O antigo prédio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Rua Visconde de Niterói, na Mangueira, Zona Norte do Rio, foi implodido às 7h05 deste domingo. O imóvel dará lugar a um condomínio do programa Minha Casa Minha Vida. Foram usados 150 quilos de explosivos para implodir edifício. A implosão envolveu equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal, CET-Rio, Centro de Operações (COR), Assistência Social e Comlurb, além de efetivos da Polícia Militar.

As ruas no entorno foram isoladas por volta das 6h25. Muitos curiosos se reuniram nas proximidades para assistir à implosão. O prefeito Marcelo Crivella acompanhou a ação. Os escombros devem ser removidos em até 30 dias e as obras para a construção do condomínio Minha Casa Minha Vida devem começar logo em seguida.

“Mais uma etapa concluída. Deve ser ressaltado que hoje, dia 13 de maio, não é apenas o Dia das Mães. É também o dia da libertação dos escravos. E hoje caiu uma senzala. Talvez uma das últimas a cair no Rio de Janeiro. Caiu a senzala da Mangueira. Ali, há 25 anos, moravam muitos ‘escravos’. Não tem outra denominação. Aquela população vivendo em escombros, com seus filhos, sem água, sem luz. Ali virá um grande Minha Casa Minha Vida. Sala, cozinha, dois quartos, área, área de lazer…”, disse o prefeito.

Segundo a prefeitura, as 210 famílias que viviam no edifício foram cadastradas e, enquanto aguardam pela casa própria, receberão aluguel social, no valor de R$ 400 mensais. Os apartamentos serão destinados a famílias com renda de até R$ 1.800 mensais. A Caixa Econômica Federal é responsável por escolher as empresas que farão a obra. O tempo de construção será de cerca de um ano e meio.

O edifício, que pertencia ao governo federal e foi cedido à Prefeitura, corria risco de incêndio e de desabamento por ruína, segundo avaliações de técnicos da Subsecretaria de Habitação e laudos da Defesa Civil Municipal.

Os moradores subdividiam os espaços e improvisavam moradia em área que não era residencial, onde removeram vigas, paredes e até colunas para adaptar cômodos. O fornecimento de energia nos andares se dava por meio de ligações clandestinas, o que gerava risco de curto circuito. A água era coletada de canos da Cedae do solo por meio de mangueiras, latas e baldes. Havia também um chuveiro público onde os ocupantes do imóvel tomavam banho em uma área coletiva compartilhada no primeiro andar.

Mudanças no trânsito

Para o trabalho de derrubada do imóvel, o viaduto da Mangueira e as ruas Visconde de Niterói e Ana Neri foram interditados entre 6h e 8h. Trem e metrô tiveram serviços suspensos na hora da detonação. Moradores do entorno sairam de suas casas às 6h e seguiram uma série de recomendações da prefeitura para evitar riscos.

Invadido há mais de 20 anos, o prédio do IBGE abrigou cerca de 300 famílias em condições precárias e, agora, dará lugar à construção do conjunto habitacional do programa Minha Casa Minha Vida. Mesmo com todo esquema de segurança para implosão, vizinhos ao prédio são mais de 20 imóveis no entorno temem problemas estruturais em suas casas. De acordo com moradores, representantes da prefeitura fotografaram os imóveis para registro de possíveis danos causados pela demolição.

Fonte: ODIA