Pandemia pode agravar casos de câncer no país

Redução na realização de biópsias e queda do número de pacientes que iniciaram tratamento são dados preocupantes para especialistas em oncologia. Neste Dia Mundial do Câncer, médicos chamam a atenção para importância da prevenção, diagnóstico precoce e tratamento

A pandemia do novo coronavírus provocou a morte de milhões de pessoas em todo o mundo e agravou outros cenários quando o assunto é saúde física e mental. Segundo especialistas em oncologia, esse período em que é indicado o isolamento social desde março de 2020 pode ser também um agravante para os casos de câncer no país. Nesta quinta-feira (4), Dia Mundial do Câncer, os médicos chamam a atenção para a necessidade de os pacientes continuarem acompanhando a saúde, fazendo os exames de rotina e adotando medidas preventivas no combate ao câncer, claro que com todos os cuidados contra a covid-19.

“Podemos ter um número expressivo de pacientes que poderiam ser diagnosticados em fases iniciais e curativas, que estão chegando já com a doença avançada, além de uma parcela ainda maior de pacientes com doença avançada, chegando ao diagnóstico sem condições de tratamento específico”, alerta o oncologista clínico, Vinicius Agibert, do Centro de Terapia Oncológica (CTO).

Médico oncologista clínico, Vinicius Agibert, do Centro de Terapia Oncológica (CTO)

Segundo o especialista, essa demora no tratamento ocorre por vários motivos. Um deles foi a redução de, aproximadamente, 50% na realização de biópsias feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e queda do número de pacientes que iniciaram tratamento entre março e setembro de 2020. De acordo com Vinicius, o impacto da pandemia nos pacientes com câncer já está sendo demonstrado por levantamentos e estudos nacionais e internacionais aumentando inclusive a taxa de mortalidade.

Apesar do cenário preocupante, o especialista afirma que a oncologia é uma das especialidades que mais avançou nos últimos anos, tanto em diagnóstico quanto em tratamento. Ele cita também as descobertas de novas e mais eficazes medicações, o exponencial avanço no entendimento da genética/medicina molecular, além de novas e mais efetivas modalidades de radioterapia e cirurgia oncológica. “Tudo isso alterou o cenário do câncer, a maneira como ele é visto atualmente. Antes o diagnóstico da doença avançada era quase que como uma sentença de morte. Hoje, sabemos que é possível conviver com o câncer com qualidade e aumento da expectativa de vida”, explica.

Com relação a prevenção, Vinicius Agibert afirma que vários fatores devem ser considerados pela população em geral, como ter uma vida saudável, não fumar e praticar atividade física regularmente. Os exames de imagens preventivos ou de rastreio, como mamografia e colonoscopia, ele diz que devem ser realizados conforme indicação médica.

Já para prevenir outros tipos de câncer, como o de colo de útero, o oncologista indica que a vacinação para o HPV e o exame ginecológico são fundamentais. Ele lembra ainda que os fatores genéticos também devem ser considerados, pois também são responsáveis pelo desenvolvimento do câncer. Segundo Vinicius, para estes casos, o ideal é que o paciente seja avaliado por um especialista, que indicará o melhor caminho para a prevenção.

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