O fraturamento hidráulico está ligado ao novo tipo de terremoto identificado pelos cientistas. Crédito: Joshua Doubek/Wikimedia Commons, CC BY-SA

Novo tipo de terremoto é descoberto por pesquisadores

Eles são mais lentos e duram mais tempo que os convencionais da mesma magnitude
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Um novo tipo de evento sísmico foi identificado por uma equipe de pesquisa canadense-alemã e documentada na Colúmbia Britânica (Canadá). De acordo com a pesquisa, diferentemente dos terremotos convencionais da mesma magnitude, os abalos ocorrem de forma mais lenta e duram mais tempo.

Os eventos ocorrem de maneira induzida, desencadeados por fraturamento hidráulico (fracking), um método usado no oeste do Canadá, entre outros locais do mundo, para extração de petróleo e gás.

Os pesquisadores do Geological Survey of Canada, da Universidade McGill (Canadá) e da Ruhr-Universität Bochum (RUB, na Alemanha) registraram dados sísmicos utilizando uma rede de oito estações sísmicas ao redor de um poço de injeção a distâncias de alguns quilômetros. Os dados coletados mostraram a ocorrência de aproximadamente 350 terremotos. Dentre eles, cerca de 10% dos tremores exibiram características únicas, sugerindo que eles provocam rupturas mais lentamente, semelhante ao que foi observado anteriormente sobretudo em áreas vulcânicas.

O grupo liderado por Hongyu Yu – primeiramente na RUB, depois no Canadian Geological Survey of Canada – e pela professora Rebecca Harrington, da RUB, descreve os resultados em artigo publicado online na revista Nature Communications.

As teorias

Os pesquisadores explicaram a ocorrência de terremotos no processo de fraturamento hidráulico com dois processos. O primeiro diz que o fluido bombeado na rocha gera um aumento de pressão substancial o suficiente para gerar uma nova rede de fraturas nas rochas subterrâneas próximas ao poço. Como resultado, o aumento de pressão pode ser grande o suficiente para liberar as falhas existentes e desencadear um terremoto. De acordo com o segundo processo, o aumento da pressão do fluido da injeção na subsuperfície também exerce mudanças de tensão elástica nas rochas circundantes que podem ser transmitidas por distâncias mais longas. Se as mudanças de tensão ocorrem em rochas onde existem falhas, isso também pode levar a mudanças que fazem com que a falha deslize e cause um terremoto.

Recentemente, modelos numéricos e análises de laboratório previram um processo em falhas perto de poços de injeção que foi observado em outros lugares em falhas tectônicas. O processo, denominado deslizamento assísmico, começa como um deslizamento lento que não libera nenhuma energia sísmica. O deslizamento lento também pode causar uma mudança de estresse em falhas próximas que faz com que deslizem rapidamente e levem a um terremoto.

A falta de energia sísmica do deslizamento assísmico e o tamanho das falhas envolvidas tornam isso difícil de observar na natureza. Os pesquisadores, portanto, ainda não conseguiram documentar o deslizamento assísmico amplamente com qualquer associação a terremotos induzidos. O trabalho do estudo atual fornece evidências indiretas de carregamento assísmico e uma transição de deslizamento assísmico para sísmico.

Alterando o processo de fraturamento hidráulico

A equipe de pesquisa interpretou os terremotos lentos recentemente descobertos como uma forma intermediária de terremoto convencional e deslizamento assísmico – e, portanto, como evidência indireta de que o deslizamento assísmico também pode ocorrer nas proximidades de poços. Os pesquisadores, portanto, apelidaram os eventos de terremotos em forma de onda de frequência híbrida (EHW, na sigla em inglês).

“Se entendermos em que ponto a subsuperfície reage ao processo de fraturamento hidráulico com movimentos que não resultam em um terremoto e, consequentemente, não causam danos à superfície, poderíamos usar essa informação idealmente para ajustar o procedimento de injeção de acordo”, afirmou Rebecca Harrington, chefe do Grupo de Hidrogeomecânica da RUB.

“Presumimos que os terremotos induzidos se comportam como a maioria dos outros terremotos e têm aproximadamente a mesma velocidade de ruptura de dois a três quilômetros por segundo”, explicou Harrington. Mas nem sempre parece ser esse o caso. Enquanto o tremor de um terremoto convencional de magnitude 1,5 no conjunto de dados dos pesquisadores diminuiu após cerca de sete segundos, o abalo de um terremoto EHW da mesma magnitude continuou por mais de dez segundos.

* Com informações da Revista Planeta

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