A Corrida de Orientação é um esporte disputado de maneira individual, sendo praticada em terrenos em meio a natureza, com o intuito de percorrer diferentes pontos destacados em um mapa distribuído aos participantes. Nas corridas também é permitido o uso de uma bússola para auxiliar os atletas. Quem fizer o trajeto em menos tempo, ganha! A corrida contra o relógio é supervisionada por um chip que fica no braço direito dos competidores. Com isso, torna-se obrigatório a passagem pelos pontos estratégicos do percurso.

O esporte pode ser dividido em quatro modalidades, tais como: Pedestres, Mountain Bike, Precisão (especial para cadeirantes) e Ski (praticado em lugares onde há neve). A Orientação não pode ser considerada uma modalidade esportiva radical, tendo como regras básicas passar por todos os pontos de controle (PCs), marcar o cartão de controle corretamente e preservar a natureza, já que a mesma compõe o campo de jogo.

A Corrida de Orientação foi criada em meados do século XIX, oriunda dos países nórdicos que estavam se preparando para conquistar cada vez mais territórios. Os militares trouxeram a Corrida para o Brasil em 1970, e em 1999, foi criada a Confederação Brasileira de Orientação (CBO).

Com viés militar desde suas raízes, a Orientação fortalece o espirito de equipe desde que começou a ser popularizada, ao final do século XIX. De acordo com Jorge Montenegro e Rodrigo de Souza, ambos militares, o esporte é mais estruturado dentro das Forças Armadas, contando com competições nacionais e mundiais.

Dupla não imaginava que a Orientação poderia ser um objetivo de vida

Tudo começou ainda na escola, mais precisamente no Ensino Fundamental. Escola Estadual Municipalizada Vereador Sidney de Mello Freitas foi o local que Jorge Montenegro e Rodrigo de Souza deram os primeiros passos rumo ao sonho de conquistar o mundo, defendendo as fardas que vestem atualmente.

Montenegro comentou que no início nem imaginava ganhar o que já ganhou e que havia esperança apenas de ganhar medalhas viajando para competir. Rodrigo afirmou ser bastante competitivo, mas que também não tinha noção de onde poderia parar.

Atualmente a dupla faz parte do Programa Atleta de Alto Rendimento, alocado no Ministério do Esporte, sendo criado para fomentar a Corrida de Orientação no Brasil e consequentemente ter uma representatividade maior nas competições internacionais. Além do Programa reunir atletas de Orientação, outras modalidades também estão integradas junto ao Ministério do Esporte.

Rodrigo de Souza em meio ao campo de jogo

Dentre as competições que Rodrigo de Souza participou, o garoto de 21 anos ganhou cinco estaduais e um brasileiro, no qual disputou pela categoria “elite difícil e muito competitiva” (H18E). As siglas representam o sexo do competidor, a idade e a inicial da categoria, respectivamente.

Jorge Montenegro desfrutando do lugar mais alto do pódio

Jorge Montenegro por sua vez levou a medalha dourada para casa em seis oportunidades estaduais, além de ter ganhado o Troféu Sudeste, a Copa Nordeste, o Campeonato Brasileiro Estudantil e duas vezes o Campeonato Brasileiro, organizado pela Confederação Brasileira de Orientação (CBO). Jorge ainda esteve no lugar mais alto do pódio em um Sul-Americano organizado pela Federação de Orientação do Uruguai.

Em 2016, Montenegro e Rodrigo estiveram em Portugal para a disputa de três competições diferentes, sendo elas: Portugal Orienteering Meeting, North Alentejo Orienteering Meeting e Lisbon Orienteering Meeting.

Após vivenciar esta experiência, os dois afirmaram em entrevista ao Blog do Malheiros, que “na Europa o nível é bem mais elevado do que no Brasil”, concluindo que “o mapa utilizado pelos europeus é de fácil entendimento” e “os percursos são elaborados com maior qualidade”.

De Paty do Alferes para o mundo

Jorge Montenegro e Rodrigo de Souza têm grandes objetivos à concluir dentro do esporte. Jorge ainda quer defender as cores da Marinha em um mundial, enquanto Rodrigo sonha correr pela Aeronáutica em uma competição do mesmo nível. Vale ressaltar que os dois tem a petente de 3º sargento nas respectivas Forças.

Rodrigo comentou que tanto ele quanto Montenegro disputam as mesmas competições, portanto em categorias diferentes. Majoritariamente as disputas são organizadas por confederações ou federações, mas que contra civis e militares também. Além disso, ambos já perderam as contas de quantas medalhas ganharam, pois apesar de estarem no pódio, também ganham quando participam dos campeonatos.

O calendário de competições é estipulado junto com seus treinadores, mas eles ainda podem disputar outros campeonatos que não estejam dentro do planejamento. Os atletas contam com CT dos Afonsos, onde está alocada a Comissão Desportiva da Aeronáutica. Fora isso, eles disseram que sempre estão viajando para treinar em diferentes terrenos, escolhendo onde há o melhor mapa, ou seja, o melhor percurso.

Grande parte das pessoas envolvidas no esporte são militares e talvez por isso a Corrida de Orientação quando organizada pelas Forças são mais estruturadas. No Brasil ainda é difícil viver somente da Orientação, levando em consideração o tempo que a modalidade está sendo desenvolvida no país. Na Europa a visão é diferente dos brasileiros, haja vista que a Orientação nasceu lá. A paixão pelo esporte é fundamental para que o crescimento continue, segundo Jorge e Rodrigo.

Coronel Sérgio Brito é o nome da pessoa que incentivou Jorge Montenegro e Rodrigo de Souza. De acordo com os dois atletas, Sérgio foi um pai dentro do esporte, cobrando treinos e consequentemente, desempenho.

Os atletas que sonham em conquistar o mundo levam o esporte muito mais à sério a quando começaram. Atualmente eles respiram Orientação e a chamam de suas vidas! Claro, sem esquecer de suas raízes – o mais importante.