Cruz Vermelha relembra a tragédia e homenageia as vitimas

No dia 12 de janeiro de 2011 acontecia a maior catástrofe natural do Brasil. A fúria da natureza deixou 918 mortes distribuídas em todos os municípios da Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro.

Na madrugada daquele dia fatídico, a chuva desceu forte provocando enxurradas que chegaram a uma velocidade de até 180 quilômetros por hora, segundo especialistas. Um mês depois, a região ainda contava seus mortos: 918. Mais de 400 mil moradores da região ficaram desabrigados.

O maior número de mortos na tragédia de 2011 foi registrado em Nova Friburgo, 429. Em Teresópolis, foram 392 óbitos e em Petrópolis, 71. Em Sumidouro, 22 pessoas morreram. Duas mortes foram registradas em São José do Vale do Rio Preto e outras duas em Bom Jardim.

Uma avalanche de lama provocada pelas chuvas foi destruindo casas em Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis, sem distinguir áreas rurais e urbanas, ricos e pobres, crianças, adultos, velhos e animais. Muita gente dormia quando, entre 3h e 4h de 12 de janeiro, suas casas desabaram sob a força das águas carregadas de terra e entulho, sem dar, para muitos, qualquer chance de fuga. Famílias inteiras morreram soterradas em suas próprias casas.

Com os deslizamentos de barreiras e morros, as galerias de águas pluviais foram totalmente obstruídas por terra trazida das encostas, entulho e lixo, o que piorou as inundações. Estradas e pontes foram destruídas e bairros inteiros ficaram isolados.

Somente na noite daquela quarta-feira equipes de resgate começaram a chegar a algumas das áreas mais atingidas, já sem luz e sem sinal de telefonia, e encontraram destruição, morte, e moradores perambulando pelas ruas cheia de lama sem saber o que fazer – cenário de uma praça de guerra. Além de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis, os municípios de Areal, Bom Jardim, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto também sofreram com as chuvas de janeiro.

Em Nova Friburgo, a maior parte das vítimas morava no bairro de Conselheiro Paulino. A Clínica São Lucas (particular) foi bastante atingida pelas águas e o Hospital Municipal Raul Sertã foi totalmente inundado. O ginásio de uma escola estadual foi usado como necrotério. Mais de 800 toneladas de lixo, lama e entulho eram retiradas por dia das ruas da cidade.

Após seis meses as principais causas da tragédia foram expostas pelo então deputado Luiz Paulo (PSDB), que presidiu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Rio para apurar as responsabilidades dos órgãos públicos sobre a tragédia: “A falta de um plano de contenção de encostas instáveis, o abandono total da política de uso do solo, onde diplomas fajutos de posse de terra eram dados em regiões de risco, a política errada de as concessionárias ligarem água e luz em imóveis que estão em área de risco e a falta de um sistema estruturado nacional de Defesa Civil profilática, preventiva, não apenas para atender mortos e feridos. Não há definições de abrigos previamente planejados, não existiam redes de radares para dar alertas às comunidades em áreas de risco”, disse ele na época da aprovação de um relatório que firmou o encerramento da CPI.

Naquele caos, a solidariedade e a mobilização da população se ascendeu. Muitas organizações da sociedade civil nacional e internacional, ONGs, igrejas e associações, arrecadaram roupas, alimentos, medicamentos e providenciaram abrigos para os desalojados.

Homenagens –Destaque para os heróis que ajudaram a resgatar dezenas de vítimas e também para os que perderam a vida na tentativa de salvar outras vidas, como foi o caso de moradores e vizinhos, além de agentes públicos da defesa civil, policiais, guardas civis e bombeiros.

Foto: Grupos de WhatsApp

Amigos e familiares recordaram a tragédia em uma homenagem realizada pela Cruz Vermelha, nesta sexta-feira (11/1). Amigos e parentes acenderam velas e colocaram flores em um memorial localizado no Suspiro, onde se encontra o Memorial 12 de Janeiro, monumento inaugurado em fevereiro de 2012 pelo Gama (Grupo de Arte, Movimento e Ação) em reverência aos que tiveram a vida ceifada pela catástrofe.

Investimentos – De acordo com dados do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), mais de R$ 400 milhões de reais foram investidos em obras emergenciais de recuperação ambiental em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo de 2011 à 2017. No ano de 2018 o investimento previsto era de R$ 295 milhões para Nova Friburgo, R$ 69 milhões para Petrópolis e R$ 38,5 milhões para Teresópolis.

Segundo o órgão estadual, a verba foi investida em intervenções nos rios Carvão, Cuiabá e Santo Antônio (Petrópolis), Bengalas e Córrego D´Antas (Nova Friburgo) e Príncipe, Imbuí e Paquequer (Teresópolis).

Apesar dos investimentos, ainda tem morador esperando por uma casa ou apartamento. Algumas vítimas ainda moram de favor em casas de amigos e parentes ou conta com o aluguel social.