O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, afirmou que a desestatização da Eletrobras é a solução para que o setor elétrico brasileiro volte a ser competitivo. Ele participou na manhã desta terça-feira (27) do Diálogo Público Privatização Eletrobras, realizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). “A privatização da Eletrobras é fundamental para que a gente possa ter no futuro uma visão de que o setor vai crescer, vai se desenvolver e gerar novos negócios para o Brasil”, afirmou Andrade.

Participando de um painel de debate moderado pelo ministro do TCU Aroldo Cedraz, ao lado do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, e do deputado federal José Carlos Aleluia, relator do projeto de privatização da estatal, o presidente da CNI defendeu velocidade na tramitação do tema no Poder Legislativo. “Precisamos ter rapidez e agilidade para aprovar esse projeto o mais rápido possível para que seja colocado em execução ainda este ano. Não podemos deixar para o próximo governo ou para o futuro”, frisou.

Um dos grandes obstáculos para o setor produtivo no país, segundo o presidente da CNI, é o elevado custo das tarifas de energia – metade do valor se refere à carga tributária. “A energia elétrica deixou de ser uma vantagem e virou hoje uma desvantagem competitiva para o Brasil. Hoje, o custo da tarifa de energia é muito elevado. Quase 50% é composto por encargos”, observou.

INVESTIMENTOS – Robson Andrade pontuou que o setor industrial, que exerce um protagonismo no setor elétrico por uma série de fatores, espera com a privatização da Eletrobras uma redução nas tarifas de energia. “A indústria está no centro da questão da discussão e sempre esteve, seja pelo custo da energia que impacta nos produtos industriais seja pelo risco da falta dela ou ainda pelo impacto que sofremos pela falta de investimento no setor elétrico”, destacou.

O presidente da CNI acrescentou que o setor elétrico no Brasil está completamente atrasado em razão da falta de investimentos e de capacidade de investir em pesquisa e inovação. Andrade aproveitou para manifestar apoio às pretensões do governo federal de destinar parte dos recursos que venham a ser arrecadados com a desestatização da Eletrobras – estimativa de R$ 12 bilhões – para investimentos na revitalização do Rio São Francisco.

AÇÕES – De acordo com Fernando Coelho Filho e com o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, após a privatização o poder público deve manter algo entre 40% e 50% das ações da Eletrobras e nenhuma empresa poderá deter mais de 10% das ações. A ideia é formar uma corporação que administre a companhia. “Se a Eletrobras não for privatizada, o Brasil terá que investir mais R$ 4 bilhões a R$ 6 bilhões por ano na empresa”, disse Coelho.

Dyogo Oliveira, por sua vez, ressaltou a importância da desestatização para a economia e inovação. “A privatização da Eletrobras vai além do ponto de vista fiscal. A grande relevância no projeto é a possibilidade de criarmos no Brasil uma empresa de classe mundial com capacidade de inovar, desenvolver tecnologia e representar o Brasil internacionalmente”, afirmou.

Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI)