A relação entre o que é público e o que é privado é algo que não tem consenso. Por mais que este tema tenha sido debatido, até mesmo, por filósofos gregos, ainda há muita complexidade quando tratamos deste assunto. Uma explicitação deste paradoxo moderno vem com o avanço da tecnologia. Principalmente das conexões entre computadores. Esse grande passo, revolucionário, mudou completamente a forma que observamos o mundo.

Se, em passos largos, conectamos as pessoas de todo o mundo, também criamos problemas relacionados à privacidade. Os protocolos que dividem um computador do outro podem ser quebrados e dados podem ser roubados ou, de forma aceitável por grande parcela da população, serem entregues aos fornecedores de serviços. Então, se há essa divisão tão rasa entre os computadores e se há a solicitação de dados para intuitos corporativos, a todo o tempo, eu questiono: O que é público e o que é privado no meio virtual?

A quebra de segurança nos computadores, sejam os portáteis smartphones, tal como nos notebooks e computadores pessoais, é algo comum. Infelizmente, existem pessoas que utilizam a tecnologia para o bem e para o mal. E, quando ocorrem casos como o do Ministro da Justiça, o ex-juiz Sérgio Moro, o assunto da segurança volta a estar em voga.

Mas não são somente de ações de quebra total de sigilos que são preocupantes. Há pouco tempo, o assunto de privacidade foi debatido nos parlamentos do mundo. Principalmente com o questionamento em relação a segurança em sites como o Facebook depois do vazamento de dados dos usuários.

Um fato é, quando compramos o nosso smartphone e cadastramos a nossas informações, não é apenas você que tem controle de suas ações no aparelho. Você aceita que a empresa usufrua dos seus dados e históricos. Até mesmo suas câmeras e gravadores de áudio. Você também dá acesso a suas ligações telefônicas.

O mesmo ocorre quando você utiliza a sua rede social favorita. A quantidade de acessos, que são obrigatórios para a utilização dos aplicativos, dá um poder colossal as corporações.

Enfim, com a quebra dos dados e informações sendo feito por Crackers (Hackers com intuitos escusos), além da disponibilização de dados sendo feita de forma naturalizada pelos usuários, eu deixo um outro questionamento: Os smartphones, redes sociais e computadores pessoais, são realmente privados?

Enfim, sem mais questionamentos retóricos, gostaria de explicitar que, em minha opinião, não podemos confiar, todo o tempo, que o espaço virtual que está em nossos bolsos é privado. Este espaço é completamente público e se torna cada dia menos privativo, principalmente com o avanço da computação em Nuvem. Desde de sua galeria de fotos, até as imagens que você tira no seu smartphone, tudo é compartilhado com alguém ou com alguma empresa.

Na última semana um comentário da atriz norte-americana Whoopi Goldberg chocou muitas pessoas, ela afirmou que para não vazamentos de suas fotos íntimas, a atriz Bella Throne não deveria ter tirado as fotografias. Óbviamente que a culpa não é da vítima e nunca será. O crime deve ser punido e não podemos aceitar esta ação criminosa contra a atriz. Ao mesmo tempo, é importante salientar que todas as fotos que você tira, todos os áudios que você grava, todos os  arquivos que você mantém em seus smartphones e computadores correm o risco de serem, criminosamente, extraídos. Da mesma forma que, no instante em que você tira uma fotografia, esta imagem já está sendo compartilhada e acessada pelas fornecedoras de serviços de tecnologia. Como é o caso da Google, em celulares Android. Enfim, o risco é grande! É importante se proteger todo o tempo. Porém, vários especialistas em segurança informacional apontam algumas aplicações e sítios que são mais seguros do que os populares. É o caso, por exemplo, do servidor de e-mails Protonmail e o Signal (Uma versão do WhatsApp ou Telegram que realmente traz segurança para o usuário). Além de sistemas operacionais que realmente protejam os seus dados. 

Mas, mesmo com toda a segurança fornecido por aplicações desta natureza, ainda assim corremos riscos e toda a precaução é necessária. Se você quer proteger as suas informações, você tem que ter a consciência que o ambiente virtual nunca terá a mesma segurança que o seu quarto ou suas quatro paredes. E, por mais que você proteja seus dados, todas as informações virtuais tem consigo o potencial para serem informações públicas. E, ao meu ver, este potencial já descategoriza as informações como algo privativo.

Ainda considerando o intuito corporativo nas provedoras de serviços virtuais, é válido ter em mente que as empresas que detêm os mercados de países polarizados politicamente costumam ser as mesmas. Este tema iria além da segurança, e é um questionamento válido para um artigo científico. Mas é incrível quando vemos que países polarizados, como o Brasil e pátrias europeias, utilizam determinados serviços e como países pouco polarizados utilizam outros serviços (Por mais que não desconsiderem a utilização do Facebook, Instagram e WhatsApp). Se formos exemplificar podemos tomar como ponto de partida os países onde a VK, WeChat e Line fazem mais sucesso.

Enfim, não sou o que você pode chamar de “melhor especialista para o assunto”. Mas, neste espaço, eu quis compartilhar algumas das minhas experiências. Principalmente porque estudei por três anos Tecnologia da Informação e por quatro anos Comunicação Social. – Todos os assuntos referenciados aqui tem como base artigos científicos e livros das áreas em questão. Se você se interessar pelas referências bibliográficas fique a vontade para me contactar.