A espera por um leito de clínica médica, de Centro Cirúrgico e de Centro de Tratamento Intensivo (CTI) é grande em Petrópolis e segundo o apurado pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) varia diariamente nas unidades municipais e estaduais de Saúde. Em vistoria a seis delas na última quinta-feira (19), a instituição verificou com os pacientes que naquele momento a média geral para a transferência era de até seis dias e identificou casos como o de uma idosa de 79 anos, com anemia, atendida na Emergência do Hospital Municipal Alcides Carneiro (HAC). Após aguardar por um leito de clínica médica durante esse período, ela teve o estado de saúde agravado e passou a precisar de um leito de UTI.

Foram situações como essas, aliadas à superlotação nas unidades e aos demais problemas observados na vistoria, que levaram a Defensoria a adotar uma série de medidas para a garantia dos direitos de cidadãs e cidadãos, como o ajuizamento de quatro ações individuais, sendo uma delas para a idosa, a fim de garantir imediatamente as transferências.

Também será enviada uma recomendação ao Município de Petrópolis requerendo a contratação de leitos de clínica médica e de centro cirúrgico, em hospitais particulares, até que a rede pública de saúde disponha de vagas suficientes para atender toda a demanda. Sobre os leitos de UTI, a DPRJ já havia enviado recomendação para a adoção da mesma medida e, no momento, aguarda resposta da prefeitura.

Além disso, uma recomendação está sendo preparada pela instituição para que as evoluções clínicas dos pacientes sejam passadas para a Central de Regulação de Leitos, pelas unidades de Saúde, no tempo adequado. Segundo o apurado pela Defensoria na segunda-feira (23), a última atualização havia sido enviada na sexta-feira (20) e isso prejudica principalmente a rotatividade dos leitos.

– Um dos fatores que levou ao aumento da demanda nas unidades de Saúde foi a migração de clientes dos planos particulares para a rede pública. Também influenciam no atendimento a crise em andamento no Estado, e a procura de pacientes de outras cidades pelos serviços prestados na rede pública local, por exemplo – destaca a defensora pública Andréa Carius de Sá.

Ainda no dia da vistoria foram identificados casos como o de uma senhora de 80 anos, acomodada em uma poltrona na Emergência do Hospital Municipal Alcides Carneiro (HAC), que estava no aguardo da transferência para leito de clínica médica desde às 18h do dia anterior. Já na UPA do Centro foi constatada a falta de alguns medicamentos e de insumos, mas os itens foram providenciados pelo Poder Público no dia seguinte à visita.

Vistorias aconteceram em seis unidades
Outras medidas também serão adotadas em decorrência do que foi apurado na vistoria, realizada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas do Centro, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas de Cascatinha, no Hospital Municipal Nelson de Sá Earp, no Pronto Socorro Leonidas Sampaio; no Departamento de Doenças Infecto-Parasitárias (DIP) e no Hospital Municipal Alcides Carneiro (HAC).

Entre elas, o envio de recomendação para que sejam contratados mais médicos para o atendimento de urgência no Alcides Carneiro; o envio de recomendação para que sejam imediatamente fornecidos medicamentos, pelo Departamento de Doenças Infecto-Parasitárias (DIP), aos 45 pacientes com hepatite C que estão sem o remédio desde janeiro; e o envio de ofício à Defensoria Pública de Itaipava informando sobre a situação observada na área da Saúde de Petrópolis e sugerindo o envio de recomendação para que seja antecipada a abertura de um centro de atendimento à população local, inicialmente prevista para dezembro.

Fonte: Defensoria RJ

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