A FIRJAN iniciou nesta segunda-feira (06/03) a série Retratos Regionais – Cenário Econômico, com palestras online sobre economia do estado do Rio. Na primeira transmissão ao vivo, especialistas da Federação analisam dados exclusivos sobre o município de Petrópolis, além dos cenários econômicos internacional, do Brasil e do Estado do Rio. A pesquisa mostra que os empresários esperam uma melhora na atividade econômica para 2018.

Com quase 300 mil habitantes, e um PIB estimado em mais de R$ 11 bilhões em 2015, Petrópolis se destaca pelo número de micro e pequenas. Com isso, a participação da região no total do estado em número de estabelecimentos (2,6%) é superior a representatividade em termos de empregados (1,7%), o que reflete na arrecadação (apenas 1% do total do Estado, em ICMS e ISS). A área do município (796 Km²) impõe limitações para a construção de distritos industriais e expansão da atividade produtiva devido a geografia montanhosa da região.

Quanto à atividade econômica, a Sondagem Industrial da FIRJAN aponta que, em dezembro, as empresas de Petrópolis produziram menos do que pretendiam e as indústrias atenderem às demandas com os produtos em estoque. Neste cenário, a indústria do município continuou operando abaixo da média, com 57% da capacidade instalada, o que justifica a queda no número de empregados.

Diante da fraca atividade econômica na região no ano passado, houve queda de 70% das importações, entre 2016 e 2017. Além disso, nesse cenário, foram extintas -1.676 vagas de trabalho na região, em 2017. Apenas o setor da Construção fechou mais de 700 postos de trabalho. Esse foi o terceiro ano consecutivo com extinção de vagas de emprego. Nesse período (2015 a 2017), Petrópolis fechou 5 mil postos de trabalho. Entretanto, vale ressaltar que a intensidade do fechamento de vagas diminuiu, sobretudo no segundo semestre de 2017.

“Em contrapartida, as pessoas passaram a buscar oportunidade empreendendo. O número de microempreendedores cresceu 14% e o registro de empresas cadastradas no ano passado no Simples Nacional aumentou 9% em relação a 2016”, salientou o coordenador de estudos econômicos da FIRJAN, William Figueiredo

A crise econômica no estado se reflete diretamente na atividade industrial da região.

A pesquisa mostra que os empresários entrevistados continuam insatisfeitos com as condições financeiras de suas indústrias. O impacto é percebido diretamente na falta de caixa, diante das baixas margens de lucro e da dificuldade de acesso a crédito.

“Vale destacar que em um cenário de recuperação econômica, a primeira coisa que sinaliza que o empresário vai retomar investimentos é a melhora da situação financeira, depois a produção aumenta e, por último, há um impacto positivo no mercado de trabalho”, detalha o coordenador de estudos econômicos da Federação das Indústrias, William Figueiredo.

Apesar de 2016 e 2017 terem sido anos difíceis para atividade econômica em Petrópolis, os empresários industriais começaram 2018 com otimismo. A expectativa dos industriais é de aumento da demanda por produtos e, consequente, aumento da compra de matéria prima. Os empresários também demostraram confiança em relação ao setor externo, uma vez que 2018 vai ser um ano positivo para as exportações.

“Na expectativa do empresário, o pior já passou, assim como no estado do Rio e no Brasil”, disse Jonathas Goulart, coordenador de estudos econômicos da FIRJAN.

“O empresário da região tem um diferencial que é a expectativa para as exportações, principalmente, dos setores de vestuário e têxtil, aeronáutica e alimentos. Contudo, a lenta retomada da atividade econômica do estado inibe contratações e investimentos” complementou William Figueiredo.

Ambiente de negócios é fator chave para o desenvolvimento do município

Ao observar o ambiente de negócios e como Petrópolis está estruturada para receber novos investimentos, é importante olhar, entre outros fatores, para a segurança, energia e telecomunicações. Sem dúvida, em todo o estado do Rio a segurança pública é um desafio. Na região, o roubo de cargas aumentou mais de 60% no ano passado, gerando um prejuízo de R$1,5 milhão. Além disso, os homicídios também registraram aumento na região (+26% em 2017, frente ao ano anterior).

Em 2017, a qualidade de energia em Petrópolis registrou o segundo maior número de horas sem energia no estado (26,7h), atrás apenas do Norte Fluminense. O mesmo vale para a qualidade da banda larga em 2016, onde a região registrou a quarta pior do estado.

Nesse cenário, os esforços para aprimorar essas questões são fundamentais, uma vez que o aumento de investimentos tem a capacidade de gerar emprego e renda na cidade.

O ciclo de palestras terá 10 encontros ao todo, abrangendo todas as regiões fluminenses. Na terça-feira, 6, foram divulgados dados sobre as regiões Serrana e Centro-Norte. Na quarta-feira, 7, o assunto foi voltado para a Baixada Fluminense. Também na quinta-feira, 8, serão divulgados dados sobre o Centro-Sul. E na sexta-feira, 9, será vez das regiões Norte e Noroeste. A programação completa com as datas dos encontros pode ser acessado no site http://www.firjan.com.br/eventos/retratos-regionais-cenario-economico.htm .

As palestras têm uma hora de duração e serão transmitidas através do Youtube Live, onde os participantes assistirão em seus computadores pessoais, em casa ou no trabalho, e poderão interagir com os especialistas. O link de acesso à palestra é https://www.youtube.com/sistemafirjan .