Muitas historias já escutamos sobre esta doença emblemática que mistura mitos e verdades sobre esta patologia. A questão mais importante é: Esporotricose tem cura? Primeiro é fundamental esclarecer o que é a Esporotricose e sua situação no Estado do Rio de Janeiro.

Trata-se de uma infecção causada por um fungo, chamado Sporotrix schenkii, que é encontrado em solos ricos em vegetais em decomposição. Tradicionalmente a transmissão é por inoculação em feridas cutâneas, mas hoje além das plantas espinhosas temos um importante vetor que sofre imensamente com a doença, sendo o maior disseminador da mesma entre os humanos e os animais, no caso os gatos.

Os cães também são vítimas dessa doença, portanto em menor proporção. Anteriormente esta doença era denominada doença do jardineiro, hoje se aplica mais a profissionais que lidam com animais de estimação. No meio desta falta de políticas públicas eficazes de controle sanitário e populacional dos animais domésticos temos o aumento absurdo dos casos de Esporotricose no país. Infelizmente o Rio de Janeiro carrega a marca de campeão mundial desta doença e muito preocupados com este aumento, profissionais da saúde, sobretudo médicos veterinários, dentre outros profissionais de saúde vem alertando a população para esta crescente demanda.

Atualmente o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro exige a obrigatoriedade da notificação compulsória aos órgãos de vigilância sanitária do Estado. Para resolver essa questão é necessário criar uma campanha de esclarecimento à população, conscientizando-a da importância do seu animal sempre ser levado ao veterinário para ser diagnosticado.

  • Se nós, donos de consultórios veterinários, mantivermos a boa higiene dos mesmos, tendo cuidados básicos de manejo e alimentação, mantendo-os castrados, certamente estaremos contribuindo para animais mais saudáveis. Neste contexto, uma vez que hoje pets são animais que fazem parte da família, teremos uma casa mais saudável – afirmou Rosana Portugal, veterinária há mais de 20 anos.

A doença é transmissível ao ser humano e requer extremo cuidado de manejo para evitar uma contaminação indesejável. Alguns veterinários já foram acometidos pela doença por conta da arranhadura de gatos contaminados, bem como, tosadores, auxiliares de veterinária e até os proprietários. Mas observa-se que o risco maior é com pessoas em extremo de idade: crianças e idosos. Nestes indivíduos observa-se que a imunidade é menor e então o fungo encontra maior facilidade de agir. Temos ainda o problema dos gatos abandonados na Cidade Imperial, que eventualmente viram um foco de contaminação importante aos gatos domiciliados.

  • Nós, médicos veterinários, somos responsáveis pela divulgação de boas práticas de higiene e saúde pública. Sempre como colaboradores preparados em orientar, prevenir e tratar, não só esta doença como várias outras. Exterminar ou segregar animais contaminados é uma prática que decorre da ignorância e do medo do desconhecido, por isso a informação deve ser buscada nos órgãos competentes de Saúde Pública e aos profissionais especializados no assunto – concluiu Rosana.

Por: Gabriel Malheiros