Qual é a real importância dos estaduais? Veja porque estão sendo esquecidos

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Enquanto os “grandes” se desgastam, os “pequenos” valorizam

Há aproximadamente 30 anos atrás, os campeonatos estaduais eram tão valorizados pelos grandes clubes brasileiros, que alguns jogavam a tão sonhada Libertadores com times reservas – pode acreditar! Na época era comum que as equipes com menor expressão chegassem ao topo, como o Bangu AC da década de 60 e 70. Isso fazia com que a disputa interna fosse grande para decidir qual era o melhor em campo. Além disso os regionais davam acesso ao Campeonato Brasileiro e a Copa Rio-São Paulo, que não eram maiores e sim, vislumbrados pelos times da época.

Antigamente o que valia mais para os clubes era a bilheteria e os estaduais conseguiam suprir essa demanda, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Mas com grandes mudanças midiáticas, hoje dois dos principais fatores para o clube sobreviver financeiramente são os direitos televisivos e a cota de patrocinadores. Isso fortifica o “grande” e enfraquece o “menor”. Essa afirmação vale tanto para as competições quanto para os clubes.

Muita coisa mudou… O futebol está globalizado e diversos interesses surgem à tona. Como por exemplo o modelo de disputa que naturalmente vai se encaixar no mercado futebolístico brasileiro, que é o da Europa, por conta de como as coisas são organizadas no velho continente. É legal que o Brasil avance nesse sentido. O Brasil precisa avançar nesse aspecto.

Enquanto os principais times do país ficam com o calendário apertado (e longo) por conta dos estaduais, os clubes “menores” o valorizam, haja vista que é a principal disputa destes nas temporadas em que estão na ativa. Ganhar o regional não tendo expressão, cheio de conta para pagar, quem não quer? Aliás é a grande chance dos jogadores que estão nesses times, porque ao desempenhar um bom trabalho, os “maiores” podem vê-los. E mais que isso: abrir oportunidades para esses talentos.

Portanto a reclamação das datas está na ‘ponta da língua’ de grande parte dos treinadores dos clubes da 1ª divisão do Campeonato Brasileiro, devido ao fato do calendário não ser apropriado (em comparação com a Europa). Mas… Parando para pensar melhor sobre o assunto – pode ser que eles tenham razão.

Por um lado o clube brasileiro que normalmente briga por títulos em todos os anos chega a uma margem de 80 jogos por temporada, ressaltando que o calendário brasileiro não respeita a “data FIFA” (quando tem amistosos entre seleções ou competições organizadas pela entidade), enquanto que os clubes fortes da Europa tem uma média de 50 a 60 jogos por ano – sim. 20 jogos faz muita diferença! Esse número afeta desde o rendimento dos atletas até o planejamento anual dos times.

Gabriel, mas e o estadual? Qual é a relevância dele nesse aspecto?

Os campeonatos regionais são de suma importância para os clubes que não podem vislumbrar algo maior durante o ano. Quando se crítica o modelo do futebol brasileiro, os regionais não valem nada (já valeram), a não ser na mesa redonda entre amigos onde o que vale é a zoação. Mas dentro de campo, os regionais são ultrapassados – e isso já foi comprovado (basta olhar o Campeonato Carioca e o Campeonato Gaúcho).

Para ficar mais claro: O dinheiro move o mundo e não é diferente com o Futebol. Os dois campeonatos citados acima pagam aos vencedores uma quantia equivalente a R$ 5 milhões. Em contrapartida a Copa do Brasil, Taça Libertadores e Campeonato Brasileiro, pagam mais que o dobro (bem mais). Tais valores que chegam perto dos R$ 50 milhões, podendo passar se o time for campeão em mais de uma competição das três citadas anteriormente.

Muito se discute o modelo das ligas europeias, por serem modernas, disputadas e estarem reunindo os melhores do mundo, como a Liga dos Campeões. No Brasil até que tentaram alguma coisa nesse contexto, mas a verdade é que a Primeira Liga, seja lá como for, foi um fiasco e tanto.

O futebol brasileiro já está em processo de evolução (isso é fato). Ainda que devagar, os clubes brasileiros a médio e longo prazo vão poder desfrutar de algumas ferramentas que os europeus se adaptaram. Ferramentas essas que vão desde a gestão, passando pelo modelo adequado de temporada e no final o resultado chega dentro das quatro linhas.

E a importância dos estaduais Gabriel? 

Não. Eles não são importantes tampouco valiosos para os “grandes”. Vale para os torcedores, porém para o clube mesmo, não tem nada de animador ganhar ou perder o estadual. Mas tenha certeza que a torcida ficará no pé, pois foi criada uma ideia de tradicionalismo quando a disputa era realmente acirrada, onde o “grande” não pode perder o Campeonato A, B ou C.

Na concepção de alguns comentaristas do mercado jornalístico esportivo, estes campeonatos poderiam ser revisados e focados para aqueles que não tem um ano recheado de competições, como é o caso de clubes tradicionais como o América-RJ, Bangu e Madureira.

Apesar de não valerem nada, eles são importantes para os clubes “menores” e muito mais para os jogadores que estão nesses times. É claro que com uma adaptação estes times seriam favorecidos em disputas no modelo de liga, mas enquanto isso não chega ao Brasil todo mundo sofre com a baixa dos estaduais. Seja ela na arquibancada ou no campo. Na mídia não precisa nem comentar, basta ligar a TV ou o Rádio.

Foi-se o tempo que os estaduais eram os atrativos das torcidas locais, atualmente eles só servem para encher grade, calendário e espaço na temporada. Isso não quer dizer algo negativo. Tudo é para melhorar e o futebol brasileiro vai voltar a ser gigante (por natureza).  

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