A relevância da participação dos portos privados na dinâmica econômica do país foi destaque da 37ª edição do Encontro Nacional de Comércio Exterior (ENAEX  2018), que aconteceu no Rio de Janeiro, nos dias 15 e 16 de agosto. Para tratar de temas limitadores que afetam o setor portuário privado, como acessibilidade aos terminais, dragagens de manutenção, valores dos serviços de praticagem e a relação das tarifas portuárias e custos, o diretor-presidente da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Murillo Barbosa, apresentou os principais pontos que interferem na eficiência do transporte de produção no Brasil, com destaque às soluções para redução de custos logísticos e elevação da competitividade.

Na última semana, a ATP divulgou levantamento em que demonstra que os investimentos privados em infraestrutura portuária superaram o aporte público no setor em todo Brasil. De acordo com o relatório da entidade, entre 2013 e 2017, para aumentar a capacidade de operação de 11 Terminais de Uso Privado (TUP), as empresas empregaram mais de R$ 4 bilhões, cinco vezes mais que o setor público. Na região Sudeste, nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, os valores aplicados em terminais privados, no período, correspondem a mais de R$ 2,8 bilhões, que equivalem a 70% do montante.

Para o presidente da entidade, Murillo Barbosa, a eficiência no escoamento da produção brasileira está diretamente relacionada à necessidade de investimentos robustos no setor e, especialmente, nos projetos de acessibilidade via terrestre, em rodovias e ferrovias. “Recentemente, o governo lançou o Plano Nacional de Logística (PNL), o qual aponta, justamente, a necessidade de mudança de direção nas matrizes logísticas, favorecendo não apenas investimentos em rodovias, mas ampliando o setor ferroviário. A partir dessas obras estruturais, junto aos projetos de expansão portuária, será possível otimizar as operações de carga e descarga, agilizando o fluxo e o aumento da capacidade transportada, além de ampliar a geração de emprego”, detalhou.

Ainda na avaliação de Barbosa, a infraestrutura portuária do Brasil já está em pleno funcionamento, mas a intermodalidade para escoamento da produção ainda é um gargalo e uma das principais pautas de discussão do setor: “Os nossos números provam que o setor portuário precisa ser reconhecido como estratégico para a recuperação da economia brasileira. Para isso, é imprescindível o investimento robusto em acessibilidade, que otimize a conexão entre os portos e as empresas que exploram suas instalações”, ressaltou.

RESULTADO – No Porto do Açu, em São João da Barra, Rio de Janeiro, as expectativas de otimização das operações sofrem influência direta das projeções de aprimoramento dos acessos logísticos, contemplados pelo PNL. Em curva ascendente desde a fundação, em 2014, o Porto Fluminense aplicou R$ 12,4 bilhões em investimentos. Em 2017, recebeu 2,4 mil embarcações, um resultado 155% maior em relação ano anterior.

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