O nível de atividade produtiva nas indústrias de Petrópolis voltou a cair em setembro, como mostra a quarta edição da série Retratos Regionais – Cenário Econômico, divulgado pela Firjan esta semana. O diagnóstico ao longo do ano mostra uma grande oscilação com resultados positivos e negativos, com uma trajetória de crescimento lento. O volume de produção registrou 48,7 pontos e as demandas por produtos tiveram que ser supridas pelos estoques (44,2). O quadro se assemelha ao do Estado do Rio e a maioria das regiões fluminenses.

A condição financeira das empresas do município segue ruim. Os empresários apontaram a dificuldade de acesso ao crédito e margem de lucro comprometida como motivos para a péssima saúde financeira dos negócios. A elevada carga tributária, que soma quase 50% de tudo o que se produz, a demanda interna insuficiente e os juros altos, também são apontados como entraves para a atividade industrial.

A boa notícia vem quando a pergunta se refere aos negócios nos próximos meses. Mais confiantes que a média do Brasil e do Rio de Janeiro, os empresários de Petrópolis acreditam que as exportações (62,5) podem puxar a maior demanda por produtos (57,8) e um aumento da compra de matéria-prima (54,3).

“A contratação de empregados e novos investimentos não serão feitos agora. Isso só deve ocorrer após as empresas equilibrarem seus caixas, voltarem a produzir em bom volume e se sentirem seguras quanto a situação econômica e política do Brasil e do Rio de Janeiro”, explica a analista de estudos econômicos da Firjan, Júlia Pestana.

Analisando especificamente o estado do Rio, a retomada econômica ainda é lenta e concentrada em poucos setores, justificada pela sua situação fiscal, uma das mais graves do país. Como ilustração está o fato de que somente as regiões Centro-Sul e Centro-Norte Fluminense tiveram resultados de produção crescente.

Para 2019, as previsões de crescimento da economia são mais promissoras. A Federação projeta o maior crescimento do PIB dos últimos cinco anos para o Brasil (2,8%, ante 1,3% previstos para este ano) e prevê que o Rio alcance crescimento de 3%, contra 1,1% esperado para 2018.

Esse é o cenário-base, mas, considerando o horizonte otimista e o pessimista, os percentuais de expansão da economia podem oscilar de 1,3% a 3,9% no país, e de 1,6% a 3,9% no estado.

Segundo Nayara Freire, analista de Estudos Econômicos da Firjan, a expansão fluminense no ano que vem será puxada pela indústria, apoiada na cadeia de Petróleo e Gás. Com isso, a expectativa é de melhora na arrecadação de royalties, na renda e no consumo das famílias, o que pode aquecer também o setor de serviços.

“Será uma janela de oportunidade, um alívio no resultado das contas públicas, mas é preciso enfatizar a importância das reformas estruturais, principalmente da Previdência, e do papel do ICMS para a competitividade, de modo a criar um ambiente favorável à retomada da atividade e do emprego”, pontua Nayara, lembrando a crise fiscal enfrentada nos três níveis – federal, estaduais e municipais – e o momento de expectativa diante dos novos governos.

A série Retratos Regionais- Cenário Econômico traz palestras online sobre a economia do estado do Rio. Especialistas da Firjan analisam dados sobre todas as regiões do estado, além dos cenários econômicos internacional e do Brasil. As palestras, estão disponíveis no Youtube pelo endereço https://goo.gl/87X6BD.

Fonte: Firjan