Sífilis congênita: uma doença que mata bebês antes e depois do nascimento Hoje é o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita

Compartilhe
Compartilhar no facebook
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no pinterest
Compartilhar no twitter

O terceiro sábado de outubro é destacado anualmente como o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita. Uma iniciativa importante para chamar a atenção dos brasileiros, principalmente das gestantes, dos futuros pais e das famílias. Afinal, a doença atinge um número cada vez maior de pessoas, interferindo na vida da criança no útero e após o nascimento.

De acordo com o dr. Geraldo Duarte, professor titular do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, a Sífilis é uma infecção causada pela bactéria Treponema pallidum que se manifesta em diferentes estágios. A contaminação se dá pelo ato sexual, transfusão de sangue, transplante de órgãos ou transmissão vertical (da mãe para o filho, durante a gestação, trabalho de parto ou amamentação), sendo esta última a mais perigosa para a criança.

Os sintomas maternos acontecem em três estágios. O primeiro, chamado de Sífilis recente, dura até um ano e suas manifestações clínicas se divide em primárias e secundárias. As primárias (primarismo sifilítico) são caracterizadas pela presença de úlceras no local de entrada da bactéria, as quais não ardem, não doem e não coçam. Já o secundarismo sifilítico compreende os sintomas pós-cicatrização das feridas iniciais, sendo marcado por lesões na pele, tais como manchas no corpo, pápulas e outras.

A segunda fase da Sífilis é chamado de Sífilis latente e começa quando os sintomas e sinais secundários da doença desaparecem, com ou sem tratamento. Aqui, a única forma de diagnóstico são os exames laboratoriais. Em um terceiro momento chama-se Sífilis tardia e surge tardiamente em que não se tratou. Pode levar de 30 a 40 anos para se manifestar, mas ocorre de forma grave e irreversível, com lesões cutâneas gomosas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas.

“As lesões que mais chamam a atenção são as localizadas nas mucosas e na pele, mas as mais graves são as neurológicas (paraplegia dos membros inferior e demência) e cardiovasculares (aneurisma da artéria aorta), que podem levar até à morte”, alerta o dr. Geraldo.

O tratamento depende de injeções intramusculares de penicilina benzatina. Contudo, a Sífilis não confere imunidade contra novas infecções, o que significa que, toda vez que o indivíduo é exposto ao Treponema pallidum, corre o risco de contaminar-se outra vez. “Não há vacina contra a doença, mas o tratamento é eficiente, se realizado com o medicamente correto, no momento e pelo período adequado”, reforça.

No caso de mulheres grávidas, a situação é ainda mais alarmante. Segundo o ginecologista, 40% das crianças cuja mãe é portadora da doença sem tratamento morrem ainda no útero. Outros 40% nascem com Sífilis congênita e apenas 20% vem à luz sem o estigma da doença. Os infectados podem desenvolver alterações ósseas, dentárias e até neurológicas (a chamada neurossífilis). Até os primeiros dois anos de vida, a Sífilis congênita tardia pode ser silenciosa, evidenciando-se após esse período e agravando-se ao longo do tempo.

Nesse contexto, o dr. Geraldo alerta: “A transmissão pelo sexo pode se dar por qualquer tipo de contato, seja genital, anal ou oral. Por isso, o ideal é ter uma conversa franca com o(a) parceiro(a) e nunca abrir mão do preservativo”.

Compartilhe
Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no pinterest
Pinterest
Compartilhar no twitter
Twitter

veja também

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.