Forças do regime de Bashar al-Assad bombardeiam Ghouta oriental, na Síria, desde segunda-feira (19), causando mais de 100 mortes. O território é dominado por forças da oposição e é o lar de, em média, 400 mil pessoas. A população local tem sido vítima de um massacre sem precedentes, tendo mais de 700 mortes em um período de três meses.

Segundo a ONG Observatório Sírio para Direitos Humanos (Sohr), 194 pessoas morreram em um intervalo de 40 horas. De acordo com a ONG, o número de mortos da série de ataques iniciadas ontem ainda deve aumentar. Quase 500 pessoas estão feridas, enquanto sete hospitais da região foram bombardeados desde segunda-feira. Dois desses hospitais suspenderam suas atividades e um foi desativado.

Estamos diante do massacre do século XXI”, disse um médico em Ghouta oriental. “O que pode ser mais terrorista do que assassinar civis com todos os tipos de armas? Isso é guerra? Isso não é guerra. Isso é um massacre”.

GUERRA CIVIL SÍRIA

A Guerra Civil Síria começou em 2011, como parte das movimentações impulsionadas na Primavera Árabe. A oposição luta pela deposição do ditador Bashar al-Assad. Além disso, defende a instauração de um regime democrático com expansão dos direitos civis. Por outro lado, o presidente sírio declara estar combatendo “terroristas armados que visam desestabilizar o país”.

Segundo ONGs e ativistas humanitários, o conflito, que já dura 7 anos, acarretou a morte de, pelo menos, 450 mil pessoas. Uma onda de migração para outros países, principalmente na Europa e nas Américas, também é consequência da guerra e tem deflagrado uma série de novas problemáticas e tensões.

Casos como o ocorrido na Líbia, na última quarta-feira (14), são cada vez mais recorrentes e chamam a atenção da comunidade internacional. Um caminhão carregando migrantes refugiados tombou no noroeste do país, causando a morte de 23 pessoas.

O regime de Bashar al-Assad conta com apoio de tropas iranianas e russas. Priorizando o conflito armado a populações vulneráveis ao diálogo político, o conflito na Síria é marcado por graves violações nos Direitos Humanos.

O SÁDICO MASSACRE AOS DIREITOS HUMANOS

Desde o início das tensões, as forças de Assad fazem uso de armas de grande potencial destrutivo. Com milhares de mortes provocadas, os conflitos geram sofrimentos e cicatrizes eternas na vida de civis e da história da humanidade.

Em 2013, na região de Ghouta, 1300 pessoas morreram depois que o regime de Assad passou a utilizar o gás sarin. Nos ataques recentes, as forças governistas utilizaram também barris explosivos. O uso destas e de outras armas é visto como um crime de guerra por fiscais dos Direitos Humanos.

Sem qualquer previsão de melhora, o massacre segue ferindo décadas de desenvolvimento humanitário, principalmente após os desastres da Segunda Guerra Mundial. A guerra hoje não é mais fria, mas quente como o sangue das vítimas dessa série de atrocidades. O mundo segue sua história. Enquanto isso, a crueldade permanece ceifando vidas e transformando vívidos sorrisos em mórbidos cadáveres.

A pergunta que resta é: até quando?

Fonte: The Guardian