A Guarda Civil e a Universidade Severino Sombra, de Vassouras, vão trabalhar em parceria para o treinamento de cães. O corpo acadêmico vai buscar materiais que possam contribuir para a preparação dos animais que vão atuar fazendo detecção e resgate em escombros. Isso vai permitir que a universidade possa fazer um estudo de campo sobre esse tipo de treinamento. A primeira conversa aconteceu nesta segunda-feira (02.04), durante visita de dois professores da faculdade ao canil municipal.

No encontro, foi debatido que tipo de materiais são mais adequados para o treinamento, formas de armazenagem e fornecimento e quais metodologias serão aplicadas para o estudo. Dessa forma, há a intenção de criar um livro com os resultados da pesquisa, servindo para a literatura do tema no Brasil.

“Nós sabemos da necessidade desse serviço de detecção em escombros em Petrópolis e em toda região Serrana não tem um cão que faça esse trabalho. Essa parceria vem engrandecer o canil e estar com a gente vai contribuir muito com o treinamento que já estamos fazendo”, explica o coordenador técnico do canil da Guarda Civil, Leandro Lopes.

“Nós sabemos do infeliz potencial que a cidade tem de sofrer com chuvas. Torcemos para que não ocorra, mas é possível precisar dos cães. E na hora da necessidade, uma pessoa não vai deixar de ser socorrida em Petrópolis por falta de um cão. O que nós queremos aqui é ajudar nessa preparação e que os conhecimentos possam ser multiplicados, que possa servir de um manual de treinamento para todo Brasil”, diz o biólogo e entomólogo (especialidade que estuda os insetos) forense, Alexandre Ururahy. Além dele, também participou do encontro o professor de medicina legal da universidade, Eduardo Herrera.

Duas cadelas estão sendo preparadas pela Guarda Civil para trabalhar em casos de deslizamentos de terra e pedras. As cadelas Tina e Tarja são pastores belga-malinois de 11 meses de idade e já podem atuar em caso de necessidade. O treinamento delas já ocorre há nove meses e parte da preparação acontece com materiais que tiveram contato com sangue, como algodão, gaze, absorvente.

É a primeira vez que esse serviço será permanente em Petrópolis. Na tragédia de 2011 um cão foi utilizado para ajudar a achar corpos em meio aos escombros no Vale do Cuiabá. Ele pertencia a ONG Cães de Resgate e ajudou a encontrar pelo menos seis corpos.

Além do treinamento, os agentes da Guarda Civil de Petrópolis também estão se preparando para o serviço. Em novembro, Três agentes e o responsável técnico do canil participaram de um seminário internacional de detecção na cidade de Osasco, em São Paulo, para aprender a técnica de treinamento de cães que é utilizada pela polícia da Alemanha.

O canil de Petrópolis tem oito cães adultos que fazem detecção de drogas e armas e que são usados para proteção (são usados, por exemplo, em manifestações e eventos com grande público). Além deles, o canil tem ainda dois animais para terapia com pacientes doentes e também quatro animais mais novos – metade será treinado para detecção de drogas e as duas cadelas para o trabalho em escombros. O canil é mantido com a colaboração de parceiros, que fazem o adestramento dos animais e treinamento dos guardas, atendimento veterinário e doação de alimentos e medicamentos. São 11 agentes os responsáveis pela manutenção do canil.

“O canil de Petrópolis já faz o trabalho de detecção de drogas e armas e também na contenção de brigas, controle de público. Agora, mais um serviço está sendo a ser colocado à disposição da população. Temos certeza de que, se for necessário realizar esse trabalho, essas cadelas vão poder contribuir para salvar vidas ou diminuir a dor de quem perder um familiar ou um amigo”, afirma o comandante da Guarda Civil, Jeferson Calomeni, que recebeu os representantes da Universidade Severino Sombra.

Fonte: Prefeitura de Petrópolis

Crédito da foto: Divulgação / Ascom PMP