Por Marcelo Magon

 

O capítulo VIII da saga começa logo após “O Despertar da Força”, capítulo anterior, lançado há 2 anos e nos apresenta desde o início um equilíbrio entre a evolução que a série deve tomar junto ao respeito por elementos antigos contidos em sua mitologia. A história agora segue um padrão diferente do episódio anterior, desta vez orquestrado pelo diretor e roteirista Rian Johnson, que desconstrói a cartilha coesa e nostálgica d o filme de seu antecessor JJ Abrahns, possibilitando um futuro promissor e autêntico para o universo crescer em originalidade.

Rian Johnson tem pouca experiência com filmes, foi diretor e roteirista de Looper: Assassinos do Futuro (2012) e de  A Ponta de um Crime (2005), e nesses filmes ele estabelece um estilo na direção e escrita não muito complexa, que desenvolve o drama dos personagens de maneira inteligente e ágil, isto é, tudo que Star Wars precisava para uma renovação.

Star Wars: Os Últimos Jedi em muitos momentos lembra “O Império Contra Ataca” no tom sombrio, nas escolhas do roteiro e na emoção, assim como o episódio anterior lembrava “Uma Nova Esperança” através da nostalgia, onde a obra foi respeitada, mas não inovada. E é nisso que Rian nos brinda com seu roteiro e direção: inovação. O filme possui algumas falhas sim, principalmente nos dois primeiros atos, em que apresenta muita conversa e pouca ação. Passa-se quase 1:30 h para descobrirmos perplexos até onde o diretor nos levou. À galáxia tão tão distante vem a nós em cenas de tirar o fôlego. Torna-se difícil de respirar. O filme tem vários “finais”, assim como “O Retorno do Rei” e em todos esses nos faz pular da cadeira e aplaudir ao final de cada um. A meia hora final é realmente épica.

No aspecto técnico a fotografia é exuberante em seus contrastes do vermelho e preto da primeira ordem à luz representando a resistência. A montagem é ágil e por vezes frenética e isso pode afastar os mais nostálgicos pela série. A direção é segura e nos dá o melhor capítulo da saga desde o Episódio V, mesmo que alguns não concordem, a película anterior não é tão bem acabada assim, e Rogue One é mais repleta de fan service do que de inventividade. O diretor dá a importância que Rey. Finn e Poe merecem, desenvolvendo muito bem as sub tramas que eles participam, além de fortalecer a figura messiânica de Luke e o respeito por Léia. Mostra que está sempre de olho no futuro, mas com respeito ao passado. Os vilões estão bem melhor caracterizados e Kylo Ren evolui bastante e promete mais.

Os Últimos Jedi é o episódio que mais contém os aspectos da filosofia Star Wars desde o já citado “O Império Contra Ataca”. O longa é repleto dos simbolismos da saga e filosófico nos aspectos da “força” ao longo do filme, mas também inova, trazendo uma discussão mais aprofundada sobre as nuances contidas entre o bem e o mau, formando uma teoria mais “cinza” ás leis da força. Os mais saudosos vão torcer o nariz, isso é um fato, mas como o Mestre Yoda falava sempre a Luke: “está sempre você no passado ou no futuro, no aqui e agora você estar deve.”

Vivemos atualmente em uma busca constante que nos impulsiona à rapidez, perda de identidade e uma busca ao passado, e o filme nos apresenta essa possibilidade de mirarmos à frente. Veja o filme com os olhos de uma criança Jedi, que aberta ao novo, experiência o máximo das boas novas que a tela trás. Assim, eu garanto, você vai se divertir e se emocionar muito. Este é um grande filme, e grandes filmes nos proporcionam enormes emoções. Daqueles filmes que vale a pena ver de novo. Veja.

 

 

SOBRE O COLUNISTA

Marcelo Magon é Bacharel em Pintura pela Escola de Belas Artes da UFRJ, artista plástico, caricaturista, cartunista, ilustrador e ator. Participa ativamente do mercado cultural do Estado do Rio de Janeiro há 25 anos em publicações e em eventos em geral com caricaturas ao vivo, exposições de cartuns e HQs. Formou-se na Escola de Teatro Martins Penna como ator, e a partir daí virou um estudioso da sétima arte, participando de várias oficinas e cursos sobre cinema. Trabalhou ao longo dos anos em diversas agências de publicidade e propaganda, além de várias editoras, incluindo a EDIOURO e a Editora AKS em que desenvolveu a série “Cruzadinhas pela HISTÓRIA” , dentre outras publicações infanto juvenis. Como artista plástico, depois de participar de várias coletivas como artista plástico, lança em 2013 sua primeira exposição individual “Medidas EXTREMAS” na Sala de Cultura Leila Diniz.Em 2014 foi curador da exposição “Humor no Solar – O Palco em Caricaturas” no Solar de Botafogo. É o criador e administrador do grupo “Cinéfilos RJ” no Facebook e atualmente leciona Artes em diversas unidades do SESC no Rio de Janeiro.


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