Entre fevereiro e novembro, a Ronda Escolar fez 1.873 visitas preventivas a cerca de 130 unidades de ensino do município. O serviço é complementado com a realização de palestras com os alunos e reuniões com os pais para o acompanhamento dos estudantes após eventuais ocorrências. Todo esse trabalho realizado por aqui chamou a atenção da Guarda Civil de Cabo Frio, que veio a Petrópolis nesta semana para conhecer de perto o que é feito por aqui e levar para a cidade da Região dos Lagos, que pretende expandir a atuação por lá.

Hoje, apenas dois agentes fazem a Ronda Escolar por lá, com auxílio da coordenação da seção de ensino da corporação. Douglas Ribeiro dos Santos e Mateus Henrique Júlio Sousa conseguem fazer apenas palestras com o tema “Por mais paz no trânsito”. Nos últimos 100 dias, eles passaram por apenas 20 das 92 escolas da rede municipal de ensino de Cabo Frio.

“A Ronda Escolar é um serviço muito importante por garantir a segurança dos alunos e dos funcionários. Por isso, tem sido dado todo apoio necessário para esse trabalho, com a recuperação das viaturas e aumento do efetivo só para esse serviço. Ano passado, já foi possível triplicar o número de visitas às escolas, e esse ano tudo caminha para ultrapassar a marca de 2 mil visitas”, destaca o prefeito Bernardo Rossi.

Hoje são 16 agentes que fazem as visitas às escolas. A rotina foi ampliada e, desde o início de 2018, passou a acompanhar, além do atendimento de ocorrências e a troca de turno da manhã e da tarde, também a chegada dos alunos nas escolas pela manhã e as unidades que oferecem Educação de Jovens e Adultos (EJA), à noite.

Em meio a isso, os agentes conseguem fazer palestras para tratar de assuntos como o bullying e implementaram, desde o ano passado, a rotina de acompanhar os alunos que geraram ocorrências, como uma forma de trazer os responsáveis para mais perto da solução dos casos e trazer uma mudança de comportamento profunda nesse aluno.

Tudo isso torna a Ronda Escolar de Petrópolis como referência para esse momento de expansão do serviço em Cabo Frio. Por lá, 10 agentes serão integrados ao serviço nos próximos meses e o conhecimento que eles adquiriram aqui será repassado para os novos integrantes.

“Petrópolis hoje é uma das referências quando se fala de Ronda Escolar. Então nada melhor do que aprender com quem já tem um histórico positivo na área. Estamos recebendo 10 agentes para integrar a nossa Ronda Escolar. E nós queremos levar para Cabo Frio, junto com esses agentes, o trabalho de excelência que já é feito por aqui”, diz Douglas Ribeiro dos Santos.

“Nosso objetivo é poder conhecer melhor o trabalho da Ronda. Em cada município é feito de uma forma e aqui nos chamou a atenção o trabalho feito nas escolas de acompanhamento com as crianças. É um serviço diferenciado, não apenas para “podar” o problema, mas para ir na raiz e provocar uma mudança profunda”, afirma Mateus Henrique Júlio Sousa.

Relação com as escolas é ponto positivo

Durante o período em que permaneceram em Petrópolis, os agentes de Cabo Frio passaram por diversas escolas para ter um contato de perto com todas as faces do trabalho realizado na cidade – palestras, atendimento de ocorrências, conversas com os pais, visitas preventivas durante o dia e à noite. Uma dessas escolas que eles conheceram foi a Nilton São Thiago, em Nogueira. Essa foi uma das unidades que já receberam a Ronda Escolar da cidade para falar de bullying com alunos, algo que fez diferença para o colégio.

“A presença da Ronda Escolar ajuda a manter a ordem e a disciplina. A palestra trabalha o que bullying traz de consequência e o que a outra pessoa pode sofrer. Isso ajudou a melhorar alguns alunos, que passaram a relatar para gente que as piadas pararam, que quem praticava bullying pediu desculpas. Com a Ronda, sabemos que temos esse apoio, então só temos a agradecer”, disse a diretora Maria Eugênia Vieira Saldanha, que comanda a unidade que tem cerca de 560 alunos do 1º a 9º ano.

“Temos ido às unidades escolares e tenho ouvido de todas que a Guarda faz a diferença, isso é algo muito bacana que temos percebido”, colocou Julio Sousa.

Além disso, foram explicados outros detalhes operacionais, como a montagem de rotas, as formas de acionamento por parte das escolas, os formulários para relatório das visitas, entre outros pontos.

“Eles precisavam pegar essa experiência e conhecer como funciona a Ronda Escolar em Petrópolis para poder levar para Cabo Frio. Hoje, eles só conseguem fazer uma parte do nosso serviço, que são as palestras. Aqui, além disso, nós fazemos as visitas, as conversas com alunos e com os pais. Esse acompanhamento com as famílias, por exemplo, é algo que eles não conseguem fazer por lá”, explica a coordenadora da Ronda Escolar, Cláudia da Conceição.