Gel asnase – Foto cedida pela pesquisadora

Pesquisadores brasileiros criam enzima menos agressiva para tratar leucemia

O grupo então reformulou a composição da enzima e criou uma versão da asparaginase que não agride tanto o sistema imune de pacientes com a doença.

Um grupo de cientistas e pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), da Universidade de São Paulo (USP), conseguiu desenvolver uma enzima menos agressiva que fará muita diferença para os pacientes com leucemia linfoide aguda (LLA).

A enzima asparaginase, já é a base para os medicamentos que tratam a LLA. No entanto, ela causa alguns efeitos colaterais, bem agressivos, deixando o paciente bastante debilitado.

O grupo então reformulou a composição da enzima e criou uma versão da asparaginase que não agride tanto o sistema imune de pacientes com a doença. O estudo foi publicado na revista Science Direct.

Para a professora Gisele Monteiro, do Departamento de Tecnologia Bioquímico-Farmacêutica da FCF, essa nova versão da asparaginase fará muita diferença nos tratamentos a partir de agora.

Ela explica que, apesar de eficientes, os medicamentos para o tratamento da LLA podem causar efeitos que irritam o sistema imune. “Em alguns casos, podem provocar choque anafilático ou necessitar a interrupção do seu uso no tratamento”, ressalta.

Com a nova enzima, o tratamento é facilitado, principalmente em pacientes mais jovens.

Além de ajudar no tratamento, Gisele lembra que a nova enzima também permitirá a fabricação de medicamentos mais baratos e, consequentemente, mais acessíveis para a grande população.

Hoje, segundo dados da USP, o tratamento contra LLA é eficaz em 90% dos casos, mas a taxa de abandono – muitas vezes pela falta de medicamento no SUS – compromete a cura e pode levar o paciente ao óbito.

Gisele conta que somente no Brasil, temos cerca de 10 mil casos de abandono de tratamento por ano.

A iniciativa coordenada pela professora Gisele envolveu pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP. O início foi em 2014 e a publicação no ano passado.

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