Futuro melhor para o país depende de contas públicas ajustadas, inflação baixa e investimento O ambiente macroeconômico é um dos 11 fatores-chave do Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022. A estabilidade econômica reduz as incertezas e atrai os investidores

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Controlar rigorosamente os gastos e ter uma reserva de dinheiro para o futuro são os dois mandamentos do orçamento familiar de Pedro Contesini e sua esposa, Ananda. Para o consultor de planejamento financeiro e a funcionária pública, a grande vantagem de ter as contas equilibradas é a paz de espírito. “Quem está em apuros, não consegue nem dormir direito”, conta Pedro. Os dois são pais da pequena Aurora, de 1 ano e 3 meses de idade, e moram no Guará, cidade do Distrito Federal.

Se manter as contas no azul para uma família pode parecer difícil, imagine a complexidade para um país. E foi justamente para reequilibrar as contas que o Brasil fixou um limite para o crescimento dos gastos públicos nos próximos 20 anos. Proposta pelo governo e promulgada pelo Congresso Nacional em 2017, a nova regra constitucional ajudou a resgatar a confiança dos empresários e dos consumidores na economia.

O governo também retomou o controle da inflação, o  que permitiu a redução dos juros. Mas é preciso fazer muito mais para o país ter a estabilidade necessária para aumentar os investimentos, estimular a produção e criar empregos.

“Não existem economias no mundo que possam crescer de forma sustentável sem estabilidade macroeconômica”, afirma o diretor de Políticas e Estratégia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Augusto Fernandes.

Por isso, o ambiente macroeconômico é um dos 11 fatores-chave do Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022. “Fundamentos macroeconômicos sólidos reduzem incertezas sobre o futuro e geram confiança para o investidor”, diz o documento elaborado pela CNI. redução de 0,25 ponto percentual nos juros básicos da economia foi uma decisão acertada do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). A avaliação foi feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira, 21 de março, logo depois do anúncio da queda da taxa Selic para 6,5% ao ano. Com isso, o Brasil tem a menor taxa de juros desde 1999, quando o Banco Central adotou o sistema de metas de inflação.

ESTABILIZAÇÃO DA ECONOMIA – Um cenário favorável aos investimentos é tão importante que o empresário Luiz Carlos Botelho, sócio-diretor da Construtora LDN Ltda., diz estar esperando a estabilização da economia para retomar a construção de imóveis residenciais e comerciais. A atividade foi suspensa em 2010 por causa de uma reorganização societária da empresa, que emprega cerca de 450 pessoas em sua sede em Brasília e na filial em Tocantins.

Naquele ano, os sócios decidiram concentrar os negócios em edificações industriais e obras públicas. “Com a crise, a rentabilidade dos projetos caiu e todos os projetos de inovação ficaram à espera de um momento melhor”, diz Botelho, que também preside o Sindicato da Indústria da Construção do Distrito Federal (Sinduscon-DF).

A crise também fez com o que o casal Pedro e Ananda ficasse mais cauteloso. Os dois decidiram adiar a mudança para uma casa maior, para não aumentar os gastos com aluguel. “Uma família que gasta mais do que ganha entra em crise”, adverte o consultor.

Desde que casaram, em 2015, Pedro e Ananda fizeram um acordo: não deixariam que a falta de dinheiro lhes tirasse o sono. E mais: fariam, ao longo dos anos, uma reserva que lhes permitisse uma aposentadoria tranquila.

Ao longo de dois anos, anotaram semanalmente em uma planilha os valores que recebiam e todas as despesas. Com esse controle, o casal sabe exatamente o tamanho das despesas e das economias. Consegue até aproveitar as oportunidades de ganhar com o planejamento. De acordo com o consultor, a família consegue economizar mensalmente de 20% a 30% do que ganha. “Essa economia é a nossa aposentadoria”, reforça.

Na visão da CNI, para alcançar a estabilidade econômica, o país precisa conter a dívida, controlar a inflação, equilibrar as contas públicas. A CNI propõe como metas para o Brasil que, até 2022, a dívida pública não supere 88% do Produto Interno Bruto (PIB), a inflação fique em 3,5% ao ano, o resultado primário do setor público saia do negativo e alcance um superávit equivalente a 0,3% do PIB.

CONTROLE DE GASTOS – Na avaliação de José Augusto Fernandes, mesmo com a regra constitucional que limita o crescimento dos gastos, o controle da expansão da dívida pública é um desafio para o país. “A reforma da Previdência é importante para a estabilidade no médio e no longo prazo”, afirma Fernandes.

Segundo ele, o equilíbrio fiscal permitirá a redução da taxa de juros para padrões internacionais e aumentará a confiança dos investidores, abrindo o caminho para o crescimento sustentado.

A economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, concorda que a reforma da Previdência é a “espinha dorsal” do ajuste fiscal, mas insuficiente para estabilizar a dívida pública como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos anos. “Serão necessárias políticas adicionais de corte de gastos”, diz ela.

O tamanho do corte, destaca Latif, dependerá das mudanças nas regras de concessão das aposentadorias. Se a reforma da Previdência for pouco ambiciosa, a pressão por cortes de gastos será maior. “O rombo é muito grande. Não tem outro jeito”, afirma a economista.

Nas crises fiscais do passado, lembra Zeina Latif, o governo aumentava os impostos para cobrir o rombo das contas públicas. “Hoje, politicamente, é inviável aumentar a carga tributária. O jeito é cortar gastos”, acrescenta.

Ela avalia que o Brasil está diante de uma das maiores crises fiscais da sua história. Mas já discute uma agenda de reformas para equacionar o problema.  “O próximo presidente da República terá desafios enormes para garantir o cumprimento da regra de ouro e de limite do crescimento do gasto”, prevê.

CUSTO DE CAPITAL E POUPANÇA INTERNA – Além do equilíbrio fiscal, o Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022 destaca que o investimento é fundamental para a melhoria do ambiente macroeconômico. A meta proposta pela indústria é aumentar a taxa de investimento dos 16,4% do PIB registrados em 2016 para 21% do PIB em 2022.

“Altas taxas de investimento representam melhoria na infraestrutura, máquinas e equipamentos tecnologicamente atualizados e maior geração de conhecimento nas empresas”, informa o Mapa.

Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram que a taxa média de investimentos no Brasil é mais baixa do que a de outros países emergentes como China, México e Chile. Para elevar a taxa de investimentos, a CNI recomenda o aumento da capacidade de poupança do país.

Isso requer a redução dos gastos correntes do governo e o estímulo à poupança das famílias.  Outra iniciativa necessária é a redução do custo dos investimentos. Essa iniciativa exige a desoneração dos investimentos e a redução do custo de capital.

PRÓXIMO CAPÍTULO – O tema da próxima reportagem da série especial sobre o Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022 é Segurança Jurídica, que vai ao ar no dia 27 de março. Acompanhe!
 

Foto: Diretor de Políticas e Estratégia da CNI, José Augusto Coelho

Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI)

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