Natália Gross - à direita - é engenheira civil e líder de equipes aos 25 anos - Foto: Divulgação

Mulheres reescrevem suas histórias sendo protagonistas em ambientes majoritariamente ocupados por homens

Pesquisa mostra disparo no número de mulheres engenheiras no mercado de trabalho

A cada ano, as mulheres passam a ser mais protagonistas de suas histórias, se empoderando de lugares de trabalho que antes eram predominantemente ocupados pela mão de obra masculina. Prova disso foi pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), entre 2016 e 2018, que revelou um disparo das mulheres engenheiras no mercado de trabalho.

O aumento, segundo a pesquisa, foi de 52%. E esta é considerada uma grande conquista para as mulheres que ainda lidam com o tabu e com o preconceito de que “canteiro de obra não é lugar para mulher”. E não é só na formação que as mulheres estão reescrevendo suas histórias. Elas também passam a ocupar cargos de liderança, como é o caso da engenheira civil Natália Gross, de 25 anos, que trabalha em uma construtora em Petrópolis. Ela foi estagiária na empresa Aberdeen e, atualmente, lidera equipes de Orçamento, Marketing e Sistema de Gestão de Qualidade.

Natália conta que, ainda na faculdade, teve aulas com professoras que preparavam as mulheres para lidar com o mercado de trabalho repleto de tabus e preconceito. Mas ela diz que teve a sorte de não ter enfrentado nenhum comentário ofensivo e ser muito respeitada no ambiente de trabalho. “Quando entrei para a faculdade achei que ia enfrentar muito preconceito e, felizmente, não passei por isso. Já atuei em canteiro de obra e hoje sou gerente administrativa. Os homens na empresa onde trabalho me escutam”, diz.

Para a engenheira civil, ter a oportunidade de ocupar um cargo de liderança sendo mulher e aos 25 anos é sinal de que a mudança cultural já está ocorrendo. “Precisamos levar essa mensagem a outras pessoas até que isso se torne algo melhor, natural. Que nenhuma mulher seja discriminada porque está em um canteiro de obras. Precisamos buscar por empresas onde nos sentimos valorizadas e onde o gênero não é sinal de privilégio”, destacou.

Michael Leite é engenheiro e sócio da construtora onde Natália trabalha e afirma que não existe diferenciação de homens e mulheres na empresa desde que foi fundada, 10 anos atrás. “Analisamos os candidatos pelos perfis e as vagas têm sido mais preenchidas por mulheres. Hoje, 80% das estagiárias são mulheres e 50% das engenheiras são mulheres. E as condições, como salários, são iguais para ambos”, afirmou.

Além disso, Michael diz que o fato de as vagas estarem sendo mais preenchidas por mulheres é pelo fato delas se mostrarem mais organizadas, disciplinadas e comprometidas na hora da entrevista. “Para gente, a igualdade de gênero já é uma realidade e esperamos que isso seja cada vez mais comum na sociedade”, disse.

A construtora vem desempenhando seu papel mostrando que está em sintonia com o tema prioritário da 65ª comissão sobre o status da mulher, que é a participação plena e efetiva das mulheres para alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento de todas. “Apesar de muitas empresas ainda não darem oportunidades iguais para as mulheres no mercado de trabalho, vemos que algumas já enxergam essa necessidade e o diferencial que acrescentamos no dia a dia”, conclui Natália.

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