A Guarda Municipal do Rio de Janeiro (GM-Rio) por meio da Coordenadoria de Valorização do Servidor (CVS) realizou, na manhã de terça-feira, dia 24, um ciclo de palestras com o tema “Outubro acolhe a diversidade. Você respeita as diferenças?”, no auditório da Academia de Ensino, na sede em São Cristóvão. O evento teve objetivo promover conhecimentos sobre o tema da diversidade sexual e conscientizar servidores sobre o respeito às diferenças. Estiveram presentes o subdiretor de Operações, inspetor Carlos Cristo, o diretor de Recursos Humanos, Júlio Clemente, além de comandantes de unidades, diretores, coordenadores, guardas e funcionários administrativos.

Ao todo, três palestrantes apresentaram um pouco da vivência e da experiência de vida tanto no ambiente familiar, quanto no profissional.

​ A palestra começou com Jordhan Lessa, primeiro guarda municipal transexual do Rio de Janeiro ​e ​autor do livro “Eu, trans. A alça da bolsa. Relatos de um transexual”, ​lançado em 2014. Há 19 anos na corporação, ele falou sobre os desafios ​e superação que enfrentou ao longo dos anos como militante e ativista LGBT.

  • Eu tinha tudo para dar errado, por tudo que passei. Não foi fácil chegar até aqui. O que está acontecendo hoje é a realização de um sonho, pois é um privilégio poder levar visibilidade e conhecimento a este tema tão importante – disse Jordhan Lessa, que atua na Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS) da Prefeitura do Rio.

Em seguida, a guarda municipal Silvia Guimarães, lotada na Coordenadoria de Informática, ministrou a palestra “ Eu, lésbica e servidora” e falou das experiências na instituição após ter assumido sua sexualidade.

  • Estou aqui para dizer que nós existimos, por isso é necessário nos colocarmos no lugar do outro para entender e, sobretudo, respeitar -afirmou Silvia Guimarães.

Por fim, a advogada Bianca Figueroa palestrou sobre as legislações existentes sobre o tema e também falou sobre conceitos de identidade de gênero, orientação sexual e sexo biológico. Ela passou 22 anos na Marinha onde chegou ao posto de capitão de corveta antes de fazer cirurgia de mudança de sexo na Tailândia. Bianca também falou de questões polêmicas como o uso de banheiros públicos, uso de nome social e crimes que são cometidos contra transexuais no Brasil.

  • O ser humano não escolhe sofrer ou ser discriminado. Esta é uma luta diária e sei que a informação e o conhecimento são duas armas muito importantes para enfrentar o preconceito e o papel da Guarda Municipal é fundamental neste processo de humanizar as pessoas – afirmou Bianca Figueroa ao final da palestra.

Vale destacar que a Prefeitura do Rio instituiu outubro como o Mês da Diversidade sendo comemorado com uma série de eventos como atividades culturais e de promoção de saúde, paradas LGBTs, feiras de empregabilidade e campanhas contra o preconceito e a discriminação.

O evento também serviu para promoção do programa “GM Sem Preconceito”, criado em novembro do ano passado, e gerenciado pela Coordenadoria de Valorização do Servidor com objetivo de conscientizar o efetivo sobre violências muito presentes na sociedade brasileira: o racismo, a homofobia e a violência contra a mulher. A inciativa visa estimular ações individuais e coletivas contra atitudes preconceituosas e desumanas, tanto na vida pessoal dos agentes, como no trato à população.

 

Fonte: Guarda Municipal do Rio de Janeiro – GM Rio