Falhas no linhão de transmissão de Belo Monte provocaram um apagão em centenas de municípios das regiões Norte e Nordeste do País na tarde de hoje. Os Problemas têm ocorrido com alguma frequência e já eram alvos de questionamentos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O efeito dominó na queda de energia ocorre porque a rede de Belo Monte está conectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN), o qual conecta todos os Estados do País, com exceção de Roraima, o único que está fora dessa rede.

A concessionária Norte Energia, dona da hidrelétrica de Belo Monte, descumpriu 23 medidas técnicas de segurança que tinham o propósito de evitar desligamentos de suas operações. O não atendimento às exigências levou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a notificar a concessionária há menos de um mês, no dia 23 de fevereiro.

Em ofício enviado ao diretor-presidente da Norte Energia, Paulo Roberto Ribeiro Pinto, a Aneel informava que, a partir de dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), “identificou-se a existência de 23 pendências com prazo vencido” em relação a recomendações feitas à hidrelétrica. Essas pendências, destacou a Aneel, referiam-se a duas medidas preventivas vencidas em 2018 e outras 21 em 2017. Todas as recomendações estão relacionadas, informou a agência “a diversos desligamentos associados ou não a perturbações sistêmicas”.

A agência deixou claro que “a não implantação das ações acordadas em tempo combinado poderá ter como consequência a reincidência de novos desligamentos associados às mesmas causas e com transtornos durante as perturbações”.

A linha de 2,1 mil quilômetros (km), operado pela concessionária Belo Monte Transmissora de Energia (BMTE), controlada pela chinesa State Grid, entrou em operação em 13 de dezembro do ano passado, antecipando o cronograma original em dois meses. Nas últimas semanas, porém, apurou o Estado, a linha apresentou quedas e comprometeu o abastecimento de toda a hidrelétrica em construção no rio Xingu, no Pará.

A linha de transmissão, que custou cerca de R$ 5 bilhões, tem início no município de Anapu, no Pará, a 17 quilômetros de distância da usina, e corta 65 municípios de quatro Estados – Pará, Tocantins, Goiás e Minas Gerais -, até chegar ao município de Estreito, na divisa de Minas e São Paulo.