O Jiu Jitsu salva vidas e muda planos de um destino rodeado de incertezas

Assim aconteceu com Mahamed Aly e pode acontecer com Ailton Barboza, morador de Vargem Grande, Zona Oeste do Rio

Muitos pensam que o chão é o fim, mas no Jiu Jitsu é só o começo!”

– Ailton Barboza, mais conhecido como “Laranjinha”.

Ailton Barboza Lomboni é uma de tantas outras provas vivas de que junto com os outros esportes, o Jiu Jitsu salva vidas e muda planos de um destino rodeado de incertezas. O atleta começou a praticar o esporte com 11 anos, porque de acordo com ele mesmo, “era ‘brigão’ e acima do peso”. Hoje, com 22, ele continua lutando (não só no tatame) e sonha ser um profissional desde que começou.

Assim como na foto em destaque, “Laranjinha” aparece ao lado esquerdo da fotografia, mas desta vez dando um golpe no adversário.

Chamado de “Laranjinha” pelo seu atual mestre, Everaldo, o garoto começou na associação de moradores do bairro onde reside até hoje, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Visando melhores condições de treinamento, ele ainda treinou na academia do “Marquinho Pitbul” e na “Team Nogueira”.

“Queria treinar todo dia, por isso comecei a ir para as duas academias ao mesmo tempo. Treinava lá e cá, mas teve uma ocasião em que eu não consegui pagar a mensalidade da Team Nogueira e meu mestre (Everaldo) me deu uma bolsa, com o objetivo de me deixar faixa-preta. Desde então eu não pago pelo Jiu Jitsu” – conta Laranjinha.

Logo após conceder uma bolsa para o jovem atleta, o mestre Everaldo abriu seu próprio Centro de Treinamento, que conta com uma boa estrutura para receber da melhor maneira seus atletas. A “Carlson Gracie” não tem nenhuma ligação com a famosa família Gracie, que ajudou a revolucionar o Jiu Jitsu no mundo com as instruções do mestre Mitsuyo Maeda.

“O esporte têm com certeza o poder de salvar vidas. Hoje eu sou faixa-marrom, graças ao meu mestre! Ele é um pai no esporte para mim! Minha família também me apoia demais, eu só tenho a agradecer. A meta é continuar evoluindo e conquistando medalhas” – comentou Ailton sonhando com uma vida profissional dentro do esporte.

Momento em que o mestre Everaldo condecora Ailton com a faixa marrom.

Além de ser faixa marrom, Laranjinha é peso pena e competiu em competições de diferentes entidades, como a Confederação Brasileira de Jiu Jitsu e a Confederação Brasileira de Jiu Jitsu Olímpico. Dentre os torneios em que lutou, estão: regionais, nacionais e até um sul-americano.

“Meu sonho é lutar o mundial na Califórnia (realizado pela IBJJF) e ser campeão, além de dar uma boa condição pra minha família no futuro. Estou começando a receber apoio, tendo em vista que tenho o que preciso para crescer. Família, CT de qualidade e um mestre excepcional” – afirma!

Fonte de inspiração no Jiu Jitsu

Com nome homenageando lenda do boxe, Mahamed Aly começou na “Team Nogueira”, local que conseguiu superar os desafios para se tornar uma referência no Brazilian Jiu Jitsu. Mahamed foi condecorado faixa-preta em 2015, pelo professor Lloyd Irvin, nos Estados Unidos. A conquista ainda foi em um ano que o lutador havia sido campeão mundial absoluto com a faixa marrom.

Em entrevista para o Blog do Malheiros, Laranjinha conta que a história de Mahamed se confunde um pouco com a sua.

“Desde as raízes do jiujiteiro renomado que ele é hoje em dia, até onde ele chegou e vai chegar. Exemplo de superação e eu me espelho nele. Uma grande motivação ver a trajetória dele e ter a chance de chegar onde eu almejo também.”

E acrescentou:

“É um cara que me mostrou que a pessoa pode ser da onde for, que ela consegue chegar onde quiser. Nós fazemos nosso caminho e cavamos nossas próprias oportunidades”.

Afinal, de onde surgiu essa arte?

O esporte desenvolvido no Japão feudal, ficou conhecido pela eficiência dos golpes como as alavancas, torções ou até mesmo pressões para levar o adversário ao chão no intuito de dominá-lo e por consequência finalizá-lo. O desenvolvimento do Jiu Jitsu se resume ao enfrentamento entre dois oponentes, ou melhor, dois samurais. Se por ventura algum deles perdesse sua espada ou lança, este precisaria de um método de defesa com as mãos.

Mitsuyo Maeda

Os primeiros passos do esporte em terras brasileiras foram dados pelo indestrutível Mitsuyo Maeda, um célebre instrutor do judô de Kodokan. Maeda embarcara para o Estados Unidos, em 1904. O lutador fez diversas lutas e desafios em diferentes países do continente americano, mas foi em julho de 1914 que Conde Koma – apelido que ganhou durante sua trajetória – desembarcaria no Brasil para mudar o rumo da modalidade.

Conde Koma se estabeleceu em Belém do Pará depois de passar por diferentes estados do país, tendo ainda a oportunidade de organizar o primeiro campeonato de arte macial em solo brasileiro. Vale ressaltar que o regulamento criado na ocasião foi fundamental para a regulamentação do esporte. Veja aqui.

Fonte: Gracie MAG

O anúncio com a divulgação das informações foi encontrado pelos pesquisadores Luiz Otávio Laydner e Fabio Quio Takao na Gazeta de Notícias, edição do dia 11 de março de 1915. Evento promovido por Maeda ainda teria sido marcado para o Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, capital brasileira naquela época.

Conde Koma e a família Gracie: a evolução do Jiu Jitsu

Tudo começou na amizade feita entre Conde Kome e o pai do então adolescente, Carlos Gracie. Carlos, jovem curioso quis aprender as técnicas de defesa desenvolvidas por Conde e mudou as expectativas da família, que era composta por diplomatas e doutores.

Em 1925, o mestre Carlos Gracie abraçaria de vez a modalidade – para o lamento da mãe – conseguindo abrir a primeira academia de Jiu Jitsu da família Gracie. Nos jornais, os Gracie anunciavam uma campanha inusitada do marketing no momento: “Se quer ter o braço quebrado, procure a academia Gracie”.

Alguns anos depois, dando continuidade as instruções de Conde Koma, os Gracie continuaram a ganhar desafios e estampar com cada vez mais frequência as manchetes dos jornais. Perante os episódios de sucesso o esporte se consolidou, quando em 1967 foi criada a Federação de Jiu Jitsu da Guanabara, no Rio, contando ainda com a autorização da Confederação Nacional de Desportos.

A família Gracie tomou conta do pedaço e a partir de outra frente, Carlos Gracie continuou sua luta para um esporte reconhecido e regulamentado no Brasil. Foi em 1994, quando surge a Federação Internacional de Jiu Jitsu, que assim como a Confederação Brasileira de Jiu Jitsu, também é filiada ao Comitê Olímpico Brasileiro.

Jiu Jitsu e as Olimpíadas

É importante deixar claro que o Jiu-Jitsu ainda não é uma modalidade olímpica e que talvez o número de entidades que o representam possam atrapalhar o acesso aos jogos olímpicos. As regras vivem mudando de acordo com as confederações, dificultando a internacionalização do esporte.

Atualmente o BJJ (Brazilian Jiu Jitsu) é dominado por brasileiros, mesmo com uma crescente de americanos abraçando a arte. Para ser uma modalidade olímpica, é preciso levar em consideração o equilíbrio de atletas espalhados mundo à fora, portanto ainda pode demorar para que isso aconteça de fato.

Outro fator é que o Judô e o Jiu Jitsu são provenientes da mesma arte macial, o Ju Jitsu. O Comitê Olímpico Internacional (COI) alega que o BJJ seja uma forma de luta judoca moderna, coibindo qualquer modalidade derivada de outra já existente nos jogos olímpicos.

Principais atletas do Brazilian Jiu Jitsu

Os principais atletas são os que competem no Campeonato Mundial organizado pela IBJJF (International Brazilian Jiu Jitsu Federation), em português, Federação Internacional de Jiu Jitsu Brasileiro. A competição é realizada todos os anos em Long Beach, na Califórnia, Estados Unidos.

Os resultados do Mundial 2018 podem ser conferidos aqui.

Considerações finais

Ju” quer dizer “suavidade” e “jutsu” significa “arte”, por isso o sinônimo: arte suave. Concluindo que o faixa preta é o faixa branca que não desistiu – Oss.

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1 Comentário

Andrea março 26, 2019 - 19:45

Muito bom e relevante as informações acerca do esporte. Realmente as possibilidades transformam vidas e reescrevem novas histórias!!?? Inclusive a sua, a nossa….

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