Agora é para valer! Os primeiros projetos para a implantação da Indústria 4.0 no setor têxtil e de confecção brasileiro já estão em planejamento. CEOs, executivos e representantes do BNDES, da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), de unidades do SENAI, da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção e do Sindicato do Vestuário estiveram reunidos no Rio de Janeiro para o primeiro encontro do MBI em Indústria Avançada: Confecção 4.0, oferecido pelo SENAI CETIQT. A especialização vai prosseguir pelos próximos seis meses, com encontros presenciais e à distância.

“O sonho está se materializando. Começamos hoje a dar corpo a uma comunidade que pode construir na prática a fábrica do futuro. É preciso unir várias competências; por isso estamos aqui. Temos rodado continentes e estamos muito satisfeitos em constatar que caminhamos lado a lado com o que há de melhor no mundo em termos de Indústria 4.0. A implementação no setor têxtil brasileiro começou”, disse Fernando Pimentel, presidente da ABIT, na abertura do evento, ocorrido em um hotel da orla da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Duas empresas de confecção da capital e outra de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, estão participando do MBI Confecção 4.0: a DeMillus, gigante do setor de lingerie; a Lucitex, também de lingerie, de Nova Friburgo; e o Grupo Soma, que abriga grandes marcas voltadas ao público jovem, como FARM, Animale e Foxton.

“Estamos aqui para entender os problemas, os desafios, que não são só nossos mas de todas as empresas. A ideia é absorver as informações e buscar as melhores soluções dentro do grupo Soma. Hoje a gente tem um foco muito forte na Indústria 4.0. Tem algumas técnicas que a gente já utiliza. Implementamos pequenas soluções, testamos e se funcionam colocamos em escala geral. Já fazemos isso. Temos hoje um time com esse mindset, um trabalho muito forte nessa cultura, então o grupo já está migrando para isso. A empresa quer ser competitiva e essa competitividade está fazendo a diferença, a gente está crescendo de forma estruturada muito em função desse mindset. Por isso estamos aqui buscando sempre a inovação”, comentou Alisson Calgaroto, executivo do Grupo Soma, do Rio de Janeiro.

É o que busca também a DeMillus, líder no mercado de lingerie no Brasil, com fábrica na Penha, subúrbio carioca.

“Hoje somos uma empresa top of mind no segmento de lingerie. Estamos sempre buscando novas tecnologias para nos manter na liderança e que ainda reduzam a complexidade de nossos processos, aumentando a produtividade e otimizando a mão de obra. Sabemos que a Indústria 4.0 vem para desenhar o futuro no setor, alinhado à sustentabilidade. Temos certeza de que esta especialização tem tudo para somar, com muita sinergia em nossa empresa, para que possamos continuar implantando novas tecnologias e novos processos”, afirmou Kley Pontes Bezerra, superintendente industrial da DeMillus.

Já a representante da Lucitex, confecção de menor porte de Nova Friburgo, na Região Serrana, faz indagações em torno da mão de obra na fábrica do futuro.

“A pergunta que nós, do ramo de confecção, estamos fazemos é se o profissional da costura vai ou não deixar de existir. Como fazer com que o trabalho seja interessante, de forma que as pessoas queiram continuar atuando no setor de moda e confecção? A mão de obra no setor é muito intensa e tirá-la desse processo será um imenso desafio. Outro desafio é que a moda exige todo dia um produto novo, mais exclusivo. Como fazer com que a indústria automatizada, baseada em tudo que iremos aprender aqui, atenda também essa questão da inovação, do produto personalizado e, principalmente, do valor agregado ao produto?, indaga Leia Porto, da Lucitex, de Nova Friburgo (RJ).

