FABIO HEIZENREDER / Exame

Pesquisa revela áreas com estágios mais bem pagos do Brasil

O levantamento contou com a participação de mais de 60 mil estudantes de todo o país
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O levantamento contou com a participação de mais de 60 mil estudantes de todo o país

Engenharia ou Ciências Atuariais? Relações Públicas ou Economia? Qual o curso com os estagiários mais bem pagos? As dez áreas com maior remuneração? A fim de levantar os valores oferecidos, o Nube – Núcleo Brasileiro de Estágios promoveu a ‘Pesquisa Nacional de Bolsa-Auxílio 2018’. Realizada desde 2008, o atual resultado apontou a média geral em R$ 968,18, ou seja, 3,4% menor comparado a 2017, quando o índice era de R$ 1.002,79. O cenário demonstra os efeitos da recessão.

O estudo ocorreu de janeiro a dezembro de 2018, com 62.468 participantes de 16 a 71 anos, em todo o país. O levantamento revelou um montante de R$ 1.095,89 para quem está no nível superior, queda de 2,65% em relação ao ano passado. Para os tecnólogos houve um declínio de 0,83% nos pagamentos, ficando em R$ 1.003,23. O ensino médio técnico ficou quase estável, com um leve recuo de 0,05%, ficando em R$ 767,90. Já para quem está no nível médio, uma boa notícia: o valor é de R$ 631,10, crescimento de 1,72%.

Na visão do presidente do Nube, Carlos Henrique Mencaci, o quadro é consequência da crise econômica, a qual se traduz atualmente em 12,7 milhões de desempregados, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. “A situação financeira do país também impactou o mercado de estágios. Muitas companhias fecharam vagas, dispensaram colaboradores ou diminuíram as remunerações para enxugar o orçamento”, explica.

Quando a análise é feita por gênero, a quantia para os homens é maior, de R$ 1,022,54. Para as mulheres, o valor ficou em R$ 924,83. “Essa diferença é chamativa. Contudo, quando falamos de estágio, isso é explicado pela presença massiva dos rapazes em carreiras exatas, como Economia. Já as moças optam mais pelo campo de humanas, o qual possui pagamento inferior, na maioria das vezes”, sintetiza Mencaci. Ao se observar um curso específico, não há esse tipo de divergência entre as bolsas-auxílio oferecidas. Na região Norte, por exemplo, as estagiárias são mais bem pagas, recebendo em média R$ 797,19, enquanto eles recebem R$ 734,70.

Na segmentação por idade, os estudantes entre 24 a 29 anos apresentaram a melhor média, chegando a R$ 1.117,70. Já os alunos entre 16 e 18 anos recebem R$ 654,28. Muitas empresas aumentam a bolsa dos estagiários dependendo do período do curso. Assim, no primeiro ano é menor e vai evoluindo conforme o discente avança na formação. “Porém, independentemente de idade, os recrutadores buscam candidatos capacitados e dispostos a se desenvolverem no ambiente corporativo. Por isso, o estágio é o passo fundamental para aumentar os conhecimentos e constituir uma carreira de sucesso”, orienta o presidente.

A região com melhores remunerações é a Sul, com R$ 1.022,35. Logo em seguida ficou a Centro Oeste, com a quantia de R$ 1.010,13. Em terceiro lugar vem a Sudeste, com R$ 969,31. As localizações Nordeste e Norte apresentaram R$ 908,10 e R$ 760,80, respectivamente. 

Uma curiosidade sobre a pesquisa é a permanência dos cursos de Engenharia, Economia e Química no ranking desde 2008. Relações Internacionais só não figurou entre os dez mais bem pagos em 2014. Uma carreira nova, Ciência e Tecnologia, estreou em 2013 e permanece até hoje. Já no nível Superior Tecnólogo, inserido no estudo a partir de 2009, destaca-se Sistemas de Informação, pois nunca saiu do Top 10. Secretariado e Comércio Exterior aparecem desde 2010 e Redes de Computadores só ficou de fora em 2011. Já Banco de Dados está na liderança há três anos.

Enquanto isso, no Médio Técnico, Segurança do Trabalho, Química, Mecatrônica e Mecânica estão firmes desde 2008. Já Eletroeletrônica entrou em 2012 e se mantém desde então. Automação tem os melhores valores pagos aos estagiários desde 2015. Contudo, quem mais ficou no topo do pódio foi Segurança do Trabalho, quatro vezes desde 2008.

