Pedro França/Agência Senado

CPI: mais um ex-diretor da Vale nega responsabilidade sobre tragédia em Brumadinho

Compartilhe
Compartilhar no facebook
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no pinterest
Compartilhar no twitter

O ex-gerente-executivo operacional da Vale no complexo minerário Paraopeba (MG), Rodrigo Artur Gomes de Melo, foi ouvido pela CPI de Brumadinho, nesta quinta-feira (16). Ele tinha responsabilidade direta sobre o monitoramento da estrutura da barragem 1 da mina Córrego do Feijão, que se rompeu em 25 de janeiro, matando 238 pessoas e deixando 32 desaparecidas, segundo dados recentes da Defesa Civil de Minas Gerais.

A juíza plantonista Perla Saliba Brito, da Comarca de Brumadinho, decretou a prisão temporária de Rodrigo dois dias após a ruptura (ele ficou dez dias detido) e a força tarefa do Ministério Público que investiga as causas da tragédia recomendou seu afastamento da Vale desde 29 de janeiro. Rodrigo compareceu à CPI acompanhado do advogado Leonardo Sales, contratado pela mineradora, e declarou que, mesmo afastado do cargo, continua recebendo salário.

O senador Jorge Kajuru (PSB-GO) disse ser difícil para os parlamentares acreditarem nas respostas dos depoentes, observando que a Vale paga os advogados de todos os investigados pela CPI.

— Nós estamos aqui fazendo perguntas sérias, mas como vamos acreditar que ele vai chegar aqui e falar a verdade, e nada mais do que a verdade, sendo contratado e tendo defesa paga pela própria Vale? É muito difícil — lamentou.

De acordo com o relator da CPI, senador Carlos Viana (PSD-MG), Rodrigo Melo também era gerente executivo do complexo Mina da Alegria, e foi investigado no inquérito da Polícia Federal que apurou as responsabilidades na tragédia de Mariana, em 2015. O depoente, no entanto, negou qualquer envolvimento sobre a tragédia.

— Não tive relação com o acidente da barragem de Fundão. Em 25 anos de profissão, posso falar que sempre cumpri minha profissão de forma verdadeira e achar uma resposta para isso é muito difícil. Eu poderia estar entre os mortos, perdi um terço da minha equipe e não tenho porque não falar a verdade.

Carlos Viana quis saber de quem era a decisão de mudar o refeitório da frente da mancha de inundação da barragem de Brumadinho. Rodrigo, no entanto, respondeu que não pode ser responsabilizado, porque não tinha a função de fazer o monitoramento da barragem.

Questionamentos

A presidente da CPI, senadora Rose de Freitas (Pode-ES), se mostrou surpresa com as respostas do ex-gerente da Vale. Ela relembrou que, ao ser ouvido pelos senadores em abril, o executivo da área de Recursos Hídricos da Vale Felipe Rocha declarou que todos os diretores estavam cientes dos riscos de rompimento da barragem.

— Ele não sugeriu, ele afirmou expressamente. Então, quem, afinal de contas, está dizendo a verdade neste processo? O senhor não acha que uma declaração dessas tem um peso na lógica de raciocínio que esta CPI, o Ministério Público, a Polícia Federal estão construindo? — indagou a senadora.

Rodrigo Melo respondeu que não é responsável pelas palavras de Felipe Rocha. Declarou que tinha a atribuição de fazer a gestão operacional da lavra, do beneficiamento e do embarque de minérios, mas ressaltou que esse processo era feito a seco e, portanto, sem utilização de barragem desde 2015.

— A obrigação de fazer o monitoramento, o controle, a auditagem e a inspeção era de uma área técnica, fora da minha atribuição.

O senador Otto Alencar (PSD-BA), por sua vez, ponderou que muitas vidas teriam sido poupadas se a Vale tivesse mudado o lugar da estrutura administrativa e do refeitório da mineradora em Brumadinho. O parlamentar disse que a empresa cometeu um crime ao não realizar as modificações.  E considerou que a companhia não se interessou em fazê-las por causa dos custos, “já que os lucros sempre estiveram acima da vida das pessoas”.

Otto alertou que outras barragens, a exemplo da Gongo Soco, localizada na região central de Minas Gerais, também estão na iminência de romper. E frisou que nenhuma das respostas dadas por Rodrigo Melo à CPI o convencerá da inocência dos diretores da Vale.

— Considero o senhor um assassino. E a Vale é uma empresa assassina. Não tem como o senhor nos convencer de que não tem culpa. Não adianta fazer cara de paisagem, achar que não aconteceu nada, porque aconteceu, sim — indignou-se o parlamentar.

Adiamento

Nesta quinta-feira, também estava prevista a oitiva do ex-gerente-executivo de Geotecnia Operacional da Vale, Joaquim Pedro de Toledo. Ele alegou impossibilidade de comparecimento. O depoimento foi reagendado para terça-feira (21).

Fonte: Agência Brasil

Crédito da foto: Pedro França/Agência Senado

Compartilhe
Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no pinterest
Pinterest
Compartilhar no twitter
Twitter

veja também

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.