em 2014, quando teve seu pico de gastos anuais, tinha sido o ano em que menos investiu em obras. Já em 2018, apenas 1% dos recursos financeiros da instituição foram destinados a melhorias estruturais, transformando-o no menor investimento em 10 anos.

Posição do governo federal em relação às informações divulgadas pela UFRJ 

Nesta terça-feira, o ministro-chefe da Casa Cívil, Eliseu Padilha, afirmou que “a dotação orçamentária para a Universidade Federal do Rio de Janeiro, considerando 2012 até 2017, aumentou 48,9%”.

Considerando a correção pela inflação, o orçamento total da UFRJ teve perda real nos últimos três anos de forma consecutiva, de acordo com os dados do Siga Brasil a variação orçamentária da Universidade entre 2012 e 2017, cai para 1,84%,.

Investimentos e obrigações

Os valores usados pelo governo federal para comentar o repasse de verbas à instituição, levam em conta todas as despesas dela, inclusive as que não são obrigatórias por lei.

O MEC negou em nota que tenha havido corte no orçamento e diz que “a expansão das universidades federais ocorreu sem a devida mensuração sobre o impacto futuro” e que isso “fez com que grande parte dos recursos precisassem, por obrigação legal, serem aplicados em pessoal ativo e inativo. Portanto, não se pode considerar a verba das universidades sem levar em conta todo o conjunto entre folha de pagamento, custeio e investimento, e não é correto afirmar sobre cortes, uma vez que, se o recurso não precisasse ser aplicado em pessoal, iria para custeio e investimento.”

Por: Gabriel Malheiros