A direção do Hospital da Posse confirmou, na tarde desta quinta-feira, a morte cerebral do menino Vitor Gabriel Matheus Leite Coelho, de 3 anos, atingido por um tiro na cabeça quando brincava em casa, no bairro São Matheus, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, na segunda. Segundo Joé Sestello, diretor da unidade, a família está sendo acolhida e vai doar os órgãos do menino. “Eles estão sendo acolhidos e estão angustiados e desesperados com a tragédia. Apesar da perda, a família está disposta a doar os órgãos do Vitor”, disse Sestello.

Vitor Gabriel é a nona criança vítima de bala perdida no Estado este ano. Ontem, o pai da vítima fez um desabafo ao jornal O DIA. “Isso precisa acabar. Peço aos bandidos que guardem as suas armas e não disparem tiro à toa, pois a munição que vai para o alto tem que cair em alguma lugar. Assim como caiu na cabeça do meu filho, a bala pode atingir outra criança ou um adulto”, disse Anderson Neves de Oliveira, de 56 anos, que acredita que alguém tenha atirado para o alto.

Segundo Anderson, no momento em que o filho foi ferido, não havia tiroteio na comunidade Buraco Quente, onde fica o bairro em que moram. “Não tinha tiro. Nem os vizinhos escutaram o barulho de tiro. Foi só mesmo esse negócio (o projétil) que entrou pelo telhado e atingiu meu filho dentro de casa”, continuou.

Na ocasião, Joé Sestello havia dito que as chances do menino sobreviver sem nenhuma sequela eram poucas. O médico também desabafou sobre a crise na segurança do Rio e relatou, que apenas esse ano, o Hospital Geral de Nova Iguaçu já atendeu 579 pessoas baleadas. “Isso choca, porque você se pergunta onde está seguro… O menino estava em casa, com a família, sem tiroteio ao redor. Se dentro de casa você não está seguro onde estará?”, questionou o médico.