Imagem: Reprodução

Militares em Mianmar tomam controle do governo

O presidente do País e a líder política ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi foram detidos

Por Guilherme Campbell

O primeiro vice-presidente Myint Shwe anunciou através de um comunicado realizado por um canal televisivo, de propriedade dos militares, que o poder do Estado será transferido para o Chefe das Forças Armadas, Min Aung Hlaing. O presidente do País e a líder política ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi foram detidos. Segundo os militares, as prisões foram uma resposta à “falsificação” das eleições parlamentares que ocorreram no país em novembro de 2020.

O país declarou estado de emergência por um ano, a Reuters citou um comunicado feito em um canal de TV controlado pelos militares. A declaração sobre a introdução do estado de emergência foi assinada pelo vice-presidente Myin Sve, que foi declarado presidente interino do país pelos militares.

Nos últimos dias, a situação política no país tem estado muito tensa. Rumores de um possível golpe militar se espalharam na sociedade devido ao fato de representantes influentes das forças armadas afirmarem que consideravam as eleições parlamentares realizadas em novembro de 2020 como fraudulentas.

Em 1º de fevereiro, horario local, Myo Nyunt, porta-voz da Liga Nacional para a Democracia (NLD), o partido no poder de Mianmar, disse que a Conselheira de Estado de Mianmar, Aung San Suu Kyi, e o Presidente de Mianmar Win Min foram detidos pelos militares no início manhã do mesmo dia.

O porta-voz também afirmou que o movimento dos militares foi implementar uma “tentativa de golpe militar” com a intenção de forçar o presidente a transferir o poder para os militares. Segundo ele, no momento, os militares de Mianmar entraram e controlaram muitas assembleias provinciais e estaduais, e as comunicações foram interrompidas em muitos lugares, como Naypyidaw e Yangon, em Mianmar.

De acordo com a Constituição de Mianmar, apenas o presidente pode declarar o estado de emergência e transferir o poder para os militares.

Em 1988, por liderar os protestos pacíficos, Aung San Suu Kyi foi colocada em prisão domiciliar, onde passou um total de cerca de 15 anos. Em 1991, ela recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Em 2010, foi finalmente libertada, voltou à ativa atividade política e, em 2016, tornou-se efetivamente a líder do país.

Em 2018, a missão da ONU criticou Aung San Suu Kyi por não ter conseguido impedir a perseguição e o genocídio do povo Rohingya pelas autoridades de Mianmar. No entanto, a principal culpa pelos massacres foi atribuída à liderança militar do país, em particular, ao comandante-chefe das forças armadas, Min Aung Hlain. A missão da ONU o convocou para ser julgado por genocídio e crimes contra a humanidade.

Resposta internacional

O porta-voz da Casa Branca dos EUA, Psaki, disse em um comunicado em 1º de fevereiro que o governo dos EUA está preocupado com relatos sobre a detenção do líder de Mianmar Aung San Suu Kyi e outros.

A declaração afirmou que o Assistente de Segurança Nacional dos EUA forneceu a Biden um resumo da situação em Mianmar e reiterou seu forte apoio à democracia de Mianmar. Os Estados Unidos exortaram os militares de Mianmar a aderir às normas democráticas e exigiram a libertação dos detidos.

A declaração afirma que, se os militares de Mianmar não revogarem as medidas pertinentes, os Estados Unidos tomarão medidas contra as pessoas responsáveis.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres entre outros líderes mundial, condenaram a prisão de Suu Kyi e pediram que os militares “respeitem a vontade do povo”.

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