O secretário de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos, Átila Nunes, se reuniu ontem com o secretário Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Juvenal Araújo Júnior, para estabelecer uma ação emergencial em função dos ataques à religião afro em todo estado. Átila apresentou as ações de combate à intolerância, como a criação do Disque Combate ao Preconceito, lançado no mês passado, e a criação da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.

“Essa visita é uma forma de aproximação para que juntos possamos solucionar essa questão. Estou percorrendo o Brasil e o Rio de Janeiro é um estado onde observamos um grande aumento desses casos. Temos 17 ministérios e quatro secretarias e colocamos à disposição os nossos programas voltados para a igualdade racial e diversidade religiosa. É preciso reforçar que racismo e intolerância religiosa são crimes”, declarou o secretário Nacional, Juvenal Araújo Júnior.

Nas redes sociais, membros de religiões de matrizes africanas fazem corrente de mobilização contra a intolerância religiosa. Integrantes do Centro Espírita Amor e Ação, em Caldas Novas, Goiás, lançaram o ‘Toque da Resistência’, uma cerimônia da Umbanda, em que todos entoam hinos religiosos.

Pastor indiciado

O pastor evangélico de Nova Iguaçu, Daniel Martins Francisco, que apareceu em vídeos na internet quebrando imagens de santos, alegando que eram ‘demônios’, foi indiciado ontem, por discriminação religiosa, pela Polícia Civil. Em outro caso, mais um ataque a terreiros na Baixada também foi denunciado. De acordo com relatos nas redes sociais, uma mãe de santo teve o templo invadido no Morro do Agudo, também em Nova Iguaçu.

De acordo com as investigações do primeiro caso, que identificou o pastor Daniel Martins, as peças destruídas, e divulgadas em vídeo, seriam de uma filha de santo convertida recentemente à religião evangélica. As imagens foram feitas no dia 29 de agosto, no bairro Jardim Paraíso, em Nova Iguaçu. Na ocasião, o pastor estava acompanhado de outras três pessoas. As gravações foram entregues à polícia pela Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos na semana passada.

Entre os áudios divulgados na internet ontem, um deles aponta um grupo de traficantes que chegou a ameaçar uma criança de três anos e outra de oito, com revólver no rosto, obrigando a retirada das guias religiosas. “As duas crianças estavam recolhidas para o santo e foram obrigadas a tirar o Kelê (indumentária usada pelos inciados na religião). Caso não retirassem, morreriam ali mesmo”, relatou uma mulher pelo áudio.

ODIA – Reportagem do estagiário Matheus Ambrósio, sob supervisão de Claudio de Souza