De cadeira de rodas, o pequeno Heitor, de 5 anos, voou alto na Cidade do Rock. Pela primeira vez, o menino teve a oportunidade de poder realizar o sonho de experimentar a roda gigante, na terça-feira, quando os portões foram abertos para 15 mil convidados. Embalado pela emoção, o garoto não poupou a voz no brinquedo e entoou o hino do festival, o tema Rock in Rio. Por trás da alegria de Heitor, o trabalho do cadeirante Thiago Amaral, de 27 anos, para atender 2 mil pessoas com necessidades especiais no festival que atrai fãs de todas as idades.

Pequeno Heitor, de 5 anos, voou alto na Cidade do RockAlexandre Brum / Agência O Dia

“Sexta-feira (amanhã), vou estar aqui para assistir à Ivete Sangalo”, revelou Heitor, no ritmo empolgante do evento. Mãe do garotinho símbolo do futuro do rock, a professora Renata Lopes, de 39 anos, era pura euforia. “É a primeira vez dele”, comemorou com aquele brilho nos olhos capaz de deixar qualquer um emocionado.

A missão de ajudar é motivo de orgulho para Arthur Torres. “Temos um equipamento chamado robô de acesso, que acopla na cadeira de rodas e, aí, fica fácil ter acesso à roda gigante. Todos podem ter a melhor vista da festa”, explicou Torres.

A roda gigante é uma das principais atrações do Rock in Rio enquanto os shows não começam: agora, ela também é acessível a pessoas com necessidades especiaisDivulgação

Sonhar e viver

Thiago Amaral é o maior reforço por trás dessa política de acessibilidade total. Em 2011, ele sofreu acidente de carro. O veículo em que estava capotou quando ele voltava de uma competição de mountain bike. Thiago ficou tetraplégico. “Em 2013, eu participei do festival pela primeira vez. Já em 2015, identifiquei algumas dificuldades, enviei um e-mail e fui chamado para idealizar o projeto. Convidei o Heitor, ele acompanha a minha atuação no time de rúgbi. Assisti ao vídeo dele na roda gigante cantando o tema do Rock in Rio. Foi realmente demais”, afirmou.

O modelo de acessibilidade da edição de 2017 do Rock in Rio vai contar com o chamado Kit Livre. Ao todo, são 30 equipamentos que transformam as cadeiras de rodas em triciclos. Nove carrinhos de golfe também ficarão à disposição para o passeio pela Cidade do Rock. Haverá também quatro veículos adaptados para o transporte das pessoas com necessidades especiais.

A tenda de música eletrônica da Cidade do Rock: últimos retoquesDivulgação

Uma das atrações imperdíveis é a tirolesa adaptada, que conta com uma cadeira especial, com encosto alto e cinto de segurança de quatro pontos, subindo e descendo com muita segurança, graças às roldanas. O projeto de acessibilidade tem ainda espaço para cães-guia. Já os deficientes auditivos terão um lugar bem perto das caixas de som, podendo sentir assim as vibrações.

Quatro gerações estão prontas para curtir o festival juntas

São quatro gerações em família prontas para desfrutarem o melhor que o festival oferece. “Vou beber o meu chopinho e curtir com eles”, contou Terezinha Piazza, de 58 anos, mãe de Sabrina, 31, grávida de cinco meses, que apresentou a Cidade do Rock à filha Luísa, de 2 anos.

Sabrina, Leonardo, Adrielly e Terezinha: representantes de várias gerações prontos para curtir o festivalAlexandre Brum / Agência O Dia

Genro de Terezinha, Leonardo Eiterer, de 37 anos, está eufórico para o show do Guns N’ Roses. Para Adrielly, nora de Terezinha, a mudança de endereço do Parque dos Atletas para o Parque Olímpico foi acertada. “Há mais brinquedos. As crianças vão aproveitar”, avaliou. Na lista, montanha russa, salas de games e espaço para a garotada correr à vontade.

Via: ODIA