No primeiro encontro já se percebeu a pujança da iniciativa, com as diversas mesas redondas que se formaram com representantes de 30 empresas de grande, médio e pequeno porte – Vicunha, Cataguases, Demillus, Karsten, Malwee, Coteminas, Guararapes, Renner, Grupo Soma, JGB, Altenburg, Lucitex, Sol da Terra e DellRio, entre outras; além de 15 representantes de instituições como SENAIs, ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções) e Federação das Indústrias do Paraná. Todos foram instigados a falar das dificuldades e desafios que enfrentam e a trocar ideias entre si, já pensando na elaboração de projetos baseados nos parâmetros da Indústria 4.0.

Mas, para concretizar projetos, é preciso investimento e apoio financeiro. Por isso a importância da presença do Superintendente do BNDES, Cláudio Figueiredo Coelho Leal, que esclareceu aos participantes como o Banco pode financiar esses projetos.

“Aqui neste MBI estamos falando de projetos com características e risco tecnológico muito maiores do que os de um projeto convencional; por isso eles vão receber tratamento diferenciado e prioritário do BNDES. O apoio do banco a esse conjunto de empresas propõe condições de financiamento mais vantajosas no que diz respeito a custo, prazo e uma composição de garantias mais adequadas às características, ao porte e aos projeto dessas empresas”, pontuou.

Em relação às taxas de juros, Claudio afirmou ficar em torno de 11 a 12%, mas com três características importantes: “prazos de financiamentos mais longos, pouco comuns no mercado, uma vez que um  projeto de inovação precisa de mais tempo para se mostrar viável; a segunda são níveis de participação mais altos. Para micros, pequenas e médias empresas, é possível o banco financiar até 100% do projeto. E a terceira diferença é a possibilidade de a empresa, dadas as características, ter um tratamento mais adequado do ponto de vista das garantias. Falando claramente, há possibilidade de haver dispensa de garantias reais, sob condições”, explicou Leal.

Na ocasião, a GS1 Brasil (Associação Brasileira de Automação), que também atua em parceria com o CETIQT, apresentou aos alunos-executivos a proposta de participação em uma missão técnica à Universidade de Aachen, na Alemanha. “Escolhemos a Alemanha porque este país é o berço da tecnologia 4.0. Lá temos uma gama de atividades voltadas à Indústria 4.0. Visitaremos um instituto voltado especificamente para a área têxtil, com todas as tecnologias e inovações já criadas e em implantação. Temos certeza de que para os participantes deste MBI, voltado para a tecnologia, conhecer o berço da Indústria 4.0 é um casamento perfeito”, comentou Renata Salvi, representante da GS1 Brasil.

“Este MBI está organizado para definir estratégias para fortalecer o setor e torná-lo protagonista na implantação do modelo 4.0 no Brasil. Da mesma forma que a indústria têxtil foi protagonista da 1ª Revolução Industrial, queremos ser também desta 4ª. Para fazer isso temos que nos organizar, reunir as grandes empresas e os grandes financiadores do país a fim de que possamos definir os próximos passos. Este é o pontapé inicial da 4ª Revolução Industrial no setor têxtil e de confecção”, comentou Robson Marcus Wanka, gerente de educação do SENAI CETIQT.

O MBI em Indústria Avançada: Confecção 4.0 seguirá por cinco eixos temáticos: Estratégias de Inovação e Posicionamento de Negócio; Materiais e Produtos; Processo Produtivo; Confecção 4.0 e Projeto e Análise de Viabilidade. E, para que a imersão nesses temas viabilize a modernização do parque fabril brasileiro, os participantes terão a orientação de grandes especialistas do Brasil e do exterior. E o que é inovador: de forma totalmente colaborativa, com todos os participantes compartilhando conhecimentos, trocando ideias e informações.

Ao longo de toda a especialização, os alunos-executivos contarão com aulas, palestras, videoaulas e dinâmicas colaborativas com vários especialistas, profissionais conceituados em suas áreas de atuação, que compartilharão conteúdo e darão dicas e orientações para que os participantes incluam cada vez mais soluções tecnológicas em seus processos e possam aos poucos implantar em suas fábricas o modelo 4.0.