Foto: Divulgação

Gilsons lança “Pra gente acordar”, primeiro álbum completo do trio

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Foi em 2018 que, num belo “Dia do Índio”, os Gilsons iniciaram sua promissora carreira, sob esse nome – tão óbvio quanto genial – para cuja escolha concorreu uma campanha “interna” feita simplesmente pela que é mãe de um deles, a de Fran: Preta. Agora, após uma bem-sucedida série de lançamentos, entre os quais os hits “Várias queixas” e “Devagarinho”, José, João e Francisco Gil, respectivamente filho e netos do grande patriarca da família e mestre da MPB, apresentam o álbum de estreia do grupo, “Pra gente acordar”, já puxado por novos singles com seus respectivos clipes: “Duas Cidades” e “Proposta”.

O nome expressa aquilo que o trabalho atesta ser a vocação do trio nesse momento: espalhar uma mensagem auspiciosa de confiança numa nova manhã e celebrar as coisas principais que suas canções transmitem e que são recorrentes nos versos: o amor e a luz; as viagens e os encontros; enfim, o mundo – a se conquistar pelo amor, a que se entregar sem medo. Tudo, enfim, que os Gilsons cantam – e os três cantam, em todas as faixas; todas, sob a produção musical de José Gil.

Pra gente acordar – Surgida antes da pandemia, a parceria de Francisco Gil com Júlia Mestre ganhou um novo sentido com o cenário q se instaurou então no mundo. Canção emblemática do recado do disco, dela exala um sentimento utópico de liberdade e esperança.

Duas cidades – Refletindo a realidade de músicos na estrada, a canção indicia um paralelo com “Norte da saudade”, de Gil. “Samba pop” de João Gil, em outra participação de Júlia Mestre como coautora no disco, explora o tema da viagem e do reencontro (da própria pessoa consigo mesma, inclusive); da ligação entre Rio e Salvador. “Somos três cariocas com veia musical baiana”, resumem. 

Proposta – Iniciada pelo percussionista Léo Mucuri, foi desenvolvida por José Gil e Mariá Pinkusfeld, que acabaram narrando sua própria história como amantes e casal: “Ser seu homem, você minha mulher”. Um verso bonito da letra (“E misturar a nossa cor na vida que brotar de nós”) acabou adquirindo caráter premonitório, pois os dois engendraram duas filhas gêmeas. Romântica e sexual (o verso “Foi de fudê” é muito foda), é uma das mais pops do repertório.

Vem de lá – O tema da saudade e do encontro retorna nesse ijexá inspirado na Bahia, embora a referência a carnaval possa se aplicar a qualquer lugar do Brasil. A composição é a única triceria do grupo quando se isolou no sítio dos Gil em Araras, no Rio, para a pré-paração do disco. 

Bela – De João Gil para sua avó Belina Aguiar, primeira mulher de Gilberto Gil (q a cita em “Volksvagen Blues” e se dirige a ela em “Amor até o fim”) e mãe da sua mãe, a cantora Nara Gil. João a compôs nos 80 anos da ancestral, q viria a fazer sua passagem posteriormente, o q torna a gravação uma homenagem póstuma. Bela era poetisa, professora de Redação, daí as alusões à força das palavras e da poesia, na letra.

Dês – A música de João, aqui em parceria com o letrista Carlos Rennó (q escreve o presente texto), vem a ser outra canção de amor no álbum em q este sentimento se correlaciona com a ideia de luz e, além disso, se expande pra incluir pessoas do círculo da pessoa amada. 

Um só – A noção de orgasmo, aqui, transcende a dimensão do par na aspiração a uma união total dos amantes no momento do gozo, nisto residindo a originalidade do sentimento poético da canção de Francisco Gil – mais uma a rimar amor, destemor (“junto sem medo”) e fulgor (“o sol e o luar”).

O dia nasceu – A canção, outra de Fran, q quase fecha o álbum, retoma, complementando, o sentido da faixa de abertura, “Pra gente acordar”; as duas vibram juntas. Esta sugere a realização do desejo q a primeira expressa – do nascer de um novo dia – e, assim, a concretização da esperança. Novamente as sugestões amorosa e de luminosidade estão lado a lado: “O dia nasceu / E o sol já raiou; / Te quero pra perto, / Me chama que eu vou”.

Voltar à Bahia – Tributo de amor pela “boa terra” criado na saudade do auge da pandemia, o ijexá de Francisco Gil com Clara Buarque, primeira composição dela (neta de Chico Buarque, filha de Carlinhos Brown), guarda um simbolismo: o do retorno às “origens por adoção” como um processo constante, a Bahia como a fonte primordial, original, capital, ancestral. Um lugar onde “se encontrar”. Pra fechar com chave de ouro, a faixa traz algo de especial: o arranjo de cordas do Jaques Morelenbaum.

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