Veja a listagem com os dez cursos mais bem pagos:

Superior: R$ 1.095,89

1º    Ciências Atuariais – R$ 1.703,16

2º     Ciências Econômicas – R$ 1.613,14

3º    Ciência e  Tecnologia – R$ 1.522,94

4º     Agronomia – R$ 1.469,03

5º     Ciências e Humanidades – R$ 1.448,67

6º     Engenharia (todas) – R$ 1.348,43

7º     Relações Internacionais – R$ 1.319,60

8º     Química – R$ 1.277,24

9º     Relações Públicas – R$ 1.231,22

10º     Marketing – R$ 1.224,10

Superior Tecnólogo: R$ 1.003,23

1º     Tecnologia em Banco de Dados – R$ 1.228,51

2º     Tecnologia em Análise e Desenv. Sistemas – R$ 1.150,36

3º     Tecnologia da Construção Civil – R$ 1.144,06

4º     Tecnologia em Automação Industrial – R$ 1.132,02

5º     Tecnologia em Comércio Exterior – R$ 1.111,05

6º     Tecnologia em Secretariado – R$ 1.102,81

7º     Tecnologia em Gestão da Qualidade – R$ 1.100,12

8º     Tecnologia da Informação – R$ 1.037,57

9º     Tecnologia em Redes de Computadores – R$ 1.036,48

10º   Tecnologia em Produção Audiovisual – R$ 1.030,72

Médio Técnico: R$ 770,55  

1º     Técnico em Segurança do Trabalho – R$ 905,56

2º     Técnico em Automação Industrial – R$ 897,11

3º     Técnico em Química – R$ 873,43

4º     Técnico em Edificações – R$ 865,63

5º     Técnico em Mecânica – R$ 855,85

6º     Técnico em Eletromecânica – R$ 836,28

7º     Técnico em Eletroeletrônica – R$ 835,37

8º     Técnico em Mecatrônica – R$ 811,55

9º     Técnico em Eletrotécnica – R$ 801,28

10º   Técnico em Logística – R$ 790,01

Ensino Médio: R$ 632,38

Após quatro anos consecutivos em primeiro lugar, Agronomia não ocupa mais a posição, a qual agora pertence às Ciências Atuariais. Segundo Mencaci, as transições políticas e econômicas deram espaço ao ramo. “Com as discussões causadas pela Reforma da Previdência, mais pessoas se atentaram para as questões de seguro, pensões e aposentadoria, por exemplo. Qualquer cálculo de riscos feito em uma seguradora é função do atuário. Isso se aplica desde planos de saúde a pesquisas estatísticas”, explica. Logo, a área ganha destaque e valorização no mundo corporativo.

Em relação às instituições, o presidente destaca os benefícios do investimento nos jovens. “A lei 11.788/2008 garante para as empresas a isenção de encargos previstos na CLT. Além disso, a possibilidade de contar com um talento cheio de energia para desempenhar um bom papel motiva diversos setores a contratarem estagiários”, afirma. A dica é oferecer uma contraprestação competitiva e compatível com a mensalidade da faculdade do aluno. Afinal, muitos utilizam o montante para custear os estudos.

Certamente o dinheiro é relevante, mas para quem ainda está indeciso sobre a carreira, a recomendação é apostar em testes vocacionais. Afinal, as demandas do mercado mudam e seus sonhos permanecem. “Uma escolha pensada considerando seus gostos, habilidades e desejos pode trazer satisfação pessoal e profissional por mais tempo”, finaliza Mencaci.

Serviço: Pesquisa Nacional de Bolsa-Auxílio 2018

Fonte: Carlos Henrique Mencaci, presidente do Nube

Sobre o Nube

Desde 1998 no mercado, o Nube oferece vagas de estágio e aprendizagem em todo o país. Possui mais de 10 mil empresas clientes, 14 mil instituições de ensino conveniadas no Brasil e já colocou mais de 890 mil pessoas no mercado de trabalho. Também administra toda a parte legal e realiza o acompanhamento do estagiário e aprendiz por meio de relatórios de atividades.

Anualmente, são realizadas 11 milhões de ligações, enviados 3,2 milhões de SMS e encaminhados 750 mil candidatos. O banco de dados conta com 4,5 milhões de jovens cadastrados e todos podem concorrer às milhares de oportunidades oferecidas mensalmente. Para facilitar a vida dos cadastrados, foi desenvolvido um aplicativo disponível na Apple Store e Play Store.

O Nube também está presente nas principais redes sociais: Facebook, Instagram, Twitter, Linkedin, Vimeo e Youtube. Com a TV Nube, oferece conteúdos voltados à empregabilidade, dicas de processos seletivos, currículos, formação profissional, entre outros. O cadastro é gratuito e pode ser feito no site www.nube.com.br.

Crédito da foto: FABIO HEIZENREDER / Exame

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