Cerca de 2 milhões de procedimentos (diagnósticos e terapêuticos), como cintilografias ósseas usadas no estadiamento de cânceres com suspeita de metástases ósseas, estão ameaçados de não acontecer por conta da interdição do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), um dos principais fornecedores dos radiofármacos destinados à realização de cintilografias ósseas e exames PET-CT, pela Coordenadoria de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de São Paulo, ligada à ANVISA.

A interdição aconteceu no último dia 18, mas anteriormente o IPEN já vem sofrendo com falta de investimentos por parte das autarquias superiores federais. “Mais uma vez a comunidade nuclear brasileira se depara com um revés que ameaça a prática da especialidade e o desempenho de seu papel assistencial para inúmeros pacientes oncológicos, principalmente”, critica o médico nuclear Juliano Cerci, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear.

Cerci explica que o mercado brasileiro conta com uma parcela reduzida de parceiros da iniciativa privada e com atividades limitadas. “Diante de uma situação intempestiva desta magnitude não há condições de suprir minimamente as necessidades dos diferentes insumos de sequer uma fração dos serviços espalhados por todo o País”, pontua.

Estima-se que no Brasil a economia anual da Medicina Nuclear gire ao redor de R$ 1 bilhão e que sejam realizados 1,6 milhões de procedimentos de cintilografias anualmente, sendo destes 450 mil dedicados a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e outros 1,2 milhões para pacientes da saúde suplementar. Em relação à tomografia por emissão de pósitrons (PET), estimam-se cerca de 300 mil procedimentos ao ano, sendo o IPEN um dos principais fornecedores de radiofármacos marcados com Flúor-18 principalmente para o SUS.

A SBMN segue mobilizada, participando de inúmeras reuniões em Brasília desde a interdição, com o IBAMA, Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde e com o próprio diretor presidente da ANVISA e informa que há insumo para a realização dos procedimentos somente até os próximos dez dias. “Já acionamos a ANVISA para termos autorização para importação do insumo, mas aguardamos a conclusão dos trâmites burocráticos para contornar a situação”, finaliza.

Sobre a SBMN
Fundada na década de 60, a Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN) é constituída por médicos especialistas em medicina nuclear e outros profissionais de áreas correlatas, como tecnólogos, radiofarmacêuticos, biomédicos, físicos e químicos, contando com quase 1 mil sócios atualmente. Tem por objetivo integrar e favorecer o desenvolvimento da comunidade médica nuclear e demais profissionais envolvidos no emprego de fontes abertas de radionuclídeos com finalidades diagnósticas ou terapêuticas, promovendo atividades científicas e de intercâmbio entre profissionais de todo o País.

Crédito da foto: Reprodução da internet / IPEN