Os pontos de apoio são uma ferramenta de prevenção fundamental para evitar perdas de vida relacionadas às chuvas em Petrópolis. Por conta disso, a Secretaria Defesa Civil e Ações Voluntárias garante que todos os 15 locais cadastrados na prefeitura em 12 comunidades que contam com os conjuntos de sirenes sejam abertos em caso de necessidade. Em cada um deles são três responsáveis pelo serviço, que passaram por um treinamento e orientação da Defesa Civil, além de um agente operacional que acompanha a abertura dos espaços, que já salvaram a vida de moradores de áreas de risco.

O diretor da Escola Municipal Papa João Paulo II, Paulo Almeida, acompanhou de perto a tragédia de 2013 e sabe a importância dos locais para o município, e principalmente, para os moradores que vivem em área de risco. Mais de 200 pessoas estiveram abrigadas no ponto de apoio do São Sebastião após as fortes chuvas no bairro naquele ano.

“Poderia ter sido muito pior. Logo abrimos a escola, que funciona como ponto de apoio do bairro, e cadastramos mais de 200 pessoas daquela vez. Depois, com o passar do tempo, o local acabou se tornando um abrigo para toda aquela gente. Porém, o mais importante foi que abrimos o ponto de apoio e muita gente se sentiu mais segura lá”, explica Paulo, lembrando também que a prefeitura promoveu um simulado de mobilização da comunidade no ano passado no ponto de apoio do bairro reforçando a orientação aos moradores.

“Esse tipo de ação de prevenção é importante para sabermos quais medidas vamos tomar em caso de chuva forte. Além da Defesa Civil, participaram os Bombeiros, o Samu, a Guarda Civil, ou seja, todos aqueles que dão todo o suporte para a comunidade nestes momentos”, completou.

Os pontos de apoio são abertos no momento em que as sirenes do Sistema de Alerta e Alarme tocam. O acionamento dos equipamentos é feito por técnicos da Defesa Civil, que acompanham o acumulado de chuva no solo. Para que todas as ferramentas estivessem funcionando durante o verão, a manutenção dos equipamentos é frequente e a prefeitura promoveu no ano passado 16 testes de acionamento das sirenes – sendo 10 diurnos e seis noturnos – para que os moradores estejam preparados e orientados. O trabalho é realizado mensalmente no dia 10, às 10h, e no dia 20, às 20h, fora do período de verão.

“O teste noturno foi uma novidade implementada no ano passado, já que a chuva não escolhe a hora para cair. As sirenes são a melhor ferramenta de prevenção que o município possui”, garante o secretário de Defesa Civil, coronel Paulo Renato Vaz. Nas fortes chuvas deste mês na cidade nenhum morador compareceu aos oito pontos de apoio que foram abertos: Independência, Quitandinha – Espírito Santo, Ceará e Amazonas – Dr. Thouzet, Alto da Serra, Vila Felipe e Sargento Boening. “É fundamental que as pessoas sigam as orientações e saiam de casa quando as sirenes forem acionadas”, frisa.

Com 234 áreas de risco alto ou muito alto – equivalente a 18% do município – e um déficit habitacional de 12 mil casas, o município considera fundamental investir na prevenção aos desastres naturais. Por isso, a prefeitura lançou o Plano Verão 2018, com a participação de 216 pessoas de 42 instituições diferentes, garantindo a organização dos recursos e maquinários para o pronto atendimento à população.

Além disso, em dezembro do ano passado, a prefeitura colocou em funcionamento as sirenes na Estrada do Gentio e no Buraco do Sapo, no Vale do Cuiabá. Os equipamentos foram instalados em 2016, mas com crise financeira do Estado, elas nunca haviam funcionado na cidade. Graças a uma parceria público-privada por meio da empresa que faz a manutenção dos outros 18 conjuntos no município, as duas localidades que foram atingidas pelas chuvas de 2011 já estão monitoradas pela Defesa Civil.

“Lutamos muito para que as sirenes chegassem ao nosso bairro. Dessa maneira, vamos ajudar ainda mais a Defesa Civil, acompanhando a altura do leito do rio e avisando sobre os riscos daqui”, conta Ana Maria Oliveira, responsável pelo ponto de apoio do Gentio, que fica na Escola Municipal Dr. Paula Buarque.

Com os novos equipamentos, Petrópolis passou a contar com 20 conjuntos de sirenes do Sistema de Alerta e Alarme: Gentio, Vale do Cuiabá, 24 de Maio, Alto da Serra, Bingen, Dr. Thouzet, Independência, Quitandinha, São Sebastião, Sargento Boening, Siméria e Vila Felipe.

Índices de chuva no município estão muito altos

O reforço na orientação aos moradores e necessidade de especial atenção por parte das famílias que vivem em áreas de risco se dá em função da quantidade de chuva nas duas primeiras semanas de março – 189% maior em algumas regiões da cidade em relação ao mesmo período do ano passado. Os índices mostram que em locais como o São Sebastião o acumulado chega a 233 milímetros contra 44mm no mesmo período de 2017. No Independência, local em que no sábado passado choveu 122 milímetros, o índice está 128% maior que no mesmo período do ano passado. Por conta do grande acumulado dos últimos dias, a prefeitura está reforçando junto às comunidades a importância de os moradores de áreas de risco saírem de casa em caso de chuva forte – pontos de apoio, escolas e igrejas estão disponíveis neste caso.

Os índices de chuva estão mais altos desde janeiro em comparação com o ano passado. Por conta disso, a Defesa Civil distribuiu mais de 10 mil cartilhas prevenção aos desastres naturais e fixou 200 cartazes do programa SOS Chuvas nas comunidades da cidade nos dois primeiros meses de 2018. O trabalho preventivo serve também para orientar a população sobre como agir no momento das fortes chuvas, além de reforçar a importância das sirenes do Sistema de Alerta e Alarme.

“Existe um protocolo que os técnicos da Defesa Civil seguem para fazer o acionamento das sirenes. Quando o equipamento toca, significa que o acumulado de chuva está muito alto e que podem acontecer deslizamentos de terra naquela área. Ou seja, para preservar sua vida, o morador precisa ir para o ponto de apoio do seu bairro”, reafirma o secretário Paulo Renato Vaz.