As cidades foram feitas para as mulheres? A pergunta é motor fundamental do longa-metragem “Chega de Fiu Fiu”, com direção de Amanda Kamanchek Lemos e Fernanda Frazão. Produzido em parceria com a Brodagem Filmes, o documentário será lançado em 15.05 em São Paulo (SP), 27.05 em Brasília (DF) e 20.05 em Cachoeira (BA) e integra campanha homônima criada em 2014 pela organização Think Olga, trazendo ao centro do debate questões como o assédio e o direito das mulheres ao espaço público.

O filme alcançou recorde de arrecadação na plataforma de financiamento coletivo Catarse, atingindo a meta em menos de 24 horas. Personalidades como Laerte, Karina Buhr e Gregório Duvivier se posicionaram a favor da iniciativa, que contou com a contribuição de mais de 1.210 apoiadores.

“Chega de Fiu Fiu” explicita como a participação das mulheres no espaço urbano é marcada por insegurança. “Entraves como a falta de iluminação, lugares ermos, a dificuldade de mobilidade, longas distâncias na locomoção de casa ao trabalho, ausência de creches e péssimo atendimento em serviços de saúde e segurança seguem como catracas visíveis e invisíveis do acesso das mulheres às cidades. Tais entraves revelam o quanto as cidades foram construídas sem a perspectiva de gênero e agravam ainda mais as violências sofridas pelas mulheres, como o assédio”, diz Amanda Kamanchek, diretora do documentário. “O filme é um retrato dessa violência de gênero em um contexto ainda pouquíssimo explorado: o espaço público. A pergunta que nos fizemos ao longo de todo o filme é ‘qual é o lugar das mulheres nas cidades?’”.

“Chega de Fiu Fiu” traça uma narrativa composta de três momentos: a utilização de óculos com uma microcâmera escondida, usado por mulheres em seu dia a dia; a vida de três personagens de diferentes cidades (Brasília, São Paulo e Salvador) e o diálogo com especialistas sobre assédio, identidades, sexualidade, participação e mobilização social e masculinidades.

“Não só a entrevista com personagens, mas a dinâmica de cada uma delas com suas cidades foi nos ajudando a construir o argumento real do filme. Ao longo do projeto, criamos alguns artifícios de filmagem como o óculos-espião, o que nos permitiu explorar de maneira muito forte o modo como o corpo é percebido no espaço público. Dessa forma, as personagens puderam também se utilizar de um instrumento de denúncia. E, em adição, o próprio corpo delas se tornou uma ferramenta dessa narrativa. Em suma, convidamos essas mulheres a colaborar com o documentário de fato e isso nos trouxe ainda mais verdade e emoção”, diz Fernanda Frazão, também diretora do filme.

De acordo com pesquisa da ActionAid de 2016, 86% das brasileiras já sofreram violência sexual ou assédio em espaços públicos. Delas, 77% ouviram assobios, 57% ouviram comentários de cunho sexual, 39% xingamentos, 50% foram seguidas, 44% tiveram seus corpos tocados, 37% tiveram homens que se exibiram para elas e 8% foram estupradas.

Muitos anos se passaram desde que as mulheres começaram a circular nos espaços públicos, mas o respeito nesse território ainda lhes é negado. Pesquisa do Ipea de 2014, “Tolerância social à violência contra as mulheres”, mostrou que 26% dos brasileiros concordam com a afirmação “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas” e estudo do Fórum de Segurança Pública  de 2016 mostra ainda que 1 em cada 3 pessoas acreditam que “mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”. Uma violência baseada na ideia de que quando uma mulher não se comporta, ela deve ser punida.

Tais pesquisas revelam o pensamento atual de muitas pessoas que ainda consideram inaceitáveis certas condutas e escolhas das mulheres – como “ficar bêbada”, “sair de casa sem o marido” e “usar roupas justas e decotadas”.

