Após as inspeções prévias, técnicos dão dicas do que deve ser observado na hora da compra do pescado

Depois das inspeções prévias que passaram por 69 estabelecimentos conferindo as condições de higiene e a qualidade do bacalhau, frutos do mar, pescado em geral e chocolates, entre outros produtos procurados nesta época da Semana Santa, a Subsecretaria de Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses da Prefeitura do Rio iniciou nesta terça-feira, 16, as ações de orientação ao consumidor, reforçando com o comércio normas a serem seguidas. Uma equipe de 12 fiscais da Coordenação de Alimentos do órgão que é vinculado à Secretaria Municipal de Saúde percorreu os nove boxes do Mercado do Produtor da Barra da Tijuca alertando para os principais aspectos a serem observados na hora da compra do pescado fresco. Coordenadora de Alimentos da Vigilância, a médica-veterinária Aline Borges reforça dicas básicas que atestam a qualidade do produto e ajudam a prevenir os riscos à saúde da população.

– Os olhos têm que ocupar toda a órbita, com as guelras avermelhadas, as escamas com aderência e a textura firme. Outro fator é o ventre. Só compre peixes com o ventre íntegro, pois quando se rompe é um alerta de estágio avançado de alteração. Já o camarão tem que estar inteiro, não pode ser vendido descascado e sem cabeça, isso é proibido. Verifique se há manchas negras na cabeça e no corpo, o que é mais sinais de alteração. Para os moluscos bivalves, como mexilhão e vongole, as valvas devem estar cerradas. As abertas denunciam que o molusco morreu e tem alteração. Para a segurança, o ideal é comprar em locais de confiança e nunca levar produtos sem rotulagem, que contém a procedência, validade e outras informações fundamentais para evitar riscos – ensina Aline Borges.

Inspeções – Nas vistorias prévias iniciadas em 27 de março e que passaram por 69 estabelecimentos, os fiscais aplicaram 49 infrações (a maioria, por falta de higiene e armazenamento e comercialização inadequada) e descartaram 1.300 quilos de produtos, como brownie sem identificação, pescado com consistência e odor alterados, bacalhau com vermelhão e desfiado fora da refrigeração e alimentos expostos descongelados. Ao todo, foram emitidos 56 termos de intimação com os prazos e as exigências a serem cumpridas para a adequação dos serviços, como bancadas de exposição de alimentos, manutenção do sistema de climatização e reparos em rede elétrica e estruturas físicas. Um estabelecimento de venda de frios foi interditado no Centro e outros seis tiveram parte dos equipamentos e algumas áreas interditadas, notificados sobre as medidas que devem adotar para a desinterdição. As equipes conferiram ainda o pescado salgado seco na comercialização, com dicas para o consumidor identificar o que realmente é bacalhau.

– Nas inspeções de rotina atuamos com atenção voltada ao pescado, chocolates e, em especial, ao bacalhau, para minimizar os riscos à saúde do consumidor. E agora seguimos com as orientações para evitar a compra de gato por lebre – diz Aline.

A coordenadora de Alimentos ressalta que a qualidade do pescado depende, exclusivamente, da adoção de boas práticas em todas as etapas da produção: pesca, espécie do pescado, limpeza, método de salga, controle da temperatura e umidade durante o armazenamento, transporte, distribuição e ainda a avaliação constante das características normais do produto. Para tanto, a Vigilância do Rio vem priorizando as orientações aos comerciantes sobre a importância de observar e cumprir critérios definidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

– O comerciante deve seguir os protocolos dos órgãos reguladores e o consumidor tem que estar atento à higiene dos estabelecimentos e conferir o rótulo de cada produto, onde há informações importantíssimas, como procedência, validade e temperatura de armazenamento. Já a Vigilância, mais do que fiscalizar, atua na prevenção dos riscos à saúde pública. Para isso, ampliamos as orientações, triplicamos as capacitações e intensificamos as prévias em eventos diferenciados, como o Carnaval e a própria Semana Santa. Essa estratégia trouxe resultados muito positivos, e nos permitiu avançar na redução de riscos – comemora Márcia Rolim, subsecretária de Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses, recomendando à população que denuncie qualquer irregularidade ao 1746, Central de Atendimento da Prefeitura.

Como identificar o verdadeiro bacalhau 

O pescado salgado seco é elaborado com peixe limpo, eviscerado, com ou sem cabeça e tratado pelo sal (cloreto de sódio). Nestas características, existem cinco espécies comumente comercializados, mas apenas duas delas consideradas bacalhau: o gadus morhua (Cod) e o gadus macrocephalus. Veja como identificar.

Gadus morhua (Cod) – É o bacalhau do Atlântico Norte, também conhecido no Brasil como bacalhau do Porto ou Porto Morhua. Normalmente é feito do peixe maior, mais largo e com postas mais altas, apesentando coloração palha e uniforme, quando salgado e seco.

Gadus macrocephalus – É o bacalhau do Pacífico, conhecido como bacalhau Portinho ou Codinho. É muito semelhante ao primeiro, mas não se desmancha em lascas. É fibroso e não tem o mesmo paladar.

As demais espécies de pescado salgado seco são saithe, ling e zarbo.

Saithe – Tem musculatura mais escura e sabor mais forte.

Ling – É bem claro e mais estreito que os demais. Tem um bom corte e é muito apreciado no Brasil.

Zarbo – Mais popular e geralmente menor que as demais espécies, com lascas mais duras.