Levantamento da Abril Inteligência realizado com apoio da AstraZeneca e Curso Endodebate, mostra que 30% dos diabéticos possuem algum problema de saúde decorrente da doença, sendo problemas na visão estão entre os mais comuns. 

As principais complicações relacionadas ao diabetes (tipo 2), foram abordadas por especialistas médicos de todo o país reunidos em São Paulo, no AZ Talks, evento de atualização científica que discutiu os principais desafios e estratégias para o tratamento da doença.

Visão: 

Para o Dr. Arnaldo Bordon, o controle do diabetes vai muito além das metas glicêmicas: – Geriatras, oftalmologistas, cardiologistas, nefrologistas e endocrinologistas possuem um papel essencial para o controle da doença. O controle glicêmico é fundamental, mas não é esse fator isolado que fará o paciente ter total controle do diabetes.

O especialista destacou ainda que complicações silenciosas, como a retinopatia diabética, podem causar cegueira se não diagnosticadas e tratadas corretamente.

  • Por meio do exame de fundo de olho é possível detectar se a vascularização está normal, e pode identificar precocemente alguma alteração – comentou Dr. Bordon.

Rins merecem atenção: 

Os problemas renais também são outra complicação frequente do diabetes (tipo 2). No entanto, a nefropatia diabética ainda não é conhecida por grande parte dos brasileiros. Apesar de essa ser a principal causa de insuficiência renal crônica terminal no mundo, apenas 58% dos diabéticos sabem que a doença possui relação com problemas nos rins, ao passo que entre os não diabéticos o conhecimento é ainda menor, somente 37% afirmaram conhecer a relação entre o diabetes e doença renal.

Para o Dr. Roberto Pecoits, nefrologista e professor titular da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, a prevenção passa por um olhar atento dos especialistas aos exames clínicos dos pacientes.

  • É fundamental fazer o rastreamento da doença renal por meio dos exames laboratoriais. Diante de exames simples, como de sangue e urina, é possível identificar como está a função renal e realizar a estratificação de risco do paciente diabético – explica Dr. Roberto.

Formigamento e dormência nos membros: 

A realização insuficiente de exames é um fator preocupante para o desenvolvimento de complicações associadas ao diabetes. Ainda segundo dados da pesquisa, menos da metade das pessoas com diabetes relatou ter passado por exames cardiológicos e/ou renais no último ano e apenas 16% tiveram os pés examinados, o que é essencial na investigação de outra complicação comum: a neuropatia diabética.

Segundo o Dr. Denis Bichuetti, Professor Adjunto da Disciplina de Neurologia da UNIFESP e assistente do setor de neuroimunologia e doenças desmielinizantes da UNIFESP, cerca de 30% dos diabéticos desenvolvem algum tipo de neuropatia periférica ao longo da vida.

Para evitar as complicações associadas, os especialistas alertam que a mudança no estilo de vida, como hábitos saudáveis, é essencial para prevenção e controle do diabetes e seus efeitos. Na prática, o levantamento da Abril Inteligência mostra que dos 58% dos diabéticos que tem uma alimentação balanceada, apenas 23% afirmaram praticar atividades físicas entre 3 a 4 vezes por semana, frequência considerada ideal pela comunidade médica.

Por: Gabriel Malheiros