Conhecido por uma obra erudita com forte apelo popular, o artista petropolitano César Guerra-Peixe fez arranjos de canções populares de músicos como Tom Jobim. Um homem lembrado por ser apaixonado pela arte, e divulgador da cultura nacional.

César Guerra-Peixe nasceu no município de Petrópolis, RJ, em 14 de março de 1914, é filho de portugueses que chegaram ao Brasil em 1893. O pai era ferrador de cavalos, mas gostava mesmo de música e sabia tocar vários instrumentos. Passou este amor para o filho caçula que, assim como ele, aprendeu a tirar canções de várias formas: tocava violão e piano de ouvido aos sete anos. Porém, a sua paixão foi o violino, instrumento no qual se especializou e levou para toda a vida.

Quando era pouco mais do que um adolescente, tocou em lugares tão diversos como bailes, igrejas, restaurantes e gafieiras. Conquistava mais trabalhos porque tinha a capacidade de tocar qualquer canção sem precisar ler a partitura, o que facilitava os pedidos de música nas casas mais populares.

Ao longo do tempo, a carreira do músico começou a prosperar e a ser marcada por fatos singulares. Em 1941, no Conservatório Brasileiro de Música, tornou-se o primeiro brasileiro formado em fuga e contraponto nos moldes do Conservatório de Paris, após um exame de mais de dez horas de duração.

Neste mesmo ano, regeu pela primeira vez uma orquestra em sua estreia no cinema, na trilha sonora do filme “O dia é nosso”, que contava com Paulo Gracindo no elenco.

Apesar de ser normalmente identificado como um compositor clássico, Guerra-Peixe também se destacou como um autor popular. Ele é o autor da marchinha “Fibra de herói”, que também ficou conhecida como “Bandeira do Brasil”. Composta para um programa de rádio, tornou-se popular graças ao clima nacionalista da época da Segunda Guerra Mundial.

Outra canção que se tornou popular com o toque do maestro foi “Pra frente Brasil”, hino brasileiro de autoria de Miguel Gustavo que teve seu arranjo.

Aquele que talvez seja seu trabalho mais famoso tem origem clássica, mas com grande influência popular: Mourão é inspirado no som das rabecas do folclore nordestino. Outras peças do compositor também têm influência maracatu e bumba-meu-boi, entre outras manifestações do povo.

Em 1971, Guerra-Peixe foi eleito para a Academia Brasileira de Música, na vaga deixada por seu antigo professor, Newton Pádua. Ao longo da carreira, o maestro recusou vários convites para morar e se apresentar no exterior, pois acreditava que deveria investir na formação e na popularização da cultura no Brasil.

Como professor, lecionou na Escola de Música Villa-Lobos, fundou a Escola Brasileira de Música Popular, no Museu da Imagem e do Som, na UFRJ e na UFMG.

Guerra-peixe faleceu em 26 de novembro de 1993.

Crédito da foto: Delfina Rocha / Divulgação / Arquivo pessoal