Apesar de ter apenas 4 minutos o clipe da música “This is America” de Childish Gambino (codinome para Donald Glover) superou as barreiras e conquistou números incríveis nos primeiros dias.  100 milhões de visualizações ainda são pouco perto da genialidade do clipe. Repleto de críticas e fatos históricos, a música gerou uma série de debates nas redes sociais.

Para alguns o clipe representa uma denuncia da violência e do usa das armas de fogo, para outros é uma crítica ao sistema prisional e mercantilização dos negros. Múltiplas interpretações estão surgindo.

Entenda algumas cenas e seu contexto histórico:  

Crianças mexendo no celular remetem ao acontecimento de março de 2018. Um jovem negro de 22 anos foi assassinado pela polícia que confundiu seu celular com uma arma. A cena e o acontecimento denunciam o fato de que assume que um homem negro é imediatamente culpado de qualquer crime.

A cena de coral de jovens afrodescendentes que são mortos a tiro pelo rapper é uma clara alusão ao massacre de Charleston. O crime de ódio chocou o país em 2015, quando nove jovens foram assassinados na sua Igreja Episcopalpor Dylann Roof, motivado por ignorância e preconceitos raciais.

No início do vídeo, a expressão no seu rosto faz alusão ao Uncle Ruckus, personagem das histórias em quadrinhos e da série de animação The Boondocks. O personagem é um homem velho que embora seja negro, odeia e despreza toda a sua cultura. Chega a negar a sua identidade, alegando que tem uma doença que mudou a cor da sua pele.

O minuto 0:52 se refere as leis de Jim Crow. Jim Crow era uma forma pejorativa de se referir às pessoas negras escravizadas e depois virou nome de um conjunto de leis que legitimavam a segregação racial nos EUA. 

 

Essa cena causa comoção, pois representa o pai de um garoto negro assassinado por um vigilante. Esse caso iniciou uma série de protestos nos EUA.

 

 

Entre as diversas referências Gambino visa ultrapassar os limites que a sociedade branca construiu para ele. Com This is America afirma que não vai aceitar o racismo disfarçado de elogio, o preconceito escondido na admiração e a segregação que, de uma forma ou de outra, continua pautando o seu país.