“Há alguns anos, assédio era uma palavra não dita, um assunto discutido em algumas bolhas feministas. Houve a necessidade de ampliar essa conversa e, com o tempo, ela foi evoluindo e amadurecendo. Não poderíamos estagnar nessa ideia do assédio como algo micro, a cantada de rua. É necessário olhar que papel ele desempenha dentro da cultura do estupro e como alimenta a roda hostil do machismo”, diz Juliana de Faria, fundadora da ONG Think Olga. “Mais que isso, o filme mostra como somos excluídas sistematicamente do debate sobre a cidade. As personagens do filme têm isso em comum: nenhuma se sente à vontade pra circular no espaço público. Nenhuma delas se sente segura ou pertencente à cidade. Para além da denúncia, vejo o documentário como um projeto educacional, a ideia é transformá-lo em ferramenta junto às universidades e escolas para que possamos pensar em conjunto uma mudança”, conclui.

Distribuição de impacto: qualquer pessoa pode ser um exibidor do filme

A distribuição do filme, realizada pela Taturana, tem como propósito contribuir com a transformação das relações de gênero e a garantia do direito das mulheres à cidade. O filme já tem estreia garantida em São Paulo (SP), Brasília (DF) e Cachoeira (BA), e o circuito será ampliado a partir da participação de coletivos, universidades, escolas e organizações sociais. O filme está disponível, gratuitamente, para qualquer pessoa ou organização que queira levá-lo para seu espaço em uma exibição coletiva por meio da plataforma www.taturanamobi.com.br.

Sinopse: As cidades foram feitas para as mulheres? O filme “Chega de Fiu Fiu” narra a história de Raquel, Rosa e Teresa, moradoras de três cidades brasileiras, que, por meio de ativismo, arte e poesia resistem e propõem novas formas de (con)viver no espaço público.

 

SERVIÇO

CHEGA DE FIU FIU

(Documentário, 79’, Brasil, 2018, Brodagem Filmes)

Sessão de estreia em São Paulo

CineSala, 15 de maio, quinta-feira, às 21h

Seguida de debate com as diretoras e personagens do filme, Think Olga e outras participantes surpresa.

Ingressos esgotados| Rua Fradique Coutinho, 361 | Classificação indicativa: livre.

Sessão especial em São Paulo

CineSesc, 23 de maio, quarta-feira, às 21h

Seguida de debate com as diretoras do filme e Think Olga

https://www.facebook.com/events/385438468606558/

Sessão especial em Brasília

Cine Brasília, 27 de maio, domingo, às 11h

Seguida de bate-papo com a diretora do filme Amanda Kamanchek, a artista visual e personagem do filme Rosa Luz. Além de Jaqueline Fernandes, Subsecretária de Cidadania e Diversidade Cultural e representante do Coturno de Vênus (Associação Lésbica Feminista de Brasília) e de Luana Ferreira, representante da AMB – Articulação de Mulheres Brasileiras.

  • Entrada gratuita | ingressos distribuídos 1h antes da sessão | EQS 106/107 | Classificação indicativa: livre.

https://www.facebook.com/events/164259767601994/

Sessão especial em Cachoeira

Orla da Praia da Faceira – Cachoeira (BA), 20 de maio, domingo, às 19h30

O filme fará parte do encerramento do Festival MAR – Mulher, Ativismo e Realização. Ao final da exibição, haverá bate-papo aberto com as diretoras do filme Amanda Kamanchek e Fernanda Frazão e também com Raquel Carvalho, estudante de enfermagem e personagem do filme. A Mostra MULHERES ITINERANTES, do Festival MAR vai exibir longas metragens em três comunidades Cachoeiranas: Santiago do Iguape, Tabuleiro da Vitória e Praia da Faceira. São comunidades compostas por marisqueiras, quilombolas e trabalhadoras rurais.

https://www.marderealizadoras.com

  • Entrada aberta e gratuita | Orla da Praia da Faceira.

https://www.facebook.com/events/1731028980318345/

  • Sessões previstas mediante quórum de 60%:

Sessão especial em Porto Alegre

Sessão especial no Rio de Janeiro

Sessão especial em Salvador

Sessão especial em Belo Horizonte

 

Realização

Sobre a Think Olga

A Think Olga é uma organização feminista que se propõe a empoderar mulheres por meio da informação. Em 2014, lançou a campanha Chega De Fiu Fiu, a primeira a combater ao assédio sexual em locais públicos no Brasil. No mesmo ano, lançou uma pesquisa respondida por mais de sete mil pessoas sobre assédio e outras violências sexuais, além de um mapa colaborativo para identificação das principais áreas de risco das cidades para as mulheres.

Sobre a Brodagem Filmes

Brodagem Filmes é uma produtora audiovisual fundada em 2011. Voltada à produção de filmes e séries, valoriza a produção voltada à temática de direitos humanos e gênero. Entre suas realizações estão os documentários Além das 7 Cores e Dolores.

Sobre as diretoras

Amanda Kamanchek, brasileira, 31 anos, jornalista e documentarista, trabalha com projetos sociais destinados à prevenção da violência contra mulheres e meninas, educação de gênero nas escolas, assédio sexual e direito à cidade. Foi coordenadora de campanhas da área de enfrentamento à violência da ONU Mulheres Brasil – Agência das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres. É diretora do documentário Chega de Fiu Fiu, sobre o assédio contra as mulheres em espaços públicos em parceria com a organização feminista Think Olga. Desenvolveu junto ao Departamento de Ciência da Política de Direitos Autorais da Paz, Democracia e Tolerância da USP a plataforma Cartografia de Direitos Humanos. Foi coordenadora de Comunicação do Instituto Pólis, desenvolvendo conteúdos e projetos relacionados aos temas direito à cidade, habitação, segurança pública, democracia e sustentabilidade. É formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e em Documentário pela AIC (Academia Internacional de Cinema). Eleita uma das 21 mulheres brasileiras que estão fazendo do país um lugar melhor, pelo Brasil Post / Huffington Post, 2014. Eleita como uma das 100 mulheres inspiradoras do mundo em 2014, pelo Think Olga, organização feminista que combate o assédio contra as mulheres.

Fernanda Frazão, brasileira, 32 anos, é fotógrafa e documentarista, formada em Comunicação Audiovisual pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e pela Universidad da Coruña (UDC), Espanha. Trabalha na intersecção de várias de mídias como plataformas criativas para contar histórias, com foco em gênero e direitos humanos. Dirigiu seu primeiro longa-metragem “Chega de Fiu Fiu” (2018) sobre o assédio sexual contra mulheres em espaços públicos no Brasil, em parceria com a organização feminista Think Olga.  Em 2011, realizou o curta-metragem “Amai-vos uns aos loucos”, sobre os estereótipos da esquizofrenia e sua relação com a sociedade de consumo. Trabalha como freelancer de desenvolvimento, direção e criação em conteúdo multimídia na O2 Filmes, onde também atua como diretora criativa em novos formatos, conteúdo interativo e digital. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.

Distribuição

Sobre a Taturana:

A Taturana é uma distribuidora criada em 2013, em resposta ao contexto de distribuição no mercado audiovisual, com o objetivo democratizar o acesso ao cinema e potencializá-lo como ferramenta de impacto social. Desde então, vem distribuindo filmes independentes em circuitos alternativos por meio de uma rede de parceiros exibidores (como universidades, escolas, centros culturais e cineclubes). Saiba mais: http://www.taturanamobi.com.br.

Ficha-técnica

Título: Chega de Fiu Fiu

Direção: Amanda Kamanchek/Fernanda Frazão

Ano: 2018

Duração: 73 minutos

País: Brasil

Falado em português

Disponível também com legenda em inglês

Classificação indicativa: 14 anos

Som 5.1

Documentário

Colorido

2048 x 858

Aspecto 2.39:1

Direção: Amanda Kamanchek e Fernanda Frazão

Produção Executiva: Juliana Lemes e Lucas Kakuda

Direção de Fotografia: Lucas Kakuda

Direção de Produção e Ass. de Direção: Camila Biau

Montagem: Cibele Appes

Com: Rosa Luz, Raquel Carvalho e Teresa Chaves

Convidadas especialistas: Djamila Ribeiro, Juliana de Faria, Luana Hansen, Margareth Rago,

Nilceia Freire