Pacientes relatam verdadeiros absurdos nas unidades de saúde do município de Petrópolis. Hospital sem água para beber e para higienização dos ambientes, demora para receber atendimento em UPA e salários atrasados, são os principais assuntos abordados nas denúncias recebidas por nossa redação.

 

Denúncias sobre o Hospital Alcides Carneiro (HAC)

Nesta quarta-feira (24/01), uma paciente do Hospital Alcides Carneiro (HAC), que pediu para não ser identificada, nos relatou que a unidade não oferece água potável, para os pacientes e acompanhantes. Além da água, não havia copos descartáveis. Com estas informações, questionamos a Secretaria de Saúde sobre a situação relatada e, através de uma nota, nos respondeu que o hospital disponibiliza bebedouros em várias áreas da unidade, assim como no refeitório.

Logo após a Secretaria de Saúde nos responder, uma outra paciente, Lia Fernandes de Rezende, de 76 anos, entrou em contato conosco relatando sua experiência no HAC, nesta quarta-feira (24). Chegou no Hospital às 15h, passou pela triagem e pela consulta com o médico, e precisou fazer a coleta para exame de urina. Recebeu um recipiente para realizar a coleta e se dirigiu ao banheiro. Ao entrar no banheiro do hospital se deparou com um ambiente sujo, sem condições para uso. Não tinha água nas torneiras! Depois de aproximadamente duas horas aguardando, em torno das 18h, uma funcionária da limpeza acabou fazendo uma higienização superficial para que a paciente pudesse fazer a coleta do material. Durante a espera do resultado, a idosa piorou e sentiu muita dor. Sua vizinha, Roseli Rabello Machado da Costa, de 48 anos, que a levou para o hospital, ficou assustada e procurou por um lugar para a idosa se deitar, mas não encontrou nenhuma maca disponível. Na foto que ilustra a matéria (foto em destaque) a paciente Lia está deitada no chão em frente a porta da capelinha do hospital, sentindo fortes dores.

Estas informações também foram repassadas para a Assessoria de Imprensa da Prefeitura que nos respondeu o que segue:

Todo o atendimento à senhora de 76 anos foi registrado pelo sistema de monitoramento interno e no boletim de atendimento médico. Ela deu entrada na unidade às 15h46 quando foi preenchida a ficha de atendimento e a mesma foi encaminhada para a classificação de risco. Às 17h07 a paciente saiu da sala de atendimento médico e foi encaminhada para realizar o exame de urina que foi realizado dentro do banheiro da unidade, com imagens da senhora entrando no banheiro e saindo com o material coletado. Após o procedimento, ela foi encaminhada para sala de medicação, onde foi realizada a medicação para dor. Às 19h50 o médico da unidade reavaliou a paciente, prescrevendo nova medicação e, posteriormente, dando alta às 20h23. A paciente saiu da unidade com acompanhante. 

Foram realizados 138 atendimentos na unidade durante todo o dia (24.01) onde todos os pacientes foram acomodados em macas ou cadeiras de medicação.

A partir do relato da paciente – feito apenas à imprensa até o momento – o hospital pode abrir sindicância e está com sua ouvidoria à disposição da família da idosa. O boletim é um documento reservado e não pode ser exibido à imprensa, mas nele constam horários, medicação prescrita e as observações do médico que atendeu a paciente.

Um problema de abastecimento da concessionária Águas do Imperador na região do Bonfim, onde é feita a captação interrompeu o fornecimento ao hospital pelas redes normais, porém foi realizado em carros-pipa e reservatórios, plano de contingência normal para estes casos. 

Foram realizadas 8 cirurgias e 12 partos; os 226 leitos estão todos ocupados e foram registrados 138 atendimentos, todos dentro da média diária do hospital.

A distribuição da água de consumo dos pacientes foi feita como de praxe e os acompanhantes receberam água mineral para consumo em detrimento de bebedouros“.

 

A primeira paciente que havia nos contatado, relatou também sobre a falta de pagamento para os funcionários que estão de férias. Eles não receberam seus salários e estão sem previsão para receber.

Sobre esta situação, a Prefeitura informa que “os funcionários da unidade estão com salários e 13º em dia, os profissionais de férias estão recebendo os salários gradativamente ao longo desta semana“.

Recebemos ainda a denúncia sobre o fechamento da Farmácia Popular que ficava dentro do Hospital. A Prefeitura informou em nota que “a farmácia municipal, localizada ao lado do ambulatório Alcides Carneiro, que fornece medicamentos da Atenção Básica (os mesmos que eram fornecidos pela Farmácia Popular) está funcionando normalmente“.

 

Denúncias sobre a UPA Cascatinha

Uma paciente esteve desde as 9h da manhã desta terça-feira (23) na espera para atendimento na UPA Cascatinha e, enquanto aguardava, enviou denúncia para nossa equipe explicando a situação vivenciada por ela na unidade. Ela conseguiu ser atendida às 17h15 (de acordo com a paciente, aguardou mais de 8 horas) e durante todo o período de espera a paciente sentiu muitas dores e fome, pois não conseguiu se alimentar por causa da necessidade de aguardar.

Ainda de acordo com a paciente, todos os funcionários com que teve contato a trataram com certo desprezo.

“…Ainda fui falar a respeito da demora, mandaram eu procurar um particular, sendo que pagamos imposto pra ISS…”, disse a paciente.

– “E todos aqui, tratando a gente com cara de nojo, cara de quem não está satisfeito com o emprego”, conclui.

Ao ser atendida, a médica diagnosticou, com base em um exame de sangue e de urina, que a paciente estaria com uma virose, mas a paciente diz não ter melhorado e que já é a segunda vez que apresenta os mesmos sintomas e o diagnóstico é o mesmo.

Em nota, a Prefeitura informou que “a Direção buscou o atendimento da paciente no sistema para análise do Boletim de Atendimento Médico, mas o nome fornecido pela reportagem não aparece nos registros nem da Upa Cascatinha e nem da Upa Centro. Os atendimentos em ambas unidades transcorreram dentro da normalidade na última terça-feira (23) com média de 150 atendimentos em cada unidade que atuaram com quadro completo de médicos – 4 clínicos e 3 pediatras“.

 

Sobre o pagamento dos funcionários das UPAs

Recebemos também muitas outras denúncias na área da saúde e algumas delas foram referentes ao não pagamento dos funcionários das UPAs. De acordo com as denúncias, os funcionários ainda não receberam os salários de dezembro e de janeiro e o auxílio transporte que não é pago há três meses.

Sobre este assunto, a Prefeitura informou em nota que “os repasses às UPAs estão sendo feitos dentro dos prazos estabelecidos em contrato. A prefeitura destaca que a obrigatoriedade de pagamento dos funcionários cabe ao Consórcio Saúde Legal, e que o compromisso do Consórcio com seu corpo de funcionários, legalmente, não é atrelado aos repasses realizados pelo município. Em contato junto ao Consórcio, eles sinalizaram que os pagamentos começaram a ser realizados nesta quinta-feira (25.01)“.