Queda da vacinação de poliomielite alerta para possibilidade do retorno da doença no país

Segundo dados do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações – SIPNI do DATASUS, o Brasil não atingiu nenhuma das metas de cobertura das vacinas infantis disponíveis pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) em 2020.
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Por Alessandro Marques


O último caso de poliomielite registrado em território brasileiro foi em 1989, na Paraíba. São mais de 30 anos sem um único registro, mas esta situação favorável corre o risco de mudar, visto a queda acentuada na cobertura vacinal.
De acordo com o panorama divulgado em maio deste ano, pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), com dados do Tabnet/Datasus, o número de vacinados contra a poliomielite caiu de 98,3%, em 2015, para arriscados 75,9% vacinados em 2020. O levantamento ainda evidencia que as taxas brasileiras de cobertura vacinal não superaram 80% no ano passado.

Segundo dados do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações – SIPNI do DATASUS, o Brasil não atingiu nenhuma das metas de cobertura das vacinas infantis disponíveis pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) em 2020. Apesar de gratuitas, seguras e eficazes, a imunização ficou em apenas 75,9% (o ideal são taxas sempre acima de 90%), no ano passado, acentuando uma queda que vinha desde 2015 e que abre as portas para que doenças já erradicadas do país ressuscitem.

A exemplo desta queda vacinal, em 2019, o Brasil perdeu o certificado de erradicação do sarampo após o retorno da doença, com 20.901 casos relatados naquele ano.

Petrópolis

Em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, a imunização seguiu o mesmo declínio nacional. Embora as vacinas estejam disponíveis gratuitamente nos postos de saúde do município, a aplicação da vacina se deu em menor número nos anos de 2020 e em 2021.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Petrópolis, os dados enviados ao Ministério da Saúde mostram que a imunização no município ficou em apenas 86,6% (3.393 vacinados) em 2020 e 74,11% (2.261 vacinados) neste ano de 2021.

A pólio

A poliomielite, também chamada de pólio ou paralisia infantil, é uma doença contagiosa aguda causada por um vírus que vive no intestino, chamado poliovírus, que pode infectar crianças e adultos por meio do contato direto com fezes ou com secreções eliminadas pela boca das pessoas infectadas e provocar ou não paralisia.

Embora ocorra com maior frequência em crianças menores de quatro anos, também pode ocorrer em adultos. O período de incubação da doença varia de dois a trinta dias sendo, em geral, de sete a doze dias. A maior parte das infecções apresenta poucos sintomas (forma subclínica) ou nenhum e estes são parecidos com os de outras doenças virais ou semelhantes às infecções respiratórias como gripe – febre e dor de garganta – ou infecções gastrintestinais como náusea, vômito, constipação (prisão de ventre), dor abdominal e, raramente, diarreia.

Cerca de 1% dos infectados pelo vírus pode desenvolver a forma paralítica da doença, que pode causar sequelas permanentes, insuficiência respiratória e, em alguns casos, levar à morte.

Em geral, a paralisia se manifesta nos membros inferiores de forma assimétrica, ou seja, ocorre apenas em um dos membros. As principais características são a perda da força muscular e dos reflexos, com manutenção da sensibilidade no membro atingido.

Transmissão

Uma pessoa pode transmitir diretamente para a outra. A transmissão do vírus da poliomielite se dá através da boca, com material contaminado com fezes (contato fecal-oral), o que é crítico quando as condições sanitárias e de higiene são inadequadas.

Crianças mais novas, que ainda não adquiriram completamente hábitos de higiene, correm maior risco de contrair a doença.

O Poliovírus também pode ser disseminado por contaminação da água e de alimentos por fezes. A doença também pode ser transmitida pela forma oral-oral, através de gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar. O vírus se multiplica, inicialmente, nos locais por onde ele entra no organismo (boca, garganta e intestinos). Em seguida, vai para a corrente sanguínea e pode chegar até o sistema nervoso, dependendo da pessoa infectada. Desenvolvendo ou não sintomas, o indivíduo infectado elimina o vírus nas fezes, que pode ser adquirido por outras pessoas por via oral. A transmissão ocorre com mais frequência a partir de indivíduos sem sintomas.

Prevenção

A poliomielite não tem tratamento específico. A doença deve ser evitada tanto através da vacinação contra poliomielite como de medidas preventivas contra doenças transmitidas por contaminação fecal de água e alimentos. As más condições habitacionais, a higiene pessoal precária e o elevado número de crianças numa mesma habitação também são fatores que favorecem a transmissão da poliomielite. Logo, programas de saneamento básico são essenciais para a prevenção da doença.

No Brasil, a vacina é dada rotineiramente nos postos da rede municipal de saúde e durante as campanhas nacionais de vacinação.

A imunização contra a poliomielite deve ser iniciada a partir dos 2 meses de vida, com mais duas doses aos 4 e 6 meses, além dos reforços entre 15 e 18 meses e aos 5 anos de idade.

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