Até o início de agosto, 160 mulheres procuraram o Centro de Referência em Atendimento à Mulher (Cram) após sofrerem agressão física, psicológica, moral ou sexual. Ainda houve 132 atendimentos de retorno (total de 292 atendimentos). O órgão promove o acolhimento, atendimento e orientação às mulheres em situação de violência, além de fazer acompanhamento psicológico, social e de fornecer orientação jurídica.E acompanha de perto os recentes casos de violência registrados na cidade.

É o caso da mulher que foi atingida por golpes de canivete na Mosela, na última segunda-feira (18.09). O agressor é o ex-companheiro, revoltado com o fim do relacionamento, que foi preso. Mas, infelizmente, esse não é um caso isolado. No dia 15 houve mais um preso – esse, acusado de esfaquear a mulher no sábado anterior no Alto da Serra.

“No caso do Alto da Serra, nós acompanhamos de perto e conseguimos ajudar para que o agressor fosse preso. Nós fizemos contato com o Hospital Santa Teresa para poder ajudar a acolher em um abrigo e dando o apoio jurídico que ela necessita. No da Mosela, estamos acompanhando o estado de saúde dela, que está na UTI. Assim que ela apresentar uma melhora, já vamos oferecer a ajuda que ela necessita”, diz a coordenadora do Cram, Raquel Gonçalves.

Nesta segunda-feira (25.09), o Cram, ao lado da Coordenadoria dos Conselhos Comunitários de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, vai apresentar os números relativos a Petrópolis do “Dossiê Mulher 2017”, que reúne informações sobre a violência contra o público feminino em todo estado. Os dados serão debatidos na reunião do Conselhos Comunitários de Segurança do município, que acontece na Casa dos Conselhos Augusto Ângelo Zanata, às 19h.

Os números são relativos ao ano passado. A cidade não teve nenhuma morte por feminicídio (que é o assassinato que ocorre simplesmente porque a vítima é mulher). No entanto, foram registradas oito tentativas de homicídio. O Instituto de Segurança Pública (ISP) traz dados ainda mais preocupantes: houve 844 casos de lesão corporal; 73 de estupro e seis de tentativa de estupro; oito de importunação ofensiva ao pudor (como passar a mão seios ou genitálias, por exemplo); 807 casos de ameaça; sete de constrangimento ilegal; 426 de violência moral; e 67 de violência patrimonial. O Dossiê Mulher não aponta detalhes específicos de Petrópolis, mas em todo estado, a maior parcela de atos de violência é realizada pelo companheiro ou pelo ex. A própria casa é um local tão perigoso quanto a via pública.

“Os números são bem elevados, mais de duas mil ocorrências. A principal forma de reduzir esses casos é através da denúncia e da punição. No caso do Alto da Serra, por exemplo, a gente soube que o agressor continuava ameaçando, com a certeza da impunidade. Por isso que estamos cobrando tanto as punições, porque isso se torna exemplo. Essa é a nossa preocupação: quando chega a denúncia, buscamos as medidas protetivas, como a prisão, tirar o agressor de casa”, afirma a coordenadora do Cram.

Em Petrópolis, as mulheres têm dois canais de proteção e acolhimento. Um deles é o próprio Cram, que fica na Rua Santos Dumont, 100 – Centro.Para denunciar ou solicitar informações, basta ligar para o telefone: 2243-6152. O funcionamento é de 8h às 17h, de segunda a sexta.

Outro meio é o Núcleo de Atendimento à Mulher (Nuam) na 105ª Delegacia de Polícia, no Retiro. Ele funciona 24 horas por dia em uma sala especial, reservada, ambiente que proporciona a elas maior coragem para denunciar o agressor. Esse atendimento é feito exclusivamente por policiais femininas, outra forma de deixá-las um pouco mais confortáveis. É uma ferramenta a mais que a Polícia Civil tem para enfrentar a violência contra esse público.

As mulheres também contam com o Ônibus Lilás, que foi reintegrado em agosto ao atendimento ao público feminino e funciona como um “Cram itinerante”. Nesse sábado (23.09), ele esteve no Independência. No mês que vem, o veículo estará na Posse. A intenção é exatamente que ele vá em locais mais distante da sede do órgão oferecendo assistência social, jurídica e psicológica, acolhimento e orientação sobre toda a rede de serviços de defesa e proteção.