Foto: Sérgio Castro/Estadão Conteúdo (7.nov.2016)

CUT faz disparos em massa no WhatsApp de materiais a favor de Lula, denuncia jornal

Segundo denunciado e investigado pelo jornal "Metrópoles", empresas foram contratadas para disparar informações na rede social com o objetivo de eleger o pré-candidato do PT. A suposta prática configura-se crime e pode tornar Lula inelegível.
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De acordo com o que foi denunciado primeiramente pelo jornal “Metrópoles” e posteriormente replicado em outros veículos de imprensa, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) estaria usando grupos no WhatsApp para enviar material de apoio ao pré-candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Dirigentes da entidade também teriam afirmado utilizar empresas para fazer os disparos na plataforma.

O jornal Metrópoles conseguiu ter acesso a vídeos que mostram o secretário de comunicação da CUT e o secretário-adjunto, orientando membros da organização sobre o uso eleitoral das chamadas “Brigadas Digitais”. Este método é semelhante ao que levou a chapa do atual presidente Jair Bolsonaro (PL) ser julgada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no ano de 2019, após denúncias de que o então candidato, na época filiado ao extinto PSL, tinha empresário realizando o disparo em massa de mensagens através do WhatsApp.

A chapa acabou não recebendo punição, mas a Corte criou uma resolução na qual afirma que situações similares poderiam ser enquadradas como abuso do poder econômico e político ou uso indevido de meios de comunicação, e passíveis de punição – inclusive cassação do registro da chapa.

“Uma Brigada Digital é nada mais, nada menos do que um grupo de WhatsApp. Organiza os mais vermelhinhos dentro do grupo e lá vamos convencer toda a turma que este ano é Lula”, orientou o secretário de comunicação de CUT, em um vídeo feito no dia 29 de abril.

A técnica funciona com a introdução de um membro da CUT no grupo, que se transformará em brigada. “Basta você cadastrar no site e automaticamente o nosso administrador vai entrar no grupo e distribuir os cards, as informações e os vídeos”, explica o secretário.

Ao longo das gravações que o jornal teve acesso, existem diversas outras explicações que ensinam como o envio em massa dos materiais devem ser realizados. Inclusive com modelos de tweets pré-moldados, afim de serem publicados para alavancar a campanha de Lula no Twitter.

No vídeo, que pode ser visto nas redes sociais do Metrópolis, ao explicar o que são as brigadas, um dos membros da CUT reafirma o objetivo eleitoral. “As próximas eleições são as mais importantes das nossas vidas. Perder não é opção”.

Especialistas em direito eleitoral apontam diversos indícios de irregularidades nos métodos comunicacionais que foram descobertos pela imprensa. “Entidade sindical não pode se envolver com questões eleitorais, político-partidárias. É vedação expressa da legislação”, explico Cassio Leite, advogado especialista em direito eleitoral e membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral, em entrevista que também foi dada ao Metrópolis.

O caso, se julgado pelo TSE, pode culminar na cassação da chapa Lula-Alckimin, fazendo assim com que os pré-candidatos a presidente e a vice se tornem inelegíveis.

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