O Núcleo de Medicina Tropical da Universidade Federal do Ceará está com chamada aberta aos últimos voluntários para os testes da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, que obteve recentemente patente dos Estados Unidos para a produção do imunizante. Há 153 vagas a serem preenchidas por crianças de 2 a 6 anos, e o processo de vacinação ocorrerá até dezembro deste ano.

As pessoas vacinadas são acompanhadas pelo núcleo ao longo de cinco anos. Para incluir crianças como voluntárias no teste, os pais ou responsáveis devem agendar visita pelos telefones 85 3023 4323 ou 3366 8252. No dia da vacinação, eles deverão levar seu RG, além de certidão de nascimento e cartão de vacinação da criança. O núcleo disponibilizará ajuda de custo para transporte e lanche.

A vacina é desenvolvida pelo Instituto Butantan, órgão da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e um dos maiores centros de pesquisa biomédica do mundo. Em junho passado, o instituto conseguiu patentear, nos Estados Unidos, o processo de produção da vacina, que hoje está na terceira e última fase, antes de o imunizante poder ser disponibilizado à população.

O Núcleo de Medicina Tropical é um dos 14 centros de pesquisa clínica do Brasil a realizar os testes, que abrangerão um total de 17 mil pessoas nas cinco regiões do País. Aqui, a vacina será testada em 1.330 pessoas, já tendo sido aplicada, desde julho de 2016, em 1.177.

De acordo com o coordenador do núcleo e responsável pela aplicação dos testes, Ivo Castelo Branco, foram vacinadas na UFC pessoas de 7 a 60 anos. “O processo era para ter sido concluído até o meio deste ano, mas está se estendendo até o fim do ano porque muita gente se vacinou nos últimos meses contra a gripe e a chikungunya. E, para tomar a vacina da dengue, a pessoa deve ter passado um intervalo de pelo menos um mês depois de ter recebido alguma outra vacina”, justifica.

O Prof. Ivo destaca que os testes da segunda fase, que foram feitos nos EUA e em São Paulo, mostraram uma eficácia de 85% nos quatro sorotipos nos quais o vírus se apresenta. A liberação da patente da vacina por parte dos Estados Unidos, segundo ele, é um reconhecimento internacional do imunizante. “O governo americano é muito rígido neste tema, então isso é um grande avanço”, aponta. Ele acredita que, em um prazo de quatro anos, as primeiras vacinas, que serão gratuitas, já poderão ser liberadas pelo Ministério da Saúde.

O professor informa que, no dia 31 deste mês, será realizado um congresso de medicina tropical em Recife, no qual haverá um grupo de trabalho das unidades que estão executando os testes para discutir os avanços. Um documento dessas discussões será produzido ao fim do encontro, indicando o status do processo.

Fonte: Universidade Federal do Ceará – UFC - Núcleo de Medicina Tropical da UFC

Crédito da foto: Viktor Braga/UFC