Foto: Reprodução / Instagram Tom Parker

Morre Tom Parker, vocalista do The Wanted: cantor fazia tratamento contra câncer no cérebro

Apesar de raro, o câncer primário do Sistema Nervoso Central (SNC) merece atenção. Doença representa de 1,4% a 1,8% de todos os tumores malignos no mundo
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Tom Parker, de 33 anos, vocalista do The Wanted, morreu nesta quarta-feira, 30 de março. A notícia foi dada através de uma publicação da banda nas redes sociais.

De acordo com o comunicado, Tom faleceu pacificamente e cercado pela sua família e amigos de trabalho. Apesar da causa da morte não ter sido divulgada, o cantor fazia tratamento contra um câncer no cérebro. Os tumores cerebrais fazem parte dos tipos de câncer classificados como Sistema Nervoso Central (SNC).
 

O câncer primário do Sistema Nervoso Central (SNC) ocorre pelo crescimento de células anormais nos tecidos do cérebro e da medula espinhal. Considerado raro, ele representa de 1,4% a 1,8% de todos os tumores malignos no mundo e é responsável por uma taxa desproporcional de morbidade e mortalidade.

Os tumores cerebrais primários, isto é, aqueles que se originam no cérebro, raramente se espalham para outras partes do corpo, mas mesmo aqueles considerados benignos e de crescimento indolente (lento) podem pressionar e destruir o tecido cerebral normal, causando danos neurológicos irreversíveis ou mesmo fatais.

No entanto, é importante entender a diferença entre os tumores que se iniciam no cérebro (tumores cerebrais primários) e os tumores que se iniciam em outros órgãos e se disseminaram para o cérebro (secundários ou metastáticos). Em adultos, os tumores cerebrais metastáticos são mais frequentes do que os tumores cerebrais primários.

Sintomas para ficar de olho
De acordo com dados do Grupo Oncoclínicas, os sintomas de tumores cerebrais podem ocorrer gradualmente, agravando-se ao longo do tempo, ou surgir de repente. Dentre eles, a dor de cabeça é o mais comum, pois está relacionada ao efeito de massa, infiltração do parênquima e destruição do tecido. Geralmente, ela ocorre em 35% dos pacientes.

Além disso, a hipertensão intracraniana pode ser causada pelo crescimento do tumor, edema no cérebro ou bloqueio do fluxo do líquido cefalorraquidiano (LCR) e levar a sintomas como dor de cabeça, náuseas, vômitos, visão turva, problemas de equilíbrio, alterações na personalidade ou no comportamento, convulsões e sonolência.

São três grandes grupos de sintomas a serem observados:

  • Dor de cabeça com alarmes: não é qualquer dor de cabeça comum que levanta a suspeita de tumores do SNC, apenas quando ela apresenta algum sinal de alarme. Esses alarmes costumam ser o surgimento de uma dor de cabeça nova (para quem nunca sentiu esse tipo de dor), mudança do padrão de dor de cabeça (para quem já apresentava dor antes), piora da intensidade (quando ela fica mais forte com o passar do tempo), aumento da frequência (quando a dor aparece mais vezes), ou quando a dor é fixa (toda vez ela aparece no mesmo lugar);
  • Epilepsia ou outras crises convulsivas: principalmente quando o paciente apresenta a crise convulsiva pela primeira vez;
  • Perda de funções neurológicas: são chamados de déficits focais — quando há perda de força ou do tato nos membros, perda de visão ou de audição, alterações da fala ou da capacidade intelectual (compreensão, raciocínio, escrita, cálculo, reconhecimento de pessoas), mudanças de comportamento (apatia, agitação ou agressividade) em relação ao padrão normal da pessoa.

Tipos de tumores cerebrais
Os tumores primários do SNC compreendem uma ampla gama de entidades patológicas, cada uma com uma história natural distinta. Para simplificar, os tumores do SNC podem ser classificados como gliomas ou não-gliomas. Atualmente, características morfológicas e genéticas são encontradas em cada tipo de tumor e auxiliam no diagnóstico e classificação adequada desses tipos de tumores. Os principais tipos de tumores primários do SNC são:

Meningiomas — são geralmente benignos e se originam na dura-máter, camada que cobre o cérebro e a medula espinhal. A taxa de incidência é de aproximadamente 2 casos por 100.000 indivíduos. São mais comuns em mulheres na sexta e sétimas décadas de vida, além de serem os tumores cerebrais primários mais comuns em adultos. Muitos meningiomas são encontrados incidentalmente em exames de imagem e não requerem tratamento no momento do diagnóstico inicial. Para pacientes com meningioma assintomático, a observação pode ser uma opção de conduta. Se um efeito de massa é observado em pacientes com ou sem sintomas, o tratamento de escolha geralmente é ressecção cirúrgica completa. Radioterapia também pode ser usada como tratamento isolado ou complementar a cirurgia nesse tipo de tumor;

Adenomas Pituitários — os tumores hipofisários são tipicamente adenomas funcionais ou não funcionais. Anormalidades endócrinas podem ser encontradas na apresentação se os tumores estão produzindo peptídeos, como prolactina, hormônio do crescimento ou hormônio adrenocorticotrópico;

Gliomas — são tumores cerebrais primários originados de células-tronco neurogliais ou células progenitoras. Com base em sua aparência histológica foram tradicionalmente classificados como tumores astrocíticos, oligodendrogliais ou ependimais e classificados entre os graus I e IV da Organização Mundial de Saúde (OMS), que indicam diferentes graus de malignidade;

Meduloblastomas — tumores de crescimento rápido, considerados grau IV pela OMS. Podem ser tratados por cirurgia, radioterapia e quimioterapia. São mais comuns em crianças — seu pico de incidência ocorre entre os 2 e 7 anos de idade -, mas adultos jovens também podem apresentar.

Diagnóstico e prognóstico

Vale lembrar que embora exames de laboratório raramente façam parte do diagnóstico dos tumores cerebrais e da medula espinhal, podem ser realizados para verificar o funcionamento de outros órgãos, como fígado e rins, principalmente se a cirurgia e quimioterapia estiverem programadas.

O prognóstico de pacientes com tumores cerebrais benignos, em geral, é muito favorável. Já os pacientes com tumores cerebrais primários malignos ou metastáticos frequentemente morrem da doença.

Tratamento

Sobre o tratamento, o Grupo Oncoclínicas reforça ainda que irá depender do tipo de tumor, área afetada e estadiamento da doença. Contudo, normalmente o processo se inicia com o neurocirurgião, para remoção do tumor ou de fragmento de tecido para biópsia.

Os próximos passos e a evolução vão depender do tipo específico do tumor, que consta no laudo da patologia, envolvendo o oncologista clínico, com o planejamento da quimioterapia, e o radio-oncologista, no planejamento da radioterapia